Sábado, 13 de Dezembro de 2025

Investimentos e Críticas marcam reunião da Câmara

Investimentos e Críticas marcam reunião da Câmara

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Investimentos e Críticas marcam reunião da Câmara

“[…]neste momento já temos mais de 500 inscrições de crianças para virem ao fluviário na Mealhada nos próximos dias […]”

A última Reunião Ordinária Pública da Câmara Municipal da Mealhada, realizada no dia 9 de dezembro, começou com a intervenção de Nuno Veiga, vereador do executivo na Câmara Municipal da Mealhada destacando, por um lado, o aumento dos investimentos em curso no concelho e, por outro, críticas à atuação recente do Partido Socialista (PS) nas redes sociais. “A Pampilhosa está a ter o maior ciclo de investimento feito em muitos anos. Nunca teve ou nunca terá tantas obras como aquelas que vão ocorrer, provavelmente, nos próximos dois a três anos. Os principais acessos e estou a referir-me a Pampilhosa–Ponteadores, Canedo–Pampilhosa, Carqueiros–Pampilhosa vão ficar todos requalificados. É um investimento de mais de 700 mil euros. Uma parte já está feita, a outra parte está no terreno”.

Referente a infraestruturas, o vereador Nuno Veiga refere ainda que, “o Centro de Saúde da Pampilhosa é uma obra com investimento de mais de 700 mil euros. Já fizemos o estacionamento junto à estação, já está executado, uma obra de mais de 200 mil euros. Está a acontecer a requalificação não é uma obra nossa, é uma obra do IP, está a acontecer a tão desejada requalificação da estação da Pampilhosa. São mais de 25 milhões de euros que vão ser investidos. E temos também a baixa da Pampilhosa, mais de 1,3 milhões de euros. Portanto, se o PS não consegue ver isto, se o partido só usa as redes sociais para uma parte, acho que está a fazer mal. As eleições foram há dois meses, a população decidiu é soberana, o povo é soberano, como se diz muito”.

O vereador Nuno Veiga, aproveitou para esclarecer o histórico de projetos referidos, “em novembro de 2011 foi apresentado na Pampilhosa o projeto de qualificação da Baixa da Pampilhosa, no executivo do professor Cabral, em 2013, quando esse executivo saiu, o projeto estava pronto para ser lançado, em 2016, foi mandado fazer o novo projeto para a Baixa da Pampilhosa, em agosto de 2020, o PS anunciou um conjunto de obras no valor de 6 milhões de euros para o concelho da Mealhada, que seria lançada no mês seguinte, o projeto foi lançado para concurso público no valor de 3,2 milhões de euros em maio de 2021. O concurso ficou deserto”.

“O concurso foi anulado porque havia dois concorrentes, anulou um e vice-versa. Portanto, acabou por não haver obra”, explicou o Presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco que acrescentou que a intervenção inicial não resolvia problemas estruturais, “era uma obra que não tinha substituição da rede de saneamento, da rede de águas. Foram decisões tomadas, opções políticas que acharam que aquilo não era importante. E nós achamos que é importante”.

Claudemiro Semedo, vereador do Partido Socialista (PS) da Câmara Municipal da Mealhada, destacou ainda um pedido semelhante feito pelo Centro Escolar do Luso, datado de maio de 2025, para criação de estacionamentos reservados junto ao estabelecimento. “Se houver uma emergência, como a chegada de uma ambulância, não há espaço para estacionar. Estes lugares seriam fundamentais”, defendeu.

Uma das principais questões prende-se com a falta de lugares de estacionamento para pessoas com deficiência junto ao Centro de Saúde do Luso. “A Junta de Freguesia do Luso solicitou há muito tempo dois lugares de estacionamento acessível mesmo em frente ao Centro de Saúde. Seria muito mais fácil para quem tem mobilidade reduzida. Até hoje isso continua por resolver”, alertou Claudemiro Semedo.

