Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026 às 20:02

Governo quer relatório urgente sobre as cheias no rio Mondego

Governo quer relatório urgente sobre as cheias no rio Mondego

Região

Governo quer relatório urgente sobre as cheias no rio Mondego

Ministra recorda que o rio Mondego tem uma infraestrutura física de diques que foi desenhada nos anos 70 e que agora é preciso adaptar

O Governo pediu um relatório técnico com caráter de urgência sobre o impacto das cheias no rio Mondego e avaliação dos modelos de gestão de risco, para adaptar o sistema de infraestruturas da bacia do rio.

O anúncio foi feito hoje pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, após uma reunião na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para um balanço da gestão das recentes cheias no continente português.

Em declarações aos jornalistas, a ministra recordou que o rio Mondego, um dos mais afetados pelas recentes cheias, tem uma infraestrutura física de diques que foi desenhada nos anos 70 e que agora é preciso adaptar a novas realidades.

“Neste momento temos de nos adaptar às alterações climáticas, temos fenómenos climáticos muito diferentes dos anos 70, e pedimos à APA que se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infraestruturas físicas do Mondego e ver se ele está adaptado às condições de hoje”, explicou Maria da Graça Carvalho.

No despacho, acrescentou, pede-se também que se verifique se está adaptado às condições de hoje o modelo de vigilância e de prevenção de cheias no Mondego.

E um terceiro ponto prende-se com “o modelo de governança” da bacia do Mondego, porque, justificou a ministra, em tempos de crise deve adotar-se um modelo de cogestão, que junte os presidentes das câmaras, os agricultores e os industriais para tornar “mais institucional” o modelo de gestão que foi adotado para os dias de cheias da semana passada.

Nas declarações aos jornalistas a ministra agradeceu, na gestão das cheias, a “boa articulação” com as câmaras municipais, a Proteção Civil e os “atores no local”, que foi essencial para evitar “uma tragédia maior”.

E recordou dois momentos que considerou marcantes: uma reunião com os autarcas da região de Coimbra, quando se estava perto do limite do caudal do Mondego e houve a “decisão importantíssima” de retirar as pessoas da área de risco, e outra na Proteção Civil de Coimbra com todas as entidades e se decidiu cortar a A1.

“E foi este estarmos todos juntos (…) que fez com essa decisão fosse uma decisão que salvou muitas vidas”, disse a ministra, considerando “crucial” a relação entre todo os “atores” e que deve assumir uma forma “mais institucional”.

Maria da Graça Carvalho disse que o Ministério já está a trabalhar no pós-crise e recordou que a APA vai abrir um concurso para a barragem de Girabolhos, que se existisse “poderia ter ajudado a controlar as cheias no Mondego. Seriam, afirmou, “difíceis de evitar”, mas a barragem “era mais uma ferramenta”.

O presidente da APA, Pimenta Machado, disse que, com o fim do “comboio de tempestades” há “um alívio muito claro em todas as bacias hidrográficas” e os rios “começaram a regressar ao seu leito”.

Em Almourol, Tejo, é grave se a passagem da água chega aos 10 mil metros cúbicos por segundo e hoje está nos dois mil. E no Mondego, a sul de Coimbra, que nunca pode ultrapassar os dois mil metros cúbicos, estão agora a passar 600, exemplificou, afirmando que o mesmo se passa nas restantes bacias, um “sinal muito claro do alívio”.

Pimenta Machado destacou a “situação ímpar” que o país viveu, de cheias de que “não há memória”, e recordou que em 2024 as barragens do Algarve estavam com água para seis meses e hoje estão “completamente cheias”.

Na gestão das cheias enfatizou que a APA usou sempre o princípio de provocar cheias controladas para evitar cheias descontroladas, o que foi feito em todas as albufeiras. “Lançámos cerca de 750 hectómetros cúbicos para nos preparar para as cheias”, o equivalente à agua que os portugueses consomem num ano inteiro.

Pimenta Machado exemplificou com a intervenção na barragem da Aguieira, que evitou que Coimbra ficasse inundada, e frisou depois que a prevenção e o ordenamento do território são fundamentais na prevenção das cheias, afirmando que há mais de 100 mil pessoas a viver em áreas de risco.

Questionada pelos jornalistas a ministra disse que em zonas de risco, no litoral ou em leito de cheia, não pode haver reconstrução.

E sobre os problemas no litoral decorrente do mau tempo a ministra falou de “imensos casos” que terão de ser acudidos, acrescentando que já se está a proibir o acesso a determinadas zonas de arribas, nomeadamente no Algarve.

São precisas, disse, intervenções no litoral, de Caminha a Vila Real de Santo António. Há financiamento do programa Sustentável 2030 “mas é natural que necessite de ser reforçado tendo em conta a quantidade de casos que é preciso acudir”.

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Autor: Lusa

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