Elisabete Matos atua na 1ª edição do Festival Bussaco Summer Sounds
Os jardins do Palace Hotel do Bussaco foram o cenário escolhido para a primeira edição do Festival Bussaco Summer Sounds, […]
Os jardins do Palace Hotel do Bussaco foram o cenário escolhido para a primeira edição do Festival Bussaco Summer Sounds, organizado pela Orquestra Clássica do Centro, dando primazia à música clássica no último fim de semana de julho.
Música no Palácio Sons de Verão foi o tema do espetáculo apresentado por Dora Rodrigues, cantora soprano, em conjunto com o barítono José Corvelo. A primeira noite do festival teve músicas com apontamentos rítmicos de fado e tango, bem como alguns clássicos da música erudita, tais como Bolero, de Maurice Ravel, O mio babbino caro, de Giacomo Puccini, e Los Pajaros Perdidos, de Astor Piazzolla.
Foi de facto um momento magnífico, sobretudo podendo fruí-lo neste espaço
Emília Martins, diretora da associação da Orquestra Clássica do Centro, em entrevista ao Jornal da Mealhada, fez um balanço do primeiro dia do festival, foi um espetáculo memorável, primeiro que tudo pelo espaço que é mágico () pelo jogo de cores, e depois pela música fantástica que podemos ouvir com a Dora Rodrigues, José Corvelo e com o ensemble da Orquestra Clássica do Centro. Portanto, eu acho que foi de facto um momento magnífico, sobretudo podendo fruí-lo neste espaço.
Para a diretora da associação da Orquestra Clássica do Centro, uma das mais-valias deste festival é estar num espaço ao ar livre, onde não temos as limitações de uma sala de espetáculos, e destaca uma das particularidades deste evento é muito interessante, por exemplo, poder assistir aqui mais à frente (do palco) mas depois também podemos passear um pouco pelo jardim e tentar ouvir ou assistir ao espetáculo um pouco mais de longe porque este é um espetáculo dentro de um espetáculo.
Este é um espetáculo dentro de um espetáculo
No dia 28 de julho as espectativas para o segundo dia do festival estavam à flor da pele, sendo que a temperatura ambiente não era a mais convidativa. Porém, Elisabete Matos, tida como a melhor soprano nacional dos últimos anos, com mais de 25 anos de carreira internacional, superou as estimativas e chamou para os jardins do Palace Hotel do Bussaco consideráveis dezenas de pessoas.
A Gala de Ópera de Verdi ao Verismo, conduzida por José Eduardo Gomes, maestro titular da Orquestra Clássica do Centro, coadjuvado por José Rui Martins, na dramaturgia do espetáculo, apresentou ao público 10 temas do vasto repertório de música erudita. O espetáculo, que terminou perto das 23h, arrancou do público grandes salvas de palmas e não raras vezes ouvia-se o elogio Bravo! às interpretações feitas por Elisabete Matos.
Elisabete Matos tem um repertório que se estende desde J. S. Bach até à música contemporânea. Pelo seu trabalho, a soprano recebeu variadíssimos prémios em concursos nacionais e internacionais. Em Portugal, foi distinguida com o Grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade de Guimarães, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, tendo recebido também a Medalha de Mérito Artístico do Ministério da Cultura.
O Festival do Bussaco pretende competir com ofertas internacionais
Terminados os primeiros dois dias do festival, Emília Martins realça a perfeita combinação do espaço e da música, este ambiente magnífico, este verde que já por si é uma sinfonia de cores associado () a este festival, que tem como principal característica ser de música erudita (), merece ser visto para ser fruído também e realça a presença de duas solistas fantásticas, que só por si já nos enchem a alma e fazem do espetáculo um grande espetáculo.
No entendimento da diretora da associação da Orquestra Clássica do Centro estão reunidas as condições para que Portugal, e em concreto a região centro, possa competir com aquilo que já se faz no estrangeiro e que tem tanto renome, a orquestra regional é uma orquestra profissional porque achamos que é fundamental que ela exista, para termos este tipo de respostas como em outro países e outras regiões também têm e acrescenta ainda que no futuro pretende que o Festival do Bussaco tenha tanta importância como tem, por exemplo, o Festival de Salzburgo, fazemos por isso, lutamos por isso, até porque como dizia alguém: Se nós não lutarmos por aquilo que é nosso quem lutará?
O Festival Bussaco Summer Sounds terá 2ª Edição
A Fundação Mata do Bussaco (FMB) luta também pela conquista do título de Património Mundial da UNESCO e para isso este festival mostra-se um excelente contributo, ter artistas desta qualidade e deste nome vai ajudar a conseguirmos esse objetivo, refere Tiago Mamede, responsável pelo gabinete de comunicação da FMB. Para além deste objetivo, Tiago Mamede afirma que este tipo de espetáculos tem o intuito de trazer as pessoas até a um espaço magnífico como este e aproveitar para valorizar este espaço, dando a notoriedade que merece.
Espetáculos como estes enriquecem tanto o espaço como a cultura, num local que está um pouco longe da centralidade da capital e dos centros mais mediáticos, afirma Tiago Mamede. Para a Fundação Mata do Bussaco, a parceria com a Orquestra Clássica do Centro será para manter, criando o hábito nas pessoas de terem a cultura perto de si, de virem assistir a espetáculos na mata e usufruir deste espaço, diz Tiago Mamede.
Festival Bussaco Summer Sounds termina com três ensembles gratuitos
No último dia do festival houve Música nos Jardins. A Orquestra Clássica do Centro apresentou-se em três ensembles (cordas, madeiras e metais), espalhados pelos Jardins do Palace Hotel, pelas Portas de Coimbra e pela Fonte Fria, nós vamos começar aqui no jardim porque partimos de onde estamos () e marcamos encontro em três locais: na pérgula do jardim, no tanque um pouco mais acima, indo depois para as Portas de Coimbra e terminando na Fonte Fria, refere Emília Martins.
Os três espetáculos gratuitos tiveram uma duração entre 20 a 30 minutos, e terminado um espetáculo num ponto seguiam para outro, promovendo o conhecimento da mata, ao levar o público a conhecer o espaço para ouvir os diferentes ensembles divulgados no programa.
Tiago Mamede refere que este ano, devido às obras de requalificação do Convento de Santa Cruz, a Fundação Mata do Bussaco tem alguns constrangimentos em proporcionar eventos como este, uma vez que a sala de espetáculos era a igreja, que agora está em obras e, portanto, está vedada ao público () mas teremos sempre algo a acrescentar e cada vez mais vamos ter e pretendemos ter mais atividades e mais pessoas aqui (na Mata Nacional do Bussaco).
Autor: Jornal da Mealhada
