É preciso arriscar!
Em meados do m~es de novembro realizou-se em Lisboa um evento dedicado ao papel do empreendedorismo e inovação na sociedade […]
Em meados do m~es de novembro realizou-se em Lisboa um evento dedicado ao papel do empreendedorismo e inovação na sociedade o 1º Silicon Valley comes to Lisbon (www.svc2lx.com). Este evento realiza-se há alguns anos no Reino Unido, e tem como objetivo juntar empreendedores e investidores no mesmo espaço de modo a fomentar a criação de empresas de sucesso. Neste encontro foram apresentados diversos casos de sucesso nacionais e internacionais, mostrando o que de melhor se faz no mundo em termos tecnológicos, de marketing e de gestão.
Ao longo de todo o evento foi salientado o papel decisivo que o empreendedorismo tem no crescimento da economia e para a criação de emprego. O Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Dr. Carlos Oliveira, um empreendedor de sucesso na área da informática, aproveitou para anunciar que o Governo irá continuar a apoiar a criação de novas empresas e que no próximo mês será lançado o programa +E/+I de modo a estimular o Empreendedorismo e a Inovação aplicada.
Diferentes estudos indicam que mais de metade dos pequenos negócios criados um pouco por todo o mundo fecham antes de atingir os 5 anos de vida. Deste modo, a maneira como o processo de encerramento da empresa é encarado pelos empreendedores foi algo amplamente discutido pelos intervenientes. Uma das opiniões coincidentes entre os participantes foi a diferença entre o modo como o encerramento de uma empresa é encarado em Portugal e em Silicon Valley. Em Portugal, e um pouco por toda a Europa, o processo de fecho de uma aventura empresarial é encarado como se tratasse de uma derrota pessoal, fazendo com que seja improvável que o empreendedor volte a arriscar na criação de uma nova empresa. Assim, o conhecimento e experiência adquirida neste processo acabam por ser desperdiçados. Por outro lado, nos Estados Unidos e em particular em Silicon Valley, o fecho de uma empresa é considerado como algo natural no processo de aprendizagem e amadurecimento empresarial. Deste modo, é frequente que um empreendedor tenha criado algumas empresas antes de conseguir criar uma com verdadeiro sucesso. Durante todo o evento foram constantemente passadas mensagens sobre como lidar com este falhanço”. Mas no geral todos defendem que falhar faz parte do processo criativo e de aprendizagem. Na cabeça, a dar que pensar, ficou ainda a frase fail fast, get up and do it again, ou seja, quando um projeto não se encaminha para o sucesso, é preciso ter a coragem para encerrar, levantar a cabeça e começar de novo.
Esta diferença comportamental reflete-se numa menor tendência para arriscar em Portugal. Esta ideia encontra-se enraizada na nossa cultura, com vários provérbios populares a aconselhar ficar satisfeito com o que se tem e não arriscar para obter mais do que se tem hoje (Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar ou Quem tudo quer, tudo perde). Esta atitude tem o expoente máximo com a frase Eu avisei-te que é frequentemente aplicada quando falhamos e necessitamos de apoio e incentivo e não de mais críticas.
Na minha opinião, não devemos encarar como uma derrota pessoal quando as nossas ideias, estratégias ou produtos não vingam no mercado. Fechar uma empresa porque não se consegue ter o sucesso idealizado não deve ser considerado como um falhanço como pessoa, mas sim como parte do processo de aprendizagem em como ser empreendedor, e em que o investimento perdido é o custo dessa aprendizagem. Todas as profissões tem uma parte de aprendizagem, e a profissão de empreendedor não é exceção. O importante é aprender com os erros, e utilizar esses ensinamentos para reduzir as probabilidades de falhar na próxima empresa.
Para mim, pior do que arriscar e falhar, é não arriscar e ficar a pensar no que teria sido se tivesse arriscado. Como dizia o tema da canção de apoio à seleção nacional em 2006, podes não chegar à lua, mas tiraste os pés do chão.
PS Neste seguimento, estou à disposição para ajudar, dentro das minhas limitações, quem quiser arriscar e iniciar o seu próprio negócio. Quer seja pequeno ou grande, de bairro ou global, estou disposto a sentar-me e discutir convosco as vossas ideias, estratégias e planos de negócio.
ANDRÉ FAUSTINO
Autor: Jornal da Mealhada
