“Face to Face?” – Dra. Sandra Martins
Vivemos numa sociedade que se foi alterando ao longo dos tempos. Com o crescimento das ciências informáticas e tecnológicas, as […]
Vivemos numa sociedade que se foi alterando ao longo dos tempos. Com o crescimento das ciências informáticas e tecnológicas, as pessoas ficaram mais centradas num mundo mais virtual e fantástico, pois por detrás de um monitor podemos ser quem quisermos, falar mais à vontade da verdade e da fantasia sobre o mundo e sobre nós.
Começámos a perder a capacidade de dialogar, de confrontar cara a cara. Deixámos de treinar as nossas competências sociais, e a pouco e pouco, temos a tendência de colocar de lado, os valores sociais e afetivos que são a base da nossa condição humana.
Será este o cenário que vamos passar às gerações vindouras?
Cada vez mais, as redes sociais, que se caracterizam por mostrar através de mensagens e imagens as nossas vivências, entram pela nossa casa, pela nossa dinâmica social e familiar.
Parece que estamos a perder a capacidade de dizer olhos nos olhos, Gosto de ti! Muitos parabéns! ou Estou desiludido contigo.
As frases feitas que apelam à simplicidade, aos sentimentos e à autenticidade, farão sentido interno para todos os que as partilham virtualmente?
É fácil ler afetos escritos em poucas linhas, mas para evoluirmos emocionalmente, teremos que fazer um caminho mais profundo e por vezes penoso, pois para a construção do verdadeiro ser humano, não podemos só vomitar frases e pensamentos de outros, temos que ter a bravura de selecionar e criar símbolo interno do que realmente somos e para onde queremos ir, pois certas verdades que a priori consideramos evidentes, muitas vezes não o são.
Dra. Sandra Martins, psicóloga no Hospital Misericórdia da Mealhada
Autor: Jornal da Mealhada
