Efeitos do mau tempo: Falta de telhas, estradas cortadas, inundações e muito trabalho pela frente
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A Região Centro continua sob situação grave devido ao mau tempo e de calamidade em alguns municípios, prolongada pelo Governo até 8 de fevereiro. Os campos do Baixo Mondego e o concelho de Coimbra continuam sob forte pressão pela subida das águas do rio e os prejuízos materiais nos vários concelhos ascendem a dezenas de milhões de euros. No sul da Região de Coimbra e em toda a Região de Leiria os estragos continuam a ser contabilizados. Dez pessoas morreram na sequência das tempestades, quatro delas durante reconstrução ou arranjo de telhados e de casas atingidas.

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Coimbra cria canal para empresas locais comunicarem estragos
A Câmara de Coimbra criou um canal direto de comunicação para que as empresas locais possam informar sobre os danos provocados pela depressão Kristin.
Com a medida, “o município pretende recolher informação que permita sinalizar os casos mais urgentes, garantindo uma resposta mais rápida e articulada dos serviços municipais”, revelou a autarquia, num comunicado enviado hoje à agência Lusa.
Através do endereço eletrónico empresas@cm-coimbra.pt, “as empresas podem relatar danos verificados nas suas instalações, equipamentos ou prejuízos na atividade económica, identificar necessidades específicas de apoio ou de encaminhamento, sinalizar situações que exijam articulação urgente com os serviços do município e solicitar ajuda no acesso aos mecanismos de apoio definidos pelo Governo”.
“A informação recolhida permitirá ao município avaliar o impacto real da situação no tecido empresarial e priorizar a intervenção nos casos mais urgentes”, reiterou a mesma fonte.
A autarquia solicitou ainda que, para uma resposta mais eficaz, as comunicações incluam, sempre que possível, a identificação da empresa, a localização e uma breve descrição dos danos ou constrangimentos registados.
O Município recordou que se encontra a acompanhar a situação no terreno e a mobilizar os meios necessários para apoiar a recuperação da atividade empresarial, após o mau tempo, que “afetou de forma severa várias zonas do concelho” e “causou prejuízos relevantes em diversas atividades económicas”.
Condeixa-a-Nova com energia e prejuízos de 4,5 milhões de euros
O concelho de Condeixa-a-Nova está totalmente abastecido de eletricidade, embora persistam falhas pontuais, estimando-se prejuízos de 4,5 milhões de euros causados pelo mau tempo, disse hoje à Lusa a presidente da câmara.
Contactada pela Lusa, Liliana Pimentel, presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, começou por assegurar que o “concelho está abastecido por energia elétrica na sua totalidade”.
“Contudo, há pequenas ruas, bairros e localidades com problemas no fornecimento de energia elétrica”, devido a deficiências nas linhas de baixa tensão, explicou a autarca, garantindo que estes problemas estão a afetar menos de 200 consumidores.
O concelho registou desde a semana passada cerca de 400 ocorrências, como inundações, desabamento de terras, queda de árvores ou problemas em telhados, mas a maioria dos casos já foi resolvido.
Numa avaliação preliminar, o município aponta para prejuízos à volta dos 4,5 milhões de euros.
A autarca explicou ainda que as escolas reabriram hoje em todos os ciclos e que apenas um jardim de infância está a funcionar em instalações provisórias, porque os espaços originais ainda não estão operacionais para receber crianças.
Este jardim de infância está a funcionar na sede da junta de freguesia, ao lado do edifício do jardim de infância.
Figueira da Foz reabre acessos principais à Serra da Boa Viagem
Os acessos principais ao parque florestal da Serra da Boa Viagem, na Figueira da Foz, foram hoje reabertos após a queda de diversas árvores na sequência da depressão Kristin, disse fonte da Proteção Civil municipal.
Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Sapadores, Nuno Pinto, esclareceu que quer a via que liga a povoação da Serra da Boa Viagem ao Cabo Mondego, passando pelo Abrigo da Montanha, quer a ligação ao Miradouro da Bandeira, a norte, a partir daquela estrada, já foram reabertos à circulação.
