Idílio Graça e o seu percurso no teatro e as memórias de uma vida
A ligação de Idílio Graça à Mealhada começou em setembro de 1975, ano em que chegou a Portugal “sem destino”, aos 30 anos.
A ligação de Idílio Graça à Mealhada começou em setembro de 1975, ano em que chegou a Portugal “sem destino”, aos 30 anos. Antes de fixar residência no concelho, ainda passou por Lisboa. O sogro, natural da Mealhada, acabou por influenciar a decisão de conhecer melhor a cidade. “Fiquei apaixonado. Aqui as pessoas conhecem-se todas, era parecido com a terra onde eu tinha crescido”, recorda. Foi ali que construiu vida e carreira: “Trabalhei até à reforma, tal como a minha mulher.”
A vocação para a cultura e para a animação comunitária emergiu alguns anos depois, juntamente com a esposa Maria Fernanda Graça, que segundo ele: “era a parte intelectual e impulsionadora” do grupo de teatro que mais tarde criaram.
Incomodado com o que descreve como uma Mealhada “muito parada”, Idílio viu no Ano Internacional da Criança, celebrado em 1979, uma oportunidade para dinamizar atividades. “Juntámos muitas crianças e fizemos festas. Mais tarde juntaram-se também adultos e assim nasceu o grupo de teatro “Sem Nome”, que durou 10 anos”, relata. O coletivo organizou festas de Natal e de Páscoa e chegou a levar espetáculos de animação à Santa Casa da Misericórdia da Mealhada. Atuou em vários pontos do concelho e contou ainda com um grupo musical, onde participava o conhecido mealhadense “Alfredo Cego”, ao piano.
Com brilho no olhar, Idílio destaca ainda a participação de alguns elementos do grupo no Festival da Figueira da Foz. Paralelamente ao teatro, escreveu poemas, encontrando na escrita uma forma de expressão.
O passado voltou a reunir-se à mesa no dia 8 de novembro, durante um almoço de homenagem a Idílio e à esposa, Fernanda Graça (a título póstumo), realizado no restaurante “O Vítor”. O homenageado admite que não sabia o propósito do encontro: “Fiquei surpreendido quando percebi que era um almoço de homenagem. Foi um reencontro de pessoas do grupo de teatro que já não se viam há muitos anos.”
Apesar das memórias felizes, Idílio deixa uma nota de preocupação: considera que “a Mealhada precisava de um museu, onde se pudessem guardar memórias”, referindo-se a fotografias, panfletos, azulejos comemorativos, livros e outros elementos que preservam a identidade coletiva da comunidade.
A história de Idílio Graça cruza-se com a da Mealhada através de décadas de dedicação cultural e comunitária. Entre memórias, reencontros e homenagens, permanece o desejo de ver a cidade valorizar o seu passado e preservar aquilo que o tempo tende a apagar. Para Idílio, guardar estas recordações não é apenas um gesto de nostalgia, mas um compromisso com a identidade coletiva: um apelo para que a Mealhada continue a reconhecer e a celebrar aqueles que ajudaram a construir a sua história.
Autor: Jornal da Mealhada
