Quinta-feira, 01 de Março de 2012

Entrevista a Abílio Semedo, presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada

Entrevista a Abílio Semedo, presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada

Região

Entrevista a Abílio Semedo, presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada

Bombeiros da Mealhada perderam 70 por cento de receitas com novo modelo de gestão de transporte de doentes! Dispensa de […]

Bombeiros da Mealhada perderam 70 por cento de receitas com novo modelo de gestão de transporte de doentes!

Dispensa de funcionários está a acontecer e pode aumentar, implicando reavaliação do protocolo com INEM

xa0

No Dia Internacional da Proteção Civil, 1 de março, publicamos a entrevista que nos foi concedida por Abílio Semedo, presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Entrevista que mostra as evidências de um momento em que os corpos de bombeiros de norte a sul do país sofrem graves constrangimentos económicos, resultantes, não só de uma quebra de apoios e (certamente) de dádivas de associados, mas também provocados pelo novo modelo de gestão de transporte de doentes. Abílio Semedo falou de problemas financeiros, das dolorosas medidas que a associação está a tomar para evitar o pior e pede solidariedade aos munícipes. O presidente de uma das mais prestigiadas associações do concelho e do garante da segurança e protecção civil garante não ter intenção de se recandidatar ao cargo.

xa0

Jornal da Mealhada (JM) Qual está a ser o impacto na tesouraria da associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada do novo modelo de gestão de transporte de doentes?

Abílio Semedo (AS) Desastroso! Imagine-se uma quebra de receitas superior a 70 por cento!

JM Pode dizer-se que com este modelo, que abriu a privados o serviço, o utente está a ser beneficiado?

AS Não vejo como. Nem o utente nem o próprio sistema. Já por algumas vezes se encontraram uma ambulância nossa e outra de uma empresa privada que opera em concorrência direta connosco, na mesma casa, uma para fazer o transporte do marido e a outra da esposa. E, espante-se! O serviço era no mesmo dia, à mesma hora e para o mesmo serviço do mesmo hospital.

JM E pode concluir-se que as Associações de Bombeiros Voluntários estão a ser liquidadas com esta medida?

AS Não tenho a menor dúvida disso! A muito curto prazo tenho a certeza de que muito poucas Associações irão aguentar.

JM Pode dizer-se que a Administração Central está a retirar a mais importante fonte de rendimento e de subsistência a uma organização da sociedade civil que garante a protecção civil da população que é, em primeira análise, uma obrigação da própria administração central?

AS É obvio que sim. A fonte de receita que nos está a ser retirada garantia-nos o pagamento de salários e ajudava nas despesas correntes da Associação. Sem ela não vejo solução.

JM Em 2011 a Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada viu-se na contingência de não renovar contrato com um funcionário operacional por questões financeiras. É verdade que já em 2012 se verificou a necessidade de despedir uma funcionária administrativa?

AS É verdade. E há, ainda, a redução do horário de outro funcionário.

JM Que outras medidas internas preconiza que possam vir a ser tomadas se a situação não se alterar?

AS Estamos a equacionar a dispensa de mais funcionários. O que só por si implicará certamente uma reavaliação do protocolo com o INEM. Estamos a fazer uma contenção ainda mais rigorosa em todas as despesas, nomeadamente em combustíveis e serviços. Neste campo rescindimos já o contrato que se mantinha a alguns anos da manutenção do jardim, e que passará a ser feito pelos elementos da E.I.P., conforme disponibilidade. Representa uma poupança de mais de 1.200,00 euros por ano.

JM Como vê a informação de que poderá haver a intenção do Governo de financiar o transporte de doentes crónicos em automóveis ligeiros?

AS Conforme digo anteriormente, que é difícil as Associações aguentarem-se, a concretizar-se esta medida será a machadada final. Na realidade, é difícil perceber o transporte de um doente crónico que certamente estará muito fragilizado, numa viatura sem o que consideramos de condições mínimas, além de que poderá por em risco a saúde de outros utentes. Como é sabido, as nossas viaturas são sempre desinfetadas após cada transporte, para não falar já da formação específica e adequada que cada bombeiro possui.

JM A Administração Regional de Saúde do Centro tem, com a Associação da Mealhada, os pagamentos regularizados?

AS Tendo em atenção os atrasos que já se verificaram (nalguns casos superior a 7 ou 8 meses), podemos dizer que sim. Neste momento ronda os três meses, ou seja está liquidado o mês de Novembro.

JM De que forma podem os munícipes do concelho da Mealhada (sejam sócios ou não) ajudar os Bombeiros a ultrapassar esta situação?

AS Sendo solidários. Colaborando nas nossas ações de angariação de fundos, tais como uma iniciativa que iremos lançar brevemente junto dos estabelecimentos comerciais, e que consistirá na colocação de um recipiente para recolha de donativos, junto das caixas de pagamento dos ditos estabelecimentos. Temos programados três peditórios de estrada para este ano, sendo o primeiro já no próximo dia 11 de março. Estamos ainda a equacionar outros tipos de ações a serem divulgados oportunamente.

JM O novo acordo assinado entre a Câmara da Mealhada, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e os Bombeiros da Mealhada, para a manutenção da Equipa de Intervenção Permanente, é uma boa noticia para a segurança concelhia?

AS É claramente uma mais valia. Só é pena que não possa prolongar-se por um período diário maior.

JM Tenciona candidatar-se às próximas eleições para os órgãos sociais da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada?

AS Não. É uma decisão amadurecida há vários meses.

xa0

Autor: Jornal da Mealhada

Find A Doctor

Give us a call or fill in the form below and we will contact you. We endeavor to answer all inquiries within 24 hours on business days.