Permanece cortada ao trânsito a via que liga a chamada Casa da Proteção Civil (Casa das Cruzinhas) ao Miradouro da Bandeira, onde decorrem trabalhos de limpeza por parte das duas equipas de sapadores florestais do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), destacados para aquele espaço natural.
Na quarta-feira, os ventos fortes associados à depressão Kristin arrancaram árvores na zona central do parque florestal Manuel Alberto Rei, junto à capela de Santo Amaro, e noutros locais da Serra da Boa Viagem.
Góis com equipas no terreno a ajudar na recuperação de telhados
O município de Góis, no interior do distrito de Coimbra, mantém equipas no terreno a ajudar a recuperar telhados e a acudir a situações de emergência, na sequência da passagem da depressão Kristin.
O presidente da Câmara, Rui Sampaio, disse à agência Lusa que o concelho registou estragos nos telhados de 39 casas de primeira habitação e em 30 de segunda habitação e pequenos danos em sete equipamentos municipais.
“Registámos ainda estragos em duas empresas e num armazém em Alvares”, adiantou o autarca, que reportou também a queda de 23 postes de eletricidade e 25 deslizamentos de terras até ao dia de hoje.
A intervenção mais musculada ocorreu na estrada que liga Vila Nova do Ceira a Serpins, no concelho da Lousã, onde foi necessário colocar pedras de alguma dimensão para suster os movimentos de terras.
O município registou ainda danos nas praias fluviais ao longo do rio Ceira (afluente do Mondego), que atravessa o concelho, nomeadamente no passadiço que liga a praia fluvial da Peneda à do Pego Escuro.
Segundo o presidente da Câmara, as situações de pessoas sem eletricidade ou comunicações são, neste momento, residuais no concelho.
Rui Sampaio adiantou ainda que vão ser efetuadas avaliações e verificações em edifícios e equipamentos municipais, bem como nas pontes e pontões sobre os rios Ceira e Sótão.
Aldeias de xisto da Serra da Lousã com atividade turística cancelada
Os alojamentos nas aldeias de xisto da Serra da Lousã, no interior do distrito de Coimbra, viram a sua atividade interrompida ou fortemente condicionada depois da passagem da depressão Kristin, disseram à agência Lusa alguns dos operadores turísticos.
“Estamos fechados por várias razões: falta de energia, que chegou no sábado, e de água, mas também de acessos”, explicou Sérgio Alves, diretor-executivo do projeto Cerdeira – Home for Creativity, que detém 10 casas, com capacidade para 54 pessoas.
As reservas para este fim de semana estavam esgotadas e ainda não é garantido que os alojamentos reabram no próximo, estando tudo dependente da reabertura da Estrada Nacional 236, que liga a Lousã à Castanheira de Pera, pela Serra da Lousã.
“O nosso maior problema é um curso de cerâmica que se inicia na segunda-feira, com temos participantes dos Estados Unidos da América e do Brasil, que já estão em viagem, e ainda não sabemos como vai ser”, enfatizou o responsável.
O projeto Cerdeira – Home for Creativity é constituído por várias casas de xisto, que sofreram poucos danos com os ventos ciclónicos da depressão Kristin.
Ainda no concelho da Lousã, na aldeia de xisto do Talasnal, o proprietário do alojamento Montanhas de Amor foi também obrigado a parar toda a atividade e a cancelar as reservas.
Salientando que a aldeia “está um caos”, Joaquim Lourenço relatou que todas as casas da aldeia sofreram estragos e a eletricidade só foi reposta no sábado, continuando sem acesso à Internet e televisão.
“Isto foi uma coisa louca. Houve lousas de xisto arrancadas dos telhados projetadas a mais de 200 metros”, disse.
Ainda sem tempo para avaliar os prejuízos, Joaquim Lourenço salientou que a casa de alojamento mais recente foi a que mais sofreu com a tempestade.
“Tinha as nove casas todas preenchidas”, lamentou o operador turístico, referindo que também teve de encerrar a taberna-restaurante de que é proprietário.