Outra preocupação apresentada pelo vereador PS refere-se a uma zona que passa atrás dos Campos de Ténis Jorge Humberto. “A água escorre e muitas vezes alaga os campos. A barreira, um dia destes, vem cá parar abaixo”, alertou. Recordou ainda que o vereador do desporto, Ricardo Santos, já esteve no local com elementos do clube e da junta de freguesia para tentar encontrar uma solução.

Em relação a obras, o vereador do PS mostrou forte preocupação com o impacto das obras em curso no Luso, que, segundo referiu, estão significativamente atrasadas face ao edital inicial. “A obra tinha 58 dias de execução e deveria terminar antes do fim de agosto. Iniciou-se dez dias depois do previsto e, apesar de inicialmente estar previsto trânsito alternado, estamos há um mês com uma situação muito complicada para todos”, sublinhou.

O mesmo criticou sobretudo a falta de sinalização adequada: “As pessoas desistem de ir ao Luso. Há quem ande completamente perdido. As placas de desvio são muito pequenas, quase não se vê a indicação para o centro quando se chega à rotunda. Para nós, que somos de lá, é fácil, mas para quem vem de fora é um problema.”

Em resposta, o Presidente António Jorge Franco esclareceu sobre o estado dos trabalhos em curso e reconheceu os constrangimentos existentes, “a dificuldade que temos nas obras é tê-las a andar mais rápido. Essa é uma delas. Perturba todos: quem circula, e nós, que queremos execução e mais celeridade”, garantindo que o município está a acelerar o processo, “estamos a fazer tudo para pressionar o empreiteiro, criar condições par executar o mais depressa possível”. Sobre a sinalização, garantiu que tem havido preocupação constante: “Houve preocupação nossa com a sinalização, foi reforçada. Queremos acabar a obra o mais rápido possível. Estive lá no sábado, fui ver a obra, e também fiquei preocupado.”

Claudemiro Semedo voltou a sublinhar que há situações que continuam por resolver. “Só queria deixar também a nota da obra da rua dos Moinhos: o alcatrão foi arrancado e continua por colocar. E a paragem do autocarro não está colocada; as crianças ficam ali. Sei das dificuldades dos empreiteiros, mas não sei se é possível fazer mais pressão para resolver”.

Programação de Natal

Referente ao tema do Natal, o vereador Nuno Veiga, respondeu ainda às críticas do PS feitas nas redes sociais sobre a programação de Natal, que considera “triste” e demasiado dispendiosa. O mesmo, defendeu a estratégia, lembrando que o modelo atual tem origem em anteriores executivos socialistas, “fui ler as coisas de 2014, 2015 e 2016, e o período de animação que apresentámos este ano era em tudo semelhante ao que sempre foi feito. Não houve alterações, porque é um período mais centrado”, realçando que, “neste momento já temos mais de 500 inscrições de crianças para virem ao fluviário na Mealhada nos próximos dias”. “O nosso compromisso é claro: mais cultura, mais público e mais Mealhada. Trabalhamos com dados, planeamos com antecedência e vamos apresentar resultados concretos”, destacou o vereador Nuno Veiga.

O vereador do PS, Claudemiro Semedo, apresentou posteriormente uma série de questões sobre o programa de Natal, “a opção política de termos uma época de Natal apenas com 13 dias na cidade da Mealhada, quando todos os concelhos à nossa volta já apresentaram projetos com cerca de um mês. O que está previsto e quais os custos associados?”, perguntou. O vereador solicitou ainda esclarecimentos sobre os custos do fluviário, iluminação da Mealhada e da Pampilhosa, apoio financeiro às juntas de freguesia para decoração e animação natalícia e sobre a ausência de programação das freguesias no site da Câmara.

