“Fecharam a rua e depois cancelaram o Carnaval.” Sem clientes, empresários falam em grandes prejuízos este domingo
Empresários da restauração queixam-se de falta de clientes por causa do fecho das ruas para o desfile de Carnaval de domingo, que veio a ser cancelado
No domingo, 15 de fevereiro, antes do anúncio do cancelamento do desfile de carnaval, a proprietária do restaurante e pizzaria La Toscana, Laurinda Silva disse ao Jornal da Mealhada que o dia não estava a ser favorável para os estabelecimentos da rua Doutor Costa Simões por causa da restrição de acesso do público, implementada “desde as 10h00 da manhã”.
“Tanto eu como a dona Fernanda, da Pastelaria Aquário, estamos aqui há bastantes anos, antigamente era ponto de referência de passagem, porque não fechavam ali a rua. Agora, depois que fecharam esta rua, aqui na rua do Anão, não temos clientes nenhuns” – queixava-se Laurinda Silva ao JM.
A proprietária explicou os constrangimentos: “fizemos um investimento, viemos para cá trabalhar em respeito ao município e à associação para que não digam que não há de onde comer e afinal não há clientes. Falei a pessoal de fora, encomendei bastantes coisas e vou ficar aqui com tudo, porque afinal não apareceu praticamente ninguém. E na minha situação estão os outros comerciantes, porque não se vê absolutamente ninguém na rua.”
Laurinda Silva apontou na altura que “o tempo não está a ajudar muito, mas de qualquer das formas, estando a rua fechada, é muito pior, não há ninguém.” A proprietária do Restaurante e Pizzaria La Toscana refere ainda que a rua está fechada “talvez desde as 10 horas e tal.”
Em relação ao ponto de venda de bilhetes colocado perto do seu restaurante, Laurinda Silva expressou: “puseram aqui este monumento na entrada da porta há uma semana a tapar o restaurante, quem vier de baixo não vê o restaurante, afinal, não está ali a fazer nada, só está ali mesmo a enfeitar e a bloquear uma entrada, mais nada. É uma tremenda falta de respeito por quem está há tantos anos com uma porta aberta. O ano passado, reclamei à Câmara Municipal, responderam que iam melhorar, fiz uma reclamação à Associação de Carnaval, nem resposta obtive. E afinal, este ano continua na mesma.”
Após o anúncio da ACB sobre o cancelamento do desfile, a proprietária do restaurante voltou a reafirmar o seu descontentamento. “Estou desiludida, e frustrada com a relação da associação perante as pessoas da terra que pagam impostos o ano inteiro. Acho que foi uma desilusão tremenda. Fecharam a rua e depois cancelaram o Carnaval.”
Vítor Pereira, também proprietário do restaurante e pizzaria La Toscana, realçou que “o problema que está no meio disto tudo é que, ao fecharem as ruas, não olham para os nossos estabelecimentos, que estamos o ano inteiro, supostamente à espera destes dias, porque é mais alguma coisa que se vai ganhar, além do trabalho do dia a dia. Ao fecharem a rua, deixou de passar aqui a afluência normal, quando afinal não havia bilheteiras nem na Viela do Anão, nem na Rua Doutor Costa Simões.” Acrescenta que “as pessoas, mesmo que tirassem bilhete, teriam que ir à Quinta da Nora e voltar para a Rua Amarela antiga.”
O proprietário do Restaurante relembra “o tempo antigo” e realça que “Fernando Saldanha faz muita falta. Era muito raro haver cancelamento de Carnaval e o Fernando Saldanha esteve vários anos na Associação do Carnaval e respeitava todas as pessoas que eram comerciantes.” Laurinda Silva também destaca que “já vi tantos carnavais à chuva. Portanto, não justifica terem cancelado.”
Em relação às reclamações que a proprietária do restaurante e pizzaria La Toscana fez sobre a falta de pessoas na rua Doutor Costa Simões, o presidente da Associação do Carnaval da Bairrada (ACB), Márcio Freixo, afirmou que “sei que houve algumas reclamações, mas também cancelámos o desfile, o que também desmobilizou as pessoas. As pessoas também não estavam a aderir em massa, mas há várias alternativas para que possam chegar a essa rua.”
Márcio Freixo aponta que, “contudo, o que fica, o que é mais triste, certo, é esse constrangimento causado aos comerciantes e à restauração dessa rua. Mas também não nos podemos esquecer que acabámos de cancelar o desfile de Carnaval e que as pessoas se desmobilizaram. Infelizmente, não estávamos a ter muita adesão”, explicou, justificando com as más condições atmosféricas.
O presidente da ACB expressou que “em relação a essa zona e à rua em questão, iremos ter essa preocupação para o desfile de terça-feira. Portanto, os comerciantes e os moradores dessa rua estejam descansados: iremos rever a situação e esse plano.”
O desfile de domingo, 15 de fevereiro foi cancelado minutos antes de começar, devido à “previsão de chuva para as 17h00”, viria mais tarde a ACB a justificar em comunicado. Apesar do cancelamento, o rei do Carnaval 2026, o apresentador João Baião, continuou a fazer diretos para o seu canal, dando conta do cancelamento cerca de uma hora depois. O Carnaval da Mealhada esteve em destaque no programa Domingão da SIC, juntamente com outras localidades.
O desfile noturno de segunda feira foi também cancelado, já na tarde do mesmo dia e pelos mesmos motivos. O Jornal da Mealhada não recebeu oficialmente da ACB nenhuma informação acerca deste cancelamento, apesar das tentativas de contacto. Fonte da Câmara Municipal viria a confirmar o desfecho ao nosso jornal.
Em publicação nas redes sociais a que chamaram “Comunicado”, antes do desfile de terça-feira – que se realizou – a Associação do Carnaval da Bairrada escreveu:
A ACB – Associação do Carnaval da Bairrada, vem por este meio comunicar que o Desfile do dia 15 à tarde e o desfile noturno do dia 16 de fevereiro foram cancelados devido às condições climatéricas adversas.O desfile do dia 15 de fevereiro, foi cancelado em cima da hora, tendo em conta que, a essa hora, recebemos a informação de grande probabilidade de aguaceiros por volta das 17 horas, o que se veio a verificar.Para além do prejuízo que provocaria, tivemos também de salvaguardar a saúde e integridade física de todos os foliões.Lamentamos o facto de a comunicação não ter sido a mais adequada.Foi uma decisão difícil de tomar, uma vez que naquele momento, não estava a chover e o desfile estava pronto para se iniciar.O Recinto estava pronto, havias pessoas a entrar, duas das bancadas estavam [praticamente] esgotadas, todas as escolas de samba, sem exceção, estavam prontas para sair.O desfile noturno do dia 16 de fevereiro, foi cancelado, ao início da tarde, após reunião com todas as entidades envolvidas e respetivas escolas, tendo a comunicação ter sido mais eficiente. […]
Autor: Daniela Pinto