A previsão é reabrir na próxima sexta-feira.
Na aldeia de xisto no Gondramaz, concelho de Miranda do Corvo, a sua posição geográfica evitou grandes danos na passagem da depressão, mas o alojamento o Mountain Whispers registo 50% de cancelamento nas reservas.
“Nesta altura estávamos esgotados, mas muitas pessoas tiveram receio de viajar ou que voltasse a acontecer mais alguma coisa”, disse a proprietária Margarida Amaral, referindo que a aldeia esteve isolada dois dias devido às árvores caídas no acesso.
Mealhada regista prejuízos superiores a um milhão de euros
Cerca de 500 ocorrências e prejuízos superiores a um milhão de euros em danos municipais e particulares é o resultado da passagem da depressão Kristin no concelho da Mealhada, de acordo com a Câmara Municipal.
“Ainda não temos todos os prejuízos contabilizados, até porque continuam a surgir novas ocorrências no concelho resultantes dos impactos da tempestade, mas podemos garantir que o valor global ultrapassa largamente um milhão de euros, somando os danos da autarquia e dos particulares, num total de cerca de 500 ocorrências registadas nestes dois dias”, revelou o presidente do Município da Mealhada, António Jorge Franco.
Segundo esta autarquia do distrito de Aveiro, as inúmeras quedas de árvores e de estruturas, bem como outros episódios de destruição provocados pelo mau tempo, sentido desde a madrugada de quarta-feira, deixaram “um rasto significativo de prejuízos em todo o concelho”.
Sexta feira de manhã e após uma atuação articulada com a E-Redes, já estavam “totalmente resolvidos os problemas no fornecimento de energia elétrica em todo o concelho”.
Apesar de os impactos não terem atingido a gravidade registada noutras regiões do país, António Jorge Franco vincou que “o mau tempo não deu tréguas e exigiu um esforço muito significativo das equipas, que estiveram à altura na resposta aos inúmeros episódios de destruição sentidos no concelho”.
Entre os prejuízos mais relevantes contam-se largas centenas de árvores caídas, incluindo uma situação registada no Luso, onde a queda de uma árvore obrigou ao realojamento de um homem de 91 anos, num dos apartamentos municipais do Bairro Social da Póvoa da Mealhada.
No Parque da Cidade da Mealhada, a força da tempestade provocou a destruição de 134 árvores, registada durante a madrugada de quarta-feira.
O autarca aproveitou ainda para agradecer o trabalho desenvolvido pelas equipas da e-Redes, bombeiros, GNR, serviços municipais, brigadas de Proteção Civil e pelos presidentes de Junta, destacando que foram “determinantes para minimizar os impactos e garantir a segurança das populações”.
“Não é fácil, num contexto de problemas graves a nível nacional, conseguir restabelecer o fornecimento de energia elétrica no concelho em tempo recorde”, salientou.
O autarca enalteceu igualmente “o papel fundamental da população”, que colaborou ativamente na comunicação de ocorrências e adotou, de forma exemplar, comportamentos responsáveis, evitando situações de risco.
A Associação do Carnaval da Bairrada (ACB) e a Câmara Municipal da Mealhada divulgaram que o Carnaval de Palmo e Meio foi adiado.
Centenas de árvores arrancadas nos baldios e prejuízos de 2,5 milhões em Miranda do Corvo
A Câmara Municipal de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, revelou que os prejuízos em infraestruturas e equipamentos do município, provocados pela depressão Kristin, rondam 2,5 milhões de euros (ME).
Registaram-se, entre outros, desabamentos de vários taludes e estradas, danos na cobertura da bancada do campo municipal, estaleiro e pavilhão gimnodesportivo, no Centro de Acolhimento de Negócios e Centro de Formação do IEFP, pontes pedonais de Segade, sinalização vertical e percursos pedestres, indicou a autarquia num comunicado enviado à Lusa, em que deu conta da avaliação preliminar dos serviços municipais.
No património habitacional privado, estima-se que entre 400 e 500 casas tenham sofrido danos ligeiros ou moderados, como perda de telhas, painéis solares danificados, ou impactos de árvores ou outros objetos.
