DITO EESCRITO!
Azeredo Lopes é uma inteligência rara e não há razão por agora para que se questione a sua honorabilidade nesta […]
Azeredo Lopes é uma inteligência rara e não há razão por agora para que se questione a sua honorabilidade nesta história. Mas, a cada dia que passa, a sua sustentação política é cada vez mais frágil. Se Martins Pereira tinha o documento, é inverosímil que não o tenha passado ao ministro e se o ministro o recebeu, tinha a obrigação de ter encarado este problema com outro cuidado e outra transparência. Disse o primeiro-ministro: Um dia haveremos de saber o que é que cada um sabia sobre esta história de Tancos. Talvez não seja necessário. Saber o que já sabemos é suficiente para não ter dúvidas de que o ministro Azeredo Lopes só permanece no Governo porque António Costa é um incorrigível optimista.
Manuel Carvalho PÚBLICO
Na mais otimista das versões, a praxe é um ritual de integração. Na pior é uma humilhante forma de obediência. Em ambos os casos, submissão é palavra-chave. Submissão aos mais velhos que a própria praxe hierarquiza em mais importantes. Mas também às regras, ao sistema, a quem manda. E isto é válido para todas as praxes, sejam as benévolas de concursos de Miss e Mister Caloiro, sejam as fisicamente violentas – porque psicologicamente, lá está, são todas.
Neste ano foram poucos os escândalos que trouxeram as praxes para as notícias – não tem havido denúncias nem polémicas – e talvez por isso tenhamos tendência a esquecê-las. Mas elas lá estão, mais abrangentes, cada vez mais banais, como uma torrente que já não é uma tendência, moda, mas um estado de coisas. O estado natural das coisas que se tornou andar de preto na faculdade. Usando um traje académico anquilosado, que foi uma grande ideia, inventado para não distinguir entre ricos e pobres, e que agora serve, ao mesmo tempo, de marca social e de elemento de indistinção.
Catarina Carvalho DIÁRIO DE NOTÍCIAS
As eleições presidenciais no Brasil provocaram, aqui no burgo, uma onda de histeria entre os arautos do regime, assolados por um pânico irracional perante a eventual vitória de Jair Bolsonaro, como se estivéssemos no advento de um apocalipse.
A tudo se recorreu para denegrir a honra e o carácter do candidato, acusando-o de todos os impropérios que têm sido apanágio nos ataques a quem não se deixa iludir pela cultura do politicamente correcto, como as habituais referências, entre outras, ao racismo, xenofobia, chauvinismo, homofobia e machismo.
Chegou-se ao cúmulo de um grupo de sócias desse famigerado cubículo a que chamam a casa da democracia, numa grosseira ingerência nos assuntos internos de um Estado estrangeiro, deixarem-se fotografar com cartazes apelativos a que não se votasse no político que catalogaram como sendo de extrema-direita.
Organizaram-se manifestações patéticas em algumas cidades, em solidariedade com as que proliferaram um pouco por todo o Brasil, gritando-se Ele Não, e cujos resultados visíveis tiveram exactamente o efeito contrário, com o surgimento de uma cadeia humana avassaladora de Ele Sim, que culminou com a vitória eleitoral de domingo.
Pedro Ochôa O SOL
Não sei – o que li até agora não me permite sequer ter opinião – o que sucedeu naquele hotel em Las Vegas. Mas uma coisa sei: as reações que vejo, até de comentadores encartados que fingem não ter “lado” para pelo meio certificarem que Kathryn Mayorga “não pode ser nenhuma santa porque subiu ao quarto”, são em absoluto repugnantes no seu machismo visceral. E ofendem-me pessoalmente – como mulher livre e dona de si, que se arroga o direito de dançar e flirtar com quem quiser, de subir a quartos quando apetecer, de dizer não e vê-lo acatado. Se isso é ser galdéria e pedi-las, é o que sou – e estarei do lado de qualquer mulher que seja vilipendiada por tal.
Fernanda Câncio DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Autor: Jornal da Mealhada
