Quarta-feira, 05 de Setembro de 2018

CRÓNICAS LOCAIS 249 – O ROBLESPIERRE

CRÓNICAS LOCAIS 249 – O ROBLESPIERRE

Região

CRÓNICAS LOCAIS 249 – O ROBLESPIERRE

Esta história de sacrilégios do Robles Ricardo, não Pierre como voluntariamente titulei, tem barbas. E por ter barbas vale o […]

Esta história de sacrilégios do Robles Ricardo, não Pierre como voluntariamente titulei, tem barbas. E por ter barbas vale o que vale. À mulher de Júlio Cesar não basta ser honesta, tem de parecê-lo e aqui está o busílis da questão.

Como na história do jacobino Robespierre, declarado culpado e guilhotinado pela revolução francesa entre tantos outros, também aqui o Robles foi encostado à parede entre montes de oportunistas aproveitadores de cargos públicos que se valem da posição para enobrecerem a família, engordarem o património ou distribuírem favores entre comparsas.

Eu atrevia-me a dizer, sem querer falsear o comportamento de alguma gente honesta que ainda anda na política, que este modo de estar à Robles é a coisa mais comum na geringonça partidária. Quarenta anos que andei por aí mais ou menos nos meandros da partidarite do arrevesado solo pátrio ensinaram-me que a ingenuidade primitiva, uma espécie de inocência primária vinda das teias salazaristas, acabou depressa e sobreveio passo a passo, tentativa após tentativa, a instalação duma outra união nacional, como se vê hoje, um autêntico polvo que abrange de norte a sul a magreza da nação. Se a antiga união tinha os seus lideres, morgados e guarda costas, a nova implantou a corrupção e a miséria nas gerações dos quinhentos euros e reservou para si os milhares e os milhões, uma civilizada discrepância entre o cidadão que trabalha e paga e o que nada faz gerindo a seu favor, entre recursos, fundos estruturais e divida contraída, a riqueza que temos. Chegamos ao paradoxo de, gastando cada vez mais recursos, estarmos cada vez mais pobres, quer de moeda, quer de espírito.

É neste contexto que Robles, que não é um ingénuo qualquer mas vereador da Câmara de Lisboa aproveitou a sua ocasião, com pouca ética é certo, mas nada comparável a outras monstruosidades que se verificam constantemente neste país, veja-se o caso dos bancos e dos banqueiros sobejamente recompensados por coisas muito piores, utilizando a sua posição privilegiada na autarquia para adquirir, de forma bastante duvidosa, um imóvel publico. Trazido à praça e literalmente julgado, condenado e forçado pela comunicação social a demitir-se por falta de condições para continuar no cargo o caso Robles encerrou-se lógica e correctamente. Politicamente, a mulher de César tem que situar-se no patamar mais elevado do edil clássico cuja moralidade não pode ser posta em causa nem em dúvida, se bem que existam por aí inúmeros isaltinos, adjectivo apenas o substantivo para facilitar o raciocínio, que por razões de justiça ou não justiça ultrapassam esta regra com a imunidade numa justiça a dois tempos.

Para além do simples acto, comum na classe política deste país, historicamente desde que o nosso Mestre de Avis teve de recompensar prodigamente os que lhe deram o trono, tudo o que se escreve sobre o caso de Ricardo Robles não passa de retórica barata protagonizada pelo próprio polvo onde socialistas, sociais democratas ou centristas são profissionais experientes, perante bloquistas cuja regra é ainda a excepção que a confirma.

Deve o fenómeno ser entendido como mais um aviso aos portugueses e ao legislador, infelizmente este último com poucas probabilidades de alterar a filosofia política que se vem seguindo na construção das leis, onde a falta de seriedade começa pelo benefício próprio traduzido no monopólio do bem estar que se atribuem enquanto tal, legisladores de causas próprias. Uma nova democracia do músculo partidário, fundadora de falsas notícias e avalanches de promessas, capazes de ludibriar a mente dos eleitores de espartana condição de forma voluntária, uma lavagem ao cérebro em que muita comunicação social participa e ignora consciente ou inconscientemente. Uma espécie de hipnotização controlada sobre públicos inteiros falsamente ludibriados por subtis processos mentais.

Os RoblesPierres andam por aí num abc avançado!

Autor: Jornal da Mealhada

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