Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

CRÓNICAS LOCAIS-143 – O INIMIGO PÚBLICO

CRÓNICAS LOCAIS-143 – O INIMIGO PÚBLICO

Região

CRÓNICAS LOCAIS-143 – O INIMIGO PÚBLICO

Quando em meados do ano de 1962 assinei a declaração anticomunista para concorrer á função pública pouco sabia de política […]

Quando em meados do ano de 1962 assinei a declaração anticomunista para concorrer á função pública pouco sabia de política e menos de partidos que, durante toda a minha infância e juventude, não tiveram existência neste país. A lei fora promulgada no ano de 1934 , àquela data estava em vigor e para concorrer a um emprego de baixo salário mas de grande estabilidade, assinava-se fosse o que fosse perante uma imposição dum estado autoritário e pouco aberto a conversas e explicações. O comunismo era então, ainda que ignorando no fundo o seu conteúdo doutrinário, o inimigo público número um. Num país que vivia desta fobia, as condições económicas eram mínimas e apenas os instalados na vida, filhos de boas famílias ou da intelectualidade da época tinham acesso a uma formação mais rebuscada em termos de filosofia e doutrinação e dinheiro suficiente para sobreviver fora do país quando, chegada a hora de assentar praça com a guilhotina do ultramar sobre o pescoço, algo tremia de medo, o rabo.

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Artigo de Ferraz da Silva, publicado na integra na edição impressa de 28 de agosto.

Autor: Jornal da Mealhada

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