Helena Teodósio procura respostas para os problemas no setor da saúde
A presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, convocou uma reunião, no passado dia 26 de setembro, para debater […]
A presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, convocou uma reunião, no passado dia 26 de setembro, para debater os sinais de degradação dos serviços de saúde do concelho, por falta de resposta da tutela no que se refere às insuficiências que se têm registado a vários níveis.
Em busca de encontrar soluções para os problemas identificados, marcaram presença nesta reunião representantes das entidades do setor e os titulares de órgãos políticos locais, designadamente o Executivo Camarário, presidentes de Junta e membros da Assembleia Municipal eleitos pelo PSD, PS e CDU. Especificamente em representação do setor da saúde, estiveram presentes o presidente do Conselho Diretivo do Hospital Arcebispo João Crisóstomo, António Sequeira, o administrador da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede, António Alexandre, a coordenadora da Unidade de Cuidados Continuados Vivenda São Francisco, Lorena Oliveira, o secretário da Direção da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Miguel Lopes Silva, e o presidente do Conselho Jurisdicional desta entidade, Valter José Mendes de Amorim.
Na presença de todos, Helena Teodósio, começa por se mostrar preocupada com a situação atual da saúde no concelho e, nomeadamente, com a ausência de respostas por parte da tutela, no que toca aos pedidos e reivindicações da Câmara Municipal, são problemas que suscitam as maiores inquietações, sobretudo agora que se aproxima o início da transferência de competências da Administração Central para os municípios, processo que, independentemente da vontade destes, o Governo se propõe implementar em 2021, afirmou.
Helena Teodósio recordou que a Câmara Municipal de Cantanhede deliberou recusar a transferência de competências em 2019, posição que vai ser votada pela Assembleia Municipal, e em especial a área da saúde, uma vez que há insuficiências que precisam ser resolvidas com a maior urgência, de modo a que seja garantida resposta adequada à população ao nível dos cuidados de saúde em todas as valências, o que nesta altura não acontece, avançou a autarca.
Relativamente ao Hospital Arcebispo João Crisóstomo foi assinalada a preocupação do Conselho Diretivo em estabilizar o quadro de pessoal, sobretudo do corpo médico, de modo a melhorar os serviços e otimizar o bloco operatório. A escassez de valências cirúrgicas, a oferta limitada de consultas de especialidade e a falta de condições de trabalho em algumas áreas são as maiores limitações desta unidade hospitalar, que se debate com dificuldades de contratação de pessoal devido ao seu estatuto no âmbito do Setor Público Administrativo.
Quanto à consulta aberta do Centro de Saúde, constatou-se que ela não responde às necessidades da população, sendo necessário implementar rapidamente um atendimento de urgência com mais médicos e um horário mais alargado com disponibilidade de meios complementares de diagnóstico. Por outro lado, nas unidades de saúde familiar e nas extensões de saúde tem-se vindo a acentuar a falta de médicos para dar resposta às necessidades, o que deixa as populações desprotegidas.
Também analisada foi a situação do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro-Rovisco Pais. Neste centro médico particular, o que tem suscitado mais preocupação é o futuro que a tutela reserva para esta unidade hospitalar, sobretudo quanto ao seu estatuto e quanto ao financiamento das obras programadas para aumentar o número de camas.
No decurso da análise aos serviços de saúde, Helena Teodósio lamentou que a ARS Centro (Administração Regional de Saúde) não esteja a respeitar o que acordou com a Câmara Municipal, relativamente ao funcionamento dos Postos de Atendimento de Cuidados de Enfermagem, uma resposta social criada e financiada pela autarquia ao abrigo de um protocolo que envolve também as juntas das freguesias que não possuem extensões de saúde. Este tipo de atendimento de proximidade com as populações tem-se revelado da maior utilidade, responde às necessidades das pessoas, sobretudo das mais idosas, e por isso estranhamos muito que a ARS-Centro não esteja a cumprir a parte que lhe compete no âmbito do protocolo e lamentamos também que não responda ao nosso pedido para que sejam criados mais três postos onde realmente fazem falta, referiu a autarca.
Autor: Jornal da Mealhada
