Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

Dia Mundial do AVC comemora-se sábado

Dia Mundial do AVC comemora-se sábado

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Dia Mundial do AVC comemora-se sábado

A 29 de Outubro comemora-se o Dia Mundial do AVC. Uma efeméride destinada a cumprir vários objetivos, parecendo-me um dos […]

A 29 de Outubro comemora-se o Dia Mundial do AVC. Uma efeméride destinada a cumprir vários objetivos, parecendo-me um dos mais importantes o de lembrar a sociedade da relevância e da gravidade desta doença e, sobretudo, da importância de a prevenir e tratar. O Jornal da Mealhada falou com Paulo Simões Coelho, neurologista do Hospital Misericórdia da Mealhada

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Jornal da Mealhada (JM) – Qual é a relevância do AVC?

Paulo Coelho (PC) – O AVC tem sido, em Portugal, nas últimas décadas, a primeira causa de morte e incapacidade para as atividades do dia-a-dia. O conjunto das doenças do aparelho circulatório, em 2014, foram responsáveis por cerca de 30.6% dos óbitos em Portugal (PORDATA.PT). É a principal causa de morte, seguida pelo conjunto de todos os tumores malignos e um pouco mais abaixo, pelo conjunto das doenças do aparelho respiratório. As doenças do aparelho circulatório englobam o AVC e a doença isquémica cardíaca, sendo a proporção de óbitos por AVC maior (em 2011 faleceram 12690 portugueses por AVC e 6582 portugueses por doença isquémica cardíaca – DGS). Assim, é importante conhecer esta doença, porque é grave, mas possível de se prevenir e tratável.

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JM – O que é o AVC e quais as suas principais características?

PC – AVC são as iniciais de Acidente Vascular Cerebral. É um conjunto de doenças em que surge uma lesão encefálica súbita, que causa uma disfunção neurológica (sofrimento neurológico), que dura pelo menos 24 horas, estando na origem desta lesão encefálica uma lesão vascular (ou seja, a lesão de uma artéria ou veia que vasculariza o encéfalo conhecido habitualmente como cérebro).

O AVC divide-se assim em quatro grandes grupos de doença: (1) o AVC isquémico (em que uma artéria é ocluída, interrompendo-se a circulação de sangue para uma parte do encéfalo), (2) o AVC hemorrágico (em que uma artéria se rompe, formando-se uma hemorragia dentro do encéfalo), e em 2 grupos mais raros: a (3) a hemorragia subaracnoídea, e (4) a trombose venosa cerebral.

Destes quatro tipos de AVC o mais frequente é o AVC isquémico (conhecido como trombose cerebral, enfarte cerebral ou ataque cerebral), constituindo aproximadamente cerca de 80% dos AVCs, seguido pelo AVC hemorrágico (conhecido como hemorragia cerebral), que constitui aproximadamente cerca de 15% dos AVCs.

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JM – O que acontece no AVC isquémico?

PC – No AVC isquémico, uma parte do encéfalo deixa de receber sangue por uma oclusão de uma artéria. Existem vários mecanismos, sendo os principais os seguintes: (1) placas ateroscleróticas que se vão formando ao longo dos anos nas grandes artérias localizadas no pescoço ou na base do encéfalo, (2) coágulos que se formam (geralmente no coração) e que se vão deslocar pelas artérias até ocluírem uma artéria no encéfalo, ou (3) lesão da parede de pequenas artérias já dentro do encéfalo, que levam à sua oclusão.

Há uma forma transitória destas doenças, em que a disfunção neurológica é transitória, ou seja, dura menos de 24 horas com recuperação completa dos défices neurológicos. A esta entidade chama-se AIT, ou seja, Acidente Isquémico Transitório. Apesar de transitória, é uma doença semelhante ao AVC isquémico, que deve ser avaliada e orientada com toda a urgência (tal como no caso do AVC isquémico), porque um doente com AIT, tem um elevado risco de vir a sofrer um AVC nas próximas horas/dias, se não for adequadamente avaliado e tratado.

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JM – Quais são os fatores de risco de AVC isquémico?

PC – O AVC isquémico é bastante mais frequente acima dos 55 anos (podendo contudo acontecer também em pessoas mais jovens). Para isso contribuem os principais fatores de risco vascular modificáveis que, ao longo dos anos, vão danificando silenciosamente as artérias e o coração. Existem outros fatores de risco, não modificáveis, que não vou enumerar, porque parece-me que toda a nossa atenção deve estar sobre os que podem e devem ser modificados. Assim, os principais fatores de risco modificáveis de AVC são (1) a hipertensão arterial (pressão arterial superior a 140/90mmHg), (2) a diabetes mellitus, (3) a hipercolesterolemia, (4) o tabagismo e (5) o alcoolismo. Para a génese destas doenças contribuem (6) a obesidade e (7) o sedentarismo. Já numa fase mais avançada (8) arritmias cardíacas, nomeadamente a fibrilação auricular, (9) outras doenças cardíacas, e a (10) doença aterosclerótica carotídea são também fatores de risco. Todas estas doenças são perigosas, e geralmente silenciosas, enquanto provocam danos nas artérias e coração ao longo dos anos. São doenças possíveis de prevenir e tratáveis, daí a importância de as não ignorar.

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JM – Quais são os sinais de AVC?

(…)

Leia a entrevista completa na edição impressa do JM 982, já nas bancas.

Autor: Jornal da Mealhada

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