Investimento na reabertura da Mata Nacional custa 400 mil euros
Na manhã de hoje, o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, visitou a Mata Nacional do […]
Na manhã de hoje, o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, visitou a Mata Nacional do Bussaco, acompanhado do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Rui Marqueiro, do presidente da Fundação Mata do Bussaco (FMB), António Gravato e de Rui Pombo, vogal do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), para fazer uma avaliação dos prejuízos deixados pelo furacão Leslie e verificar como estão a decorrer os trabalhos de reabilitação da floresta pública. Na mesma visita foi confirmado por Miguel Freitas que iria ser disponibilizada uma verba de 400 mil euros à Fundação Mata do Bussaco para que pudessem ser feitas as intervenções necessárias à reabilitação da mata, com a maior brevidade possível.
Apesar de as vias de acesso estarem desobstruídas, ainda eram visíveis em cada recanto os sinais da passagem do furacão Leslie, que devastou a Mata Nacional do Bussaco na noite de dia 13 de junho. O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, esteve em reunião com António Gravato, Rui Marqueiro e Rui Pombo, para se inteirar de quais os prejuízos causados pela tempestade pós-tropical e para fazer um balanço dos trabalhos de reabilitação dos espaços, seguindo-se depois uma visita a alguns locais da mata.
Recuperação da Mata pede investimento inicial de 400 mil euros
Aquilo que me foi exposto pela Fundação (Mata do Bussaco) é que este furacão afetou 100% da Mata Nacional do Bussaco e, portanto, há aqui uma tarefa difícil e complexa a fazer e acrescenta o sentido da minha presença aqui tem a ver com a urgência de intervir imediatamente. O valor que foi estimado pela Fundação (Mata do Bussaco) para as intervenções deste ano é de 400 mil euros, valor que será disponibilizado, através do Fundo Florestal Permanente, de imediato para que essas operações possam ser feitas, referiu Miguel Freitas à comunicação social.
Em comunicado à imprensa a FMB esclareceu que a verba dos 400 mil euros resultará de um esforço entre a Secretaria de Estado, o ICNF, a Câmara Municipal da Mealhada e da Fundação Mata do Bussaco, porém, os responsáveis pelas referidas entidades são unânimes quando à insuficiência do valor para a recuperação dos prejuízos, ainda assim, Rui Marqueiro diz que o valor disponibilizado já é um bom princípio.
Trilho das Árvores Notáveis perdeu três árvores
Feitas as contas, António Gravato, presidente da FMB, referiu que no levantamento que fizemos do Trilho das Árvores Notáveis, com cerca de 165 espécies (26 árvores individuais e depois grupos arbóreos), tivemos a oportunidade de verificar quase uma a uma e, felizmente, só temos uma perda total de três árvores.
Genéricamente, Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, sublinhou que o mais importante é que não se perdeu praticamente nenhum valor patrimonial, isto é, o Trilho das Árvores Notáveis, que estávamos a trabalhar, vai ser possível de repor rapidamente, e o Vale dos Fetos, que parecia ter sido aquele que tinha sido mais afetado, particularmente pela queda de árvores de grande porte, também me parece que por baixo da avaliação feita não há grande perda. Há perda, essencialmente, nos Trilhos da Floresta e é aí que vai ser preciso fazer operações cirúrgicas, garantiu Miguel Freitas.
Há perda, essencialmente, nos Trilhos da Floresta e é aí que vai ser preciso fazer operações cirúrgicas, Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural
Perante a necessidade de remover destroços e de reabilitar a Mata Nacional do Bussaco, a Proteção Civil da Câmara Municipal da Mealhada decretou o encerramento da floresta nacional, decisão que se manterá até ao final do ano, a perspetiva é tentarmos entrar em 2019 com a Mata já recuperada, obviamente perdendo algumas espécies, assegurou António Gravato.
Questionado sobre a necessidade de avaliar quais as espécies que haveriam que ser repostas na mata, o presidente da Fundação Mata do Bussaco, refere para já não vejo essa necessidade e acrescenta há muita coisa desarrumada, mas agora aquilo que nós procuramos fazer com a equipa técnica é garantir que as principais espécies, aquelas que têm mais valor, estão em boas condições. Em jeito de esclarecimento, António Gravato disse nós plantámos 90 mil espécies diferentes e, portanto, estamos também a cumprir o PGF (Plano de Gestão Florestal), portanto eu diria que não há necessidade de estarmos aqui a fugir de coisas que também já estavam planeadas.
A perspetiva é tentarmos entrar em 2019 com a Mata já recuperada, António Gravato, presidente da Fundação Mata do Bussaco
Passaram cinco anos desde que o ciclone Gong visitou a mata, a floresta considerada património nacional, desde janeiro deste ano, vê-se a braços com mais um fenómeno da natureza, nós preparámo-nos, inclusivamente, no dia anterior. Destacámos uma equipa de prevenção, uma equipa de Sapadores da Câmara e mais três operacionais da Fundação (Mata do Bussaco), mas o furacão tinha dimensões que não permitiam sequer entrar na mata. Portanto, tivemos que estar à espera durante a noite toda e durante a manhã começámos a fazer trabalhos de desobstrução de vias, referiu António Gravato.
Miguel Freitas sublinhou o empenho e afinco do trabalho desenvolvido pelos Bombeiros, pelos Sapadores Florestais e pelos funcionários da Fundação Mata do Bussaco e aproveitou para anunciar que no próximo dia 27 de outubro irá decorrer uma ação de voluntariado, com o objetivo de ajudar a reabilitar a mata, esta é uma mata que as pessoas acarinham e tenho a certeza absoluta que rapidamente se mobilizaram para ajudar.
Considerando a importância de reabrir a mata ao público com a maior brevidade possível e nas melhores condições, Miguel Freitas refere que a primeira etapa de intervenção na floresta nacional prevê uma limpeza profunda, há árvores que ainda estavam do tornado de há 5 anos e, portanto, desta vez é para limpar tudo, é para pôr a Mata do Bussaco como todos gostaríamos.
A mata, depois da segunda invasão de fenómenos da natureza, prepara-se para uma época de repouso para que possa regressar com a beleza que lhe é característica, sem perder de vista a corrida a Património Mundial da UNESCO, nada nos vai demover do nosso foco, que realmente é a UNESCO, aprendendo a ver na adversidade uma oportunidade, garantiu António Gravato.
Autor: Jornal da Mealhada