Já entre 10 e 20 habitações registaram danos severos, com coberturas destruídas ou comprometimento das estruturas.
Segundo a autarquia, poderão existir danos significativos noutras infraestruturas, como, por exemplo, a Ponte dos Braços, “mas cuja aferição não foi ainda possível devido às condições meteorológicas”.
“O movimento associativo do concelho também sofreu com a tempestade Kristin, com danos estimados em 380 mil euros, sobretudo relacionados com coberturas de edifícios”, acrescentou.
No Parque Empresarial da Pereira, entre cinco e oito pavilhões registaram danos severos nas coberturas e várias empresas do concelho sofreram “danos significativos”.
A cobertura da igreja matriz de Miranda do Corvo sofreu também danos.
“Também a infraestrutura da E-redes foi severamente afetada no concelho de Miranda do Corvo, havendo ainda várias habitações sem energia”, concluiu.
Centenas de árvores foram arrancadas e partidas nos Baldios da Freguesia de Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo, durante a passagem da depressão Kristin, disse hoje à agência Lusa o seu presidente, José João Jesus.
“Isto está aqui uma lástima. Nos cerca de 600 hectares dos baldios, temos centenas e centenas de árvores arrancadas e todas partidas. Partiram muitas árvores a um/dois metros de altura”, lamentou.
Ainda sem conseguir contabilizar os prejuízos, o responsável pelos Baldios da Freguesia de Vila Nova, no distrito de Coimbra, disse que “a prioridade é retirar a madeira que está a obstruir as estradas, sobretudo as principais, e tentar vender a que está caída”.
Uma parte dos 600 hectares dos baldios integra o Sítio de Interesse Comunitário Serra da Lousã – Rede Natura 2000, muito procurado pelas suas paisagens, trilhos e percursos pedestres.
“Os acessos estão a ficar disponíveis para a visitação”, avançou José João Jesus, estimando que a normalidade esteja reposta “num mês ou dois”. Além das árvores caídas e partidas, a depressão Kristin provocou danos nos telhados do Observatório Astronómico, da Casa do Guia e do parque das Mestrinhas, acrescentou.
Câmara de Montemor-o-Velho pede suspensão temporária das portagens na A14
A Câmara Montemor-o-Velho pediu a suspensão temporária do pagamento de portagens na Autoestrada 14 (A14), enquanto se mantiverem os condicionamentos em várias estradas do concelho, na sequência da depressão Kristin.
Perante “os diversos condicionamentos na circulação rodoviária nesta região”, o Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Jorge Veríssimo, solicitou ao secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, “a suspensão temporária do pagamento de portagens na A14, enquanto se mantiverem estas limitações”.
Numa atualização dos condicionamentos à circulação rodoviária neste concelho, do distrito de Coimbra, a autarquia informou que entrada na A14 de Montemor-o-Velho (nó de Santa Eulália), no sentido Coimbra – Figueira da Foz, se encontra cortada devido a alagamento no túnel de acesso.
Em alternativa, “quem pretenda entrar na A14 em direção à Figueira da Foz, deverá utilizar o acesso junto à rotunda Alves Barbosa, em Montemor-o-Velho”, pode ler-se no comunicado.
No sentido Figueira da Foz – Coimbra a saída para Montemor-o-Velho/Maiorca mantém-se aberta.
No sentido Coimbra – Figueira da Foz, a saída 4 (Montemor-o-Velho/Maiorca) continua encerrada, por motivos de segurança, informou ainda a Câmara.
A Brisa disse hoje estar “inteiramente disponível” para aplicar uma possível isenção de portagens nas zonas afetadas pelo mau tempo, caso seja decidida pelo Governo, de acordo com um comunicado.
“Qualquer decisão que, no âmbito do Estado de Calamidade, vise a isenção de portagens é uma decisão política que ultrapassa a Brisa”, referiu, indicando estar “inteiramente disponível para a aplicar se o Estado assim decidir”.
