Sexta-feira, 02 de Março de 2018

CPCJ da Mealhada com recorde de processos abertos em 2017

CPCJ da Mealhada com recorde de processos abertos em 2017

Região

CPCJ da Mealhada com recorde de processos abertos em 2017

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) da Mealhada teve, em 2017, 63 processos abertos no […]

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) da Mealhada teve, em 2017, 63 processos abertos no concelho, o maior número desde 2008. Um dado que consta do relatório de atividades da comissão, apresentado na última sessão da Assembleia Municipal, realizada a 27 de fevereiro.

O relatório foi apresentado pelo secretário da CPCJ da Mealhada, Nuno Canilho, em substituição da presidente, Paula Andrade, que se encontra de baixa médica. O responsável da comissão começou por dar conta do movimento processual em 2017, ano em que houve um total de 103 processos, dos quais 52 foram novos, 11 foram reabertos e 40 transitaram de anos anteriores.

Nuno Canilho apresentou depois a distribuição de casos, baseada em vários indicadores. No que toca à distribuição de processos por coordenador, verificou-se que a presidente da CPCJ, Paula Andrade, foi a responsável por 45% dos casos. No que diz respeito ao tipo de problemáticas, 41% dos casos deveram-se à exposição a comportamentos e 24% estavam relacionados com negligência.

Quanto ao número de casos por género, a distribuição foi praticamente equivalente, sendo que as crianças e jovens do sexo feminino representaram 51% dos casos. Em relação às faixas etárias, verificou-se uma incidência superior de casos entre os 11 e os 14 anos e também entre os 15 e os 17 anos de idade.

Na análise por localidades, o maior número de casos concentra-se na Pampilhosa e na Mealhada, seguidas do Luso, devido à maior densidade populacional. No entanto, na análise ao peso relativo na população jovem, foi possível constatar que a localidade de Antes é aquela que teve maior proporção de casos (5%), em relação ao total de crianças e jovens residentes.

As entidades sinalizadoras continuaram a ser, na sua maioria, as autoridades policiais, responsáveis por 41% dos casos. As escolas do concelho sinalizaram apenas 19%.

Nuno Canilho falou também sobre a preparação, por parte da CPCJ da Mealhada, do projeto Tecer a Prevenção, um documento que está a ser trabalhado com as forças vivas do território, não está ainda finalizado, mas que será uma forma de chegar a todos para ajudar as crianças. Este plano de ação estratégico é promovido no âmbito do projeto nacional, lançado pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), com o objetivo de conhecer melhor a realidade e os riscos a que estão sujeitas as crianças e os jovens do concelho.

O responsável da comissão destacou também a realização, na Mealhada, de uma sessão comemorativa do 25º aniversário da CPCJ, no próximo dia 25 de maio. O evento vai contar com a presença da presidente da CNPDPCJ, Rosário Farmhouse, e Rui Marques, do movimento GovInt, em que será debatido o papel da criança nas famílias modernas.

Se há situação em que estamos a falhar, é na sinalização pelo Agrupamento de Escolas

Finda a apresentação do relatório, o deputado Raúl Rodrigues, da coligação Juntos Pelo Concelho da Mealhada, começou a sua intervenção por elogiar o trabalho meritório da CPCJ. Apesar do louvor, consideramos que a partidarização não é desejável, quando o que está em causa é a vida de todos e de cada um, acusou. Nuno Canilho respondeu que, existindo algum caso de tratamento partidarizado, exigia que me desse conhecimento.

Já o deputado eleito pela CDU, João Louceiro, notou que o plano de ação da CPCJ para 2017 foi concretizado apenas a 25% e questionou o que ficou por fazer. O comunista quis saber também a razão da comissão não ter desenvolvido projetos de prevenção de comportamentos aditivos. Nuno Canilho confirmou que, relativamente ao plano de ação, houve um redireccionamento de objetivos que impediu a concretização em maior escala, concordando que não se lembrava de ações sobre comportamentos aditivos.

Finalmente, Ana Luzia Cruz, do Bloco de Esquerda, afirmou que as crianças do concelho estão a sofrer. Identificamos os problemas, mas não os conseguimos resolver. A deputada enumerou também várias deficiências nas condições do edifício da CPCJ, como a inacessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida, equipamentos avariados e a inexistência de uma viatura de serviço, além de apoio financeiro insuficiente. A comissão merecia melhores condições, acrescentou.

Na resposta a Ana Luzia Cruz, professora no Agrupamento de Escolas da Mealhada, Nuno Canilho começou por dizer que se há situação em que estamos a falhar, é na sinalização pelo Agrupamento de Escolas. Não se compreende como é que existem cerca de 90% das crianças e jovens a frequentar as escolas do concelho e são sinalizados tão poucos casos de risco pelos responsáveis escolares, afirmou. Quanto à falta de condições no edifício, Nuno Canilho respondeu que a localização da CPCJ é um problema que estamos a resolver, não tem muitas condições, mas é central na Mealhada. O secretário da comissão garantiu ainda que não houve casos em que as pessoas não se deixaram de deslocar por falta de viatura. No entanto, o problema já foi solucionado e a CPCJ tem agora uma viatura, de um dos nossos parceiros, disponível 24 horas por dia.

Autor: Jornal da Mealhada

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