Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

Filipe Henriques* entrevista Filipe Mira

Filipe Henriques* entrevista Filipe Mira

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Filipe Henriques* entrevista Filipe Mira

O Dr. Filipe Mira é Oftalmologista e colaborador no Hospital Misericórdia da Mealhada. Atualmente desempenha também funções no Centro Hospitalar […]

O Dr. Filipe Mira é Oftalmologista e colaborador no Hospital Misericórdia da Mealhada. Atualmente desempenha também funções no Centro Hospitalar Médio Tejo sendo co-responsável pela secção de Retina do Serviço de Oftalmologia.

Nesta edição fala-nos da sua atividade.

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FH: Há quanto tempo trabalha no HMM?

FM: Trabalho há cerca de um ano e meio.

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FH: Qual é a tua opinião sobre o serviço de Oftalmologia do HMM?

FM: Muito positivo, posso aliás dizer que foi uma agradável surpresa, hoje em dia o HMM consegue dar resposta em praticamente em todas as áreas da Oftalmologia. Temos um serviço com meios técnicos de diagnóstico e terapêutica avançados e uma equipa multidisciplinar diferenciada.

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FH: Sendo a Retina tão vasta que áreas destaca atualmente?

FM: Destaco duas áreas fundamentais, hoje em dia, que são a retinopatia diabética diabetes nos olhos e a degenerescência macular relacionada com a idade doença da idade nos olhos. Estas duas doenças ocupam cerca de oitenta por cento dos recursos na área da Retina e tem grande impacto na vida dos doentes. Se por um lado a diabetes nos olhos atinge maioritariamente pessoas adultas em idade de trabalho a doença da idade nos olhos atinge pessoas idosas.

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FH: O que é a retinopatia diabética diabetes nos olhos?

FM: É uma doença muito comum nos nossos dias e manifesta-se através de lesões no olho podendo levar a perda de visão ou mesmo a cegueira. É comum nos doentes diabéticos que não controlam bem o seu açúcar no sangue (glicémia).

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FH: E é possível prevenir esta doença?

FM: Claro que sim, é importante que os doentes tenham essa noção, o controlo do açúcar no sangue é fundamental mas o controlo da pressão arterial e dos níveis de colesterol também é.

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FH: Quando é que estes doentes devem ser observados pelo Oftalmologista?

FM: A observação deve ser feita logo após o diagnóstico no caso dos adultos e na puberdade no caso das crianças, depois deverão ser observados anualmente mesmo não havendo doença nos olhos. Nas situações em que há doença nos olhos os doentes deverão ser observados mais regularmente.

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FH: Quais as queixas que os doentes com diabetes nos olhos poderão apresentar?

FM: É um mau sinal quando um doente com diabetes tem queixas oculares, a prevenção nesta doença é fundamental, por isso as consultas anuais. Os doentes normalmente queixam-se de diminuição da visão tanto para perto como para longe, visão distorcida, pontos negros, flashes de luzes ou mesmo perda súbita de visão. Qualquer um destes sintomas deverá levar o doente a procurar o seu Oftalmologista.

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FH: Como é feito esse diagnóstico?

FM: Esse diagnóstico é efetuado numa consulta de Oftalmologia. Se já houver doença nos olhos poderá haver necessidade de realizar alguns exames adicionais para determinar as complicações da diabetes no olho.

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FH: Como é tratada a diabetes nos olhos?

FM: Com o evoluir da Medicina hoje possuímos várias opções de tratamento e cada vez com melhores resultados para os doentes. Assim sendo, hoje utilizamos muito as injeções nos olhos, mas também temos o laser e em algumas situações mais complicadas a cirurgia. O problema hoje em dia é que os tratamentos com injeções no olho implicam visitas mensais e várias injeções, estas melhoram a visão, mas também tem efeitos secundários. O laser por outro lado é um tratamento utilizado menos frequentemente, este destrói os vasos que estão a crescer, mas também a retina sã, já a cirurgia está reservada para as situações muito complicadas e normalmente com mau prognóstico.

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FH: Achas importante a colaboração com as outras especialidades?

FM: Fundamental, aliás defendo consultas multidisciplinares com endocrinologista/medicina interna e enfermeiro para uma melhor abordagem do controlo do açúcar, pressão arterial, colesterol, excesso de peso. Para mim o médico de família é fulcral no controlo do doente e quando necessário na referenciação dos doentes diabéticos para as consultas de especialidade.

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FH: Hoje em dia há quem considere a diabetes como a epidemia do século XXI?

FM: Sim, noto uma evolução galopante em termos de doentes diabéticos tratados ao longo dos últimos anos, cada vez mais doentes e mais novos, é um problema crescente e todos devemos estar alerta, tanto comunidade médica como os próprios meios de comunicação social. Prevenir é a palavra de ordem, adotar estilos de vida saudáveis através de uma alimentação mais correta e da promoção do exercício físico.

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FH: Qual seria a recomendação fundamental que deixaria aos doentes diabéticos?

FM: Controlem bem o açúcar, a pressão arterial e o colesterol e façam rastreios anuais no Oftalmologista, só assim se poderá prevenir a diabetes nos olhos e realizar um tratamento atempado quando esta aparecer.

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*Médico oftalmologista – Coordenador da Oftalmologia no Hospital da Misericórdia da Mealhada (Na imagem está inserido dentro do logótipo do JM)

Autor: Jornal da Mealhada

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