Sábado, 03 de Janeiro de 2026

GEDEPA: 44 anos a preservar a memória da Pampilhosa numa revista

GEDEPA: 44 anos a preservar a memória da Pampilhosa numa revista

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GEDEPA: 44 anos a preservar a memória da Pampilhosa numa revista

Apesar do tema central, a revista mantém uma diversidade de outros conteúdos.

A revista “Pampilhosa, uma terra e um povo”, lançou a nova edição 44, na Casa Rural Quinhentista, no dia 27 de dezembro, às 15h30. O tema principal da nova publicação, editada pelo Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente da Região de Pampilhosa (GEDEPA) é a história dos 40 anos da elevação da Pampilhosa a vila.

O membro da edição da revista e Secretário da Direção do GEDEPA, Daniel Vieira, explica que participou em todas as fases do processo editorial. “Desde o início da revista, portanto, desde a paginação, a recolha dos artigos, edição e, portanto, até ao final”, descreve.  Daniel Vieira realça, desta forma, o compromisso da Direção do GEDEPA, em garantir a continuidade da publicação, cuja edição anual se mantém sem interrupções há 44 anos.

O Secretário da Direção do GEDEPA sublinha que a revista surgiu no início da década de 1980, referindo que a primeira edição terá sido publicada em 1981, e desde então tem sido um projeto coletivo sustentado pelo envolvimento dos membros da direção e autores convidados.

O título é o tema geral da revista desde a sua criação, contudo, cada edição anual apresenta um tema central específico. Nesta edição, foi a comemoração dos 40 anos da elevação da Pampilhosa a vila. De acordo com Daniel Vieira, “sendo uma data redonda, quisemos incluir esse assunto.” Apesar do tema central, a revista mantém uma diversidade de outros conteúdos. Ao longo dos anos, os artigos têm abordado “usos e costumes”, mas também outras áreas, como artigos científicos, através da colaboração de investigadores e autores externos.

A apresentação pública da edição contou com a presença de alguns autores, que falaram sobre os seus artigos. Segundo Daniel Vieira, o evento “permitiu refletir sobre o que ganhámos, o que perdemos e o que poderemos voltar a fazer” no âmbito dos 40 anos da vila.” O evento contou também com a presença de representantes da Junta de Freguesia. Foram debatidas questões relacionadas com a preservação do património e do ambiente, áreas que o GEDEPA considera fundamentais para o futuro da região.

O secretário da Direção do GEDEPA destaca o carácter único da revista no contexto nacional. “Em Portugal uma publicação com 44 números, editados de forma ininterrupta, o que faz da revista, um repositório muito importante para a salvaguarda do património e ambiente da região”, afirma.

Daniel Vieira também aponta que a revista tem sido utilizada como fonte bibliográfica em trabalhos académicos, incluindo teses de doutoramento, o que reforça a sua credibilidade científica e valor enquanto instrumento de investigação. Para a equipa editorial, este reconhecimento externo representa um motivo de orgulho e validação do trabalho desenvolvido ao longo do tempo.

A presidente da Assembleia Geral do GEDEPA, Ana Cristina Pires, explica no durante o processo da realização da nova edição “fez-se uma espécie de sumário dos artigos, das pessoas que tinham escrito artigos para a revista”. A presidente da Assembleia Geral reforça que “alguns dos autores estiveram presentes no evento, enquanto outros não puderam comparecer, mas todos os textos foram devidamente contextualizados junto do público.”

No que diz respeito ao tema principal da edição, Ana Cristina Pires, explica que a escolha teve como critérios não só a relevância histórica da data, mas também o facto da Pampilhosa integrar “o primeiro grande conjunto de aldeias que foram promovidas a vilas pela Assembleia da República.” A revista inclui três artigos relacionados com este tema, abordando diferentes perspetivas. A presidente da Assembleia Geral do GEDEPA refere “o processo político e administrativo da elevação, a forma como a imprensa local noticiou o acontecimento e uma análise comparativa entre a Pampilhosa de há 40 anos e a realidade atual.”

A publicação integra ainda artigos de cariz histórico e científico, como o estudo sobre os efeitos da gripe pneumónica de 1918, no concelho. A revista é “um repositório espantoso de investigações feitas sobre a história da Pampilhosa e do concelho”, afirma Ana Cristina Pires. Em relação às diferenças da Pampilhosa de 1985 e da atual, Ana Cristina Pires expõe que “há 40 anos, a vila possuía “uma base industrial muito significativa, com fábricas e agências bancárias em funcionamento. Contudo, nas décadas seguintes, assistiu-se ao encerramento dessas indústrias, deixando marcas visíveis no território.”

Apesar das mudanças significativas, a presidente da Assembleia Geral do GEDEPA sublinha a importância do movimento associativo local, que continua ativo e confere à Pampilhosa “características únicas no concelho, sobretudo através das associações culturais, filantrópicas e desportivas.”

A presidente da Direção do GEDEPA, Teresa Coelho, realça que “o número 44 significa muito para o grupo etnográfico. Para a presidente, a publicação tem sido, ao longo do tempo, um verdadeiro registo da memória coletiva da freguesia e do concelho. “Em cada revista vamos contando um bocadinho da nossa história e da nossa vivência pelas terras da Pampilhosa e arredores”, explica.

De acordo com Teresa Coelho, a revista também transmite conhecimento às gerações futuras. “Tentamos retratar tudo como uma passagem de testemunho, toda a informação que conseguimos vai ficando consolidada nos vários números, para que as gerações vindouras possam consultar”, refere. Relativamente à apresentação da revista, as expectativas da organização foram cumpridas. “As nossas expectativas são sempre positivas e passam por receber os elementos do grupo, os sócios e as entidades locais, como a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal”, afirmou.

A presidente da Direção do GEDEPA destacou ainda as transformações demográficas da Pampilhosa ao longo das últimas décadas. “A Pampilhosa tornou-se uma zona limítrofe de Coimbra, onde a população cresceu, não tanto de forma natural, mas com a fixação de pessoas de concelhos vizinhos que aqui trabalham e residem”, explica.

ApresentaçãoPampilhosa

Autor: Jornal da Mealhada

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