A Brisa lembrou que “os veículos de emergência estão isentos de pagamento de portagens em qualquer circunstância e em todo o território”.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, revelou hoje que o Governo está a avaliar a isenção de portagens nas zonas afetadas pela passagem da depressão Kristin e prometeu uma solução nas próximas horas.
“Estamos a avaliar e, nas próximas horas, traremos uma solução, com certeza”, destacou, à saída de uma reunião em que participou hoje à tarde, em Leiria, juntamente com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida.
Ponte de Penacova reabre após descida do caudal do rio Mondego
A Câmara de Penacova, no distrito de Coimbra, informou hoje que a circulação na ponte de Louredo foi reposta após a descida do caudal do rio Mondego.
A ponte de Louredo, que liga a Estrada Regional (ER) 110 à Estrada Nacional (EN) 2 tinha sido encerrada ao trânsito no domingo, devido ao previsível aumento do caudal do rio.
A decisão tinha sido tomada em articulação com o município de Vila Nova de Poiares, a GNR e restantes autoridades.
Penela ainda é um concelho “virado de pernas para o ar”
O presidente da Câmara de Penela disse hoje que o concelho ainda está “virado de pernas para o ar”, que há preocupações com falhas de energia, comunicações e casas danificadas, e anunciou a reabertura das escolas para o segundo semestre.
Eduardo Nogueira dos Santos descreveu um concelho ainda “virado de pernas para o ar” e disse que, ao sexto dia após a depressão Kristin, “há uma série de pessoas que ainda não tem energia elétrica nas suas habitações”.
“E isso é das questões que nos preocupa mais”, salientou à agência Lusa, apontando ainda preocupações com a falta de comunicações e contabilizando “muitas centenas” de casas danificadas a diferentes níveis.
Questionado sobre se já tem uma ideia do valor dos prejuízos, o autarca respondeu que “é demasiado significativo” para já se ter uma noção.
“Entre edifícios públicos, privados e empresas, muitos milhões de euros”, referiu, frisando que, nesta primeira fase, a “preocupação é com as pessoas e o seu bem-estar”, e limpar as vias de comunicação.
O autarca do distrito de Coimbra anunciou que foi criado o contacto de e-mail – danos@cm-penela.pt – para o reporte de danos e ocorrências.
“O volume de contactos pode ser muito grande e assim criámos uma caixa de correio própria”, explicou.
Eduardo Nogueira dos Santos disse ainda que vai pedir instruções à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para saber como vai ser feito o levantamento dos estragos pedido pelo Governo às CCDR e quais os apoios disponibilizados.
Para mitigar as dificuldades, a Câmara disponibilizou um hostel municipal para acolher moradores afetados por danos em casas e, segundo o presidente, muitos aproveitaram o fim de semana para fazerem reparações nas suas habitações e mitigar os problemas.
“Esta noite tivemos mais um conjunto de constrangimentos. Mais telhados, mais árvores, não foi comparável com o dia 28, mas tivemos mais um conjunto de situações, o que nos obrigou a dar aqui um passo atrás, porque foram, de facto, mais danos e mais problemas”, referiu.
O município disponibilizou as piscinas municipais para quem necessitar de tomar um banho de água quente e tem, espalhadas pelo concelho, equipas multidisciplinares para prestar apoio à população e identificar potenciais problemas.
“Temos um serviço de contacto com as famílias também em funcionamento uma vez que há zonas do concelho onde alguns operadores ainda não têm serviço”, afirmou, referindo que o serviço de fibra ótica e telefone fixo “ficou muito afetado”, o mesmo acontecendo nas comunicações móveis.
No concelho há ainda um espaço para teletrabalho, foram criados espaços para a deposição de resíduos de obras e florestais e, apesar de algumas limitações, as escolas do concelho reabriram hoje para o segundo semestre.
“Em Penela, um dos edifícios [escolares] ainda tem algumas limitações, conseguimos reparar o telhado durante o fim de semana, mas ainda tem algumas limitações a nível da parte elétrica que sofreu danos com a intempérie”, referiu o autarca.
