Convento de Santa Cruz do Bussaco repousa no Casino do Luso até outubro
No passado dia 10 de julho o Casino do Luso inaugurou a exposição Convento de Santa Cruz do Bussaco, que […]
No passado dia 10 de julho o Casino do Luso inaugurou a exposição Convento de Santa Cruz do Bussaco, que estará patente até ao dia 31 de outubro, dando continuidade às iniciativas que a Fundação Luso tem promovido pelo menos nos últimos 4 anos, tal como refere Nuno Pinto de Magalhães.
Esta iniciativa junta a Fundação Luso, a Fundação Mata do Bussaco, a Direção Regional de Cultura do Centro e a Câmara Municipal da Mealhada, pelos mesmos objetivos, recuperar as peças de arte sacra que estão em estado de degradação e contribuir para que a Mata Nacional do Bussaco seja distinguida como Património Mundial da UNESCO. Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, refere que a união de esforços para alcançar a distinção da UNESCO é a única via para alcançar esta meta, nem nós tínhamos a mínima hipótese de atingir essa qualificação sem a ajuda de outras entidades, nomeadamente, do saber, da cultura. Mesmo Coimbra demorou 10 anos e é Coimbra!.
Encerrado para obras de requalificação até março de 2019, o Convento de Santa Cruz do Bussaco contem um património de grande valor cultural, histórico, patrimonial, religioso e até militar, assim como a Mata Nacional do Bussaco e o conjunto edificado do Palace do Bussaco, por isso a Direção Regional de Cultura do Centro foi essencial para que se pudessem migrar as peças que estão em exposição para o Casino do Luso.
A exposição está instalada no Salão do Casino e apresenta peças de arte sacra pertencentes ao espólio do Convento de Santa Cruz do Bussaco. Os visitantes desta mostra de arte religiosa poderão encontrar, até dia 31 de outubro, um conjunto de pinturas em óleo sobre tela, madeira e cortiça, esculturas policromadas em suporte de madeira, bustos relicários, grupos escultóricos em suporte cerâmico e paramentaria religiosa, do século XVII ao século XIX.
Em declarações ao Jornal da Mealhada, António Gravato, presidente da Fundação Mata do Bussaco, refere que em comparação com as visitas de anos anteriores são esperados cerca de 40 mil visitantes, a única alteração este ano é a cobrança de 1 por entrada para os visitantes acima dos sete anos.
Com a cobrança de um valor de entrada, Nuno Pinto de Magalhães diz que o objetivo é amealhar o máximo possível, para reverter 100% para a recuperação de peças do espólio de arte sacra do Convento de Santa Cruz do Bussaco. O valor de 1 euro por visitante é o mínimo, quem quiser pode dar mais! e justifica o acervo do Convento de Santa Cruz é único e está num estado deplorável fruto de diversas circunstâncias. Tudo o que pudermos ajudar para contribuir para a recuperação é o propósito.
D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, marcou presença no dia da inauguração desta exposição e o convite endereçado ao líder da Diocese de Coimbra pretende-se com a ligação histórica do Convento de Santa Cruz do Bussaco ao bispado de Coimbra, a história deste convento inicia-se em 1628, quando o Bispo de Coimbra, D. João Manuel, doa aos carmelitas da província portuguesa, a Mata do Bussaco para a construção do convento e retiro dos religiosos da Ordem (dos Carmelitas Descalços). Neste sentido, faz todo o sentido a presença do atual Bispo de Coimbra pela ligação histórica e pela proximidade às comunidades envolventes, tal como refere o presidente da Fundação Luso. Para o Bispo de Coimbra a exposição é importante para que as pessoas possam entender melhor a história do Convento, para além da dimensão espiritual que a mostra de arte sacra comporta, que D. Virgílio Antunes entende ser essencial para a sociedade de hoje.
Quando questionado sobre a expectativa do aumento de número de visitantes, sobretudo após a presença do Bispo de Coimbra na inauguração da exposição, Rui Marqueiro refere que a grande percentagem de visitantes é religiosa, porém admite que o Convento hoje está muito virado para o profano e para o turismo, mas temos que fazer um esforço de o voltar a inclinar um pouquinho também para o aspeto religioso, porque é injusto esquecermos essa vertente.
Em jeito de convite, António Gravato citou Celeste Amaro, diretora da Direção Regional de Cultura do Centro, que também esteve presente na inauguração da exposição, as peças ali respiram e, portanto, os visitantes têm oportunidade de ver ao pormenor cada uma das obras de arte em exposição, desenquadradas do convento. O horário de funcionamento é das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 20h00 de terça a sexta-feira, das 15h00 às 20h00 sábados, domingos e feriados.
Autor: Jornal da Mealhada
