Entrevista a Francisco Aleixo
Temos que com pouco dinheiro, fazer muita coisa Francisco Aleixo é presidente da direção do Grupo Desportivo da Mealhada desde […]
Temos que com pouco dinheiro, fazer muita coisa
Francisco Aleixo é presidente da direção do Grupo Desportivo da Mealhada desde julho de 2015 e, ao Jornal da Mealhada, faz um balanço positivo de um ano de trabalho, onde o mais importante foi o espírito de coletividade e a estabilidade financeira do clube, que no próximo mês de dezembro terminará de pagar a última tranche de uma dívida que tinha. O balanço dos resultados desportivos também é bom, continuando a prevalecer o mote Amor à Camisola.
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O que o levou a ser presidente desta coletividade ainda tão novo?
Isso proporcionou-se pela carência de sócios que se quisessem juntar e organizar uma equipa diretiva. Assisti a três assembleias, em que era certo que os elementos da última direção não iam ficar, como ninguém avançava e vi pessoas interessadas em fazer alguma coisa pelo clube, formámos uma equipa.
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Agora que o GDM vai disputar a primeira Divisão Distrital, com mais responsabilidades, cumprirá o mandato até ao fim? E depois?
Vou continuar, obviamente, até julho de 2017, até termino do mandato de dois anos. O que vem a seguir não faço a mínima ideia, pois o importante agora é trabalhar em prol de mais uma época.
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Como encontrou o clube quando tomou posse?
Faço parte do clube há doze anos e sei bem que a principal carência passa pela organização, dinamização e ainda pessoal que queira trabalhar. Nos últimos quatro anos, isso tem vindo a ser ultrapassado, mas não é um trabalho fácil. Um exemplo de sucesso foi a criação do slogan Amor à Camisola, da direção anterior, que deu outra imagem ao clube e ligou a comunidade ao Grupo Desportivo da Mealhada.
O início do meu mandato não foi fácil, talvez pela inexperiência, mas a verdade é que todos os dias aparece um novo problema. Dá trabalho em termos diretivos, mas também na ligação com diversas entidades, nomeadamente, a Associação de Futebol de Aveiro, em que é necessário muito trabalho de gabinete.
Por outro lado, não podemos estagnar para que os miúdos não se vão embora para outros clubes e, por isso, quatro dos nossos treinadores estiveram em formação este ano.
O GDM não vai parar por aqui, a nossa intenção é ter sempre mais e melhores condições de trabalho e mais pessoas capazes e com níveis de graduação indicados para proporcionar o melhor aos nossos atletas.
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E financeiramente, como se encontra o clube?
É do conhecimento público que o GDM tem carência a nível financeiro, mas a verdade é que o mandato começou com uma dívida de dois mil e quinhentos euros, a uma Gráfica, que está a ser paga por tranches e que será totalmente liquidada até dezembro deste ano.
Mas é claro que o clube não é autossustentável e precisa sempre de apoio. Temos que com pouco dinheiro, fazer muita coisa.
Estamos também a organizar-nos para podermos comprar uma carrinha, pois a nossa foi totalmente vandalizada há uns meses, e a que temos só pode transportar os atletas maiores de quinze anos. Neste momento o único meio de transporte que o clube dispõe é um autocarro de vinte e nove lugares, que só pode transportar jovens maiores de quinze anos de idade. Posto isto estamos a organizar uma angariação de fundos para a compra de uma carrinha.
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Já pensou em reforços para a próxima temporada?
Estamos a trabalhar nisso, mas vamos continuar com a mesma mística, isto é, o jogador que vem, estará porque gosta do Mealhada. Sabemos também que é cada vez mais difícil arranjar jogadores nestes moldes, mas uma coisa é certam trabalhamos para reunir as melhores condições possíveis aos nossos atletas.
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E o treinador da equipa principal vai continuar a ser o professor Luís Simões?
Só podia continuar a ser. É um treinador que subiu de divisão e vemos isso com bons olhos, pois o nosso objetivo é sempre a evolução constante.
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A época que findou ficou marcada pelo término da equipa de Juniores. Porque isto aconteceu?
Não foi um término, mas sim um interregno, devido à carência de jogadores, contudo, na época de 2016-2017 já haverá novamente a equipa de Juniores, que disputará a segunda Divisão Distrital de Aveiro.
É preciso também ter em conta que, quando pegámos no clube, tinham descido as equipas de Juniores e Seniores e não tinham subido os Juvenis. Por este motivo, muitos jogadores quiseram ir para outros clubes.
De uma maneira geral correu-lhe bem a temporada que agora terminou?
A temporada correu muito bem. Só o facto de o clube continuar ativo para nós já é positivo. Estamos aqui pelo espírito de coletividade e para garantir a estabilidade financeira. Se juntarmos a isto bons resultados desportivos, tanto melhor.
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Falando de sócios Quantos pagantes tem o clube, nesta altura?
Quatrocentos e cinquenta sócios.
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E os adeptos têm correspondido ao esforço que o GDM teve durante a época que findou?
É sabido que quando os clubes ganham, toda a gente gosta de apoiar. Mas no caso do GDM temos um núcleo duro, que nos apoia muito, tanto em jogos em casa como fora.
Os jogadores da equipa sénior são todos da casa e, os que têm disponibilidade, andam sempre connosco. Também os escalões de formação estão cada vez mais participativos.
Os pais são os melhores adeptos que um clube pode ter e na nossa direção a grande maioria são pais de atletas do clube.
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Quer aproveitar para deixar alguma sugestão aos adeptos e simpatizantes do clube?
Só posso apelar para que venham viver ao máximo o GDM, que é o clube da terra, o clube da sede do concelho. Estaremos sempre disponíveis para quem quiser vestir a camisola.
Tivemos cento e setenta atletas na época finda e sabemos que vamos ultrapassar esta margem na próxima, sendo certo que queremos trabalhar não tanto a quantidade, mas muito mais a qualidade.
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Afonso Simões e Mónica Sofia Lopes
Autor: Jornal da Mealhada