O concelho está abrangido pelo estado de calamidade e tem ativo o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Na semana passada, Eduardo Nogueira dos Santos queixou-se de falta de meios para ajudar a recuperar Penela, adiantando hoje à Lusa que “houve um reforço de meios”, estando no terreno bombeiros, um batalhão do Exército com 20 militares, elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e sapadores florestais que estão a ajudar nas limpezas.
O autarca realçou ainda o espírito de solidariedade e de entreajuda que se tem sentido no concelho.
Soure começa a repor energia, mas “há muito” a fazer e faltam telhas
O presidente da Câmara de Soure disse que chegaram hoje as primeiras equipas para repor a energia em baixa, mas há muito a fazer num município em que faltam telhas e lonas.
“A grande novidade hoje é a chegada das primeiras equipas, quatro, da E-Redes para trabalhar estritamente na baixa, ou seja, a que leva a eletricidade a casa das pessoas, depois de andarem a resolver a alta e média tensão”, adiantou Rui Fernandes.
O presidente da Câmara de Soure, no distrito de Coimbra, falava à agência Lusa no final de uma reunião com a E-Redes, em que reconhecia “o grande esforço” da empresa para “chegar quanto antes e também é preciso entender isso”.
“O concelho está, praticamente, a ser alimentado por geradores, e é preciso entender que, basta haver danos em alguns pequenos fios, para que as pessoas que até começaram a ter energia, de repente deixem de a ter. É necessária alguma paciência e compreensão. Estamos a trabalhar para repor tudo o quanto antes, mas o nível de destruição é tão grande que não é fácil estar em todo o lado”, apelou.
“As telecomunicações, que são as mais urgentes, já estão com mais estabilidade, porque a Câmara está a alimentar 10 torres de comunicações através de geradores”, mas “ainda vai faltar muito para haver comunicações em casa das pessoas, tendo em conta os danos nos cabos”, sublinhou.
“Ainda não é possível contabilizar os danos, porque são muitos, e só hoje é que as equipas estão a começar de fazer o levantamento, mas todo o concelho foi afetado” pela tempestade Kristin, referiu Rui Fernandes.
Das infraestruturas públicas, “só as piscinas municipais da vila de Soure é que não tiveram danos, tudo o resto, com mais ou menos gravidade, foi danificado”.
“Cerca de 60 pessoas foram realojadas, a maior parte em casa de famílias e amigos”. A Câmara realojou 10 e não tem “capacidade para mais”, notou. “As empresas e o setor primário” foram fortemente afetadas. “muito mesmo”, realçou.
As escolas foram reabertas hoje “e foi aí que deu para perceber os danos, portanto, há aulas, mas com alguns condicionamentos, mas já foi possível o regresso à escola” em todo o concelho.
Rui Fernandes realçou ainda que “há casos de pessoas ainda sem água, porque o abastecimento não depende só do Município de Soure e outros concelhos também foram afetados”. De todo o modo, “95% da rede de água já está reposta”.
“Tudo isto, entenda-se, pode ser volátil, porque os níveis de reparação são tão precários, para que fossem feitos de imediato” e “qualquer rajada de vento forte ou chuvas mais intensas podem colocar tudo na estaca zero”, alertou. Começámos por remediar até ser possível reparar e até lá apela-se à paciência e compreensão”.
O autarca sublinhou a “necessidade de telhas e lonas, porque o Município já não tem nada em reserva no estaleiro” e a questão das telhas “é um puzzle difícil, porque há imensos tipos e diferentes telhados, mas havendo lonas vai dando para remediar e evitar danos maiores nas habitações”. A Câmara Municipal de Soure alertou a população para que tenha reservas de água potável, alimentação e medicamentos para três dias, devido ao mau tempo.
Ajudar vizinhos vulneráveis e seguir orientações das autoridades e evitar deslocações desnecessárias, também fazem parte da lista de recomendações. Neste sentido, o município de Soure, no distrito de Coimbra, apelou à população para que não se exponha “desnecessariamente aos perigos associados a cheias”, mantendo-se abrigada “em locais seguros”.
Autor: Maria da Graça Polaco