O Presidente António Franco contrapôs explicando a opção por um programa mais curto, “Os mercadinhos muito longos são um desgaste grande. Tomámos a decisão de serem cerca de 13 dias”. Sobre participação das freguesias, garantiu que haverá apontamentos de iluminação em todo o concelho, “vai haver iluminação na cidade da Mealhada e pequenos apontamentos em todas as freguesias”. O presidente sublinhou ainda que todas as juntas foram convidadas a enviar propostas dentro do prazo, para integrar o programa geral. E deixou uma promessa final: “Vai haver surpresas na iluminação. Já deviam estar há dois ou três dias que não conseguiram completar, mas acho que as pessoas vão gostar da iluminação de Natal no nosso concelho”.

Relativamente ao fluviário o autarca explicou que o projeto representa, “uma volta de cerca de 30 mil euros”, defendendo que as iniciativas inovadoras são essenciais para marcar o concelho, “Ainda não temos uma grande tradição nos mercadinhos de Natal, e ela constrói-se havendo estes momentos fora da caixa. Águeda fez isso há uns anos, Coimbra também, e vê-se o crescimento que eles têm”. António Franco refere ainda que o impacto já é visível, “Há cerca de 500 crianças inscritas, muitas de fora do concelho, virão os avós, os pais, como no ano passado com os dinossauros, e certamente aproveitam para vir comer o nosso leitão”.

O vereador Nuno Veiga destacou que o fluviário está alinhado com projetos educativos do concelho, “associamos este evento às 16 Eco escolas, o fluviário está muito virado para essa área, tal como a requalificação do Rio Cértima”.

Explicou ainda que o formato permitirá sessões pedagógicas, “serão cerca de 20 sessões com um monitor que vai explicar fauna e flora do município. Achamos que vai ser diferenciadora”. Relativamente à adesão do mercadinho, o vereador revelou que, “há quatro anos não tínhamos artesãos, este ano tivemos mais de 40 inscrições para pouco mais de 16 barraquinhas”.

Claudemiro Semedo manteve o foco e criticou a falta de apoio ao Luso na questão da iluminação e programação natalícia do Luso, recordando que o problema é antigo, “Enquanto presidente da Junta de freguesia do Luso sempre lutámos, sem sucesso, por apoio camarário à iluminação da Vila, que continua a ser suportada integralmente pelo orçamento da Junta”.

Desporto, Turismo desportivo

Referente ao desporto, Ricardo Santos, vereador do executivo da Câmara Municipal da Mealhada, do pelouro de Desporto, Atividade Física e de Lazer fez um balanço positivo dos vários eventos desportivos realizados. Abordou ainda questões relacionadas à proteção civil do concelho. Começou por destacar o sucesso da Taça Inter-regiões que teve lugar na Mealhada onde participaram as seleções de Aveiro, Coimbra e Vila Real, “a seleção de Coimbra venceu o torneio, passando assim à final da respetiva Taça Inter-regiões”, afirmou o vereador, elogiando a organização e a qualidade da competição.

No âmbito dos eventos desportivos, o vereador também fez referência ao “Café Com”, realizado no Grande Hotel do Luso, que reuniu mais de 200 pessoas para uma noite de partilha de experiências desportivas. “Foi uma noite memorável, com Rui Vitória, João Pereira e André Lima a partilharem as suas experiências pessoais e profissionais. A plateia ficou muito entusiasmada e os testemunhos de todos foram inspiradores”.

Além disso, Ricardo Santos destacou a realização de dois jogos importantes para a Taça de Portugal, que ocorreram no concelho, nomeadamente o confronto entre o Académico do Porto e o Hóquei Clube da Mealhada, e entre o Hóquei Clube da Mealhada e a São-joanense. “O nosso clube da terra, o Hóquei Clube da Mealhada, lutou de forma digna e esteve muito perto de eliminar uma equipa da primeira divisão. Isso é motivo de orgulho para todos nós”, frisou o vereador.

A excelência das infraestruturas desportivas da Mealhada também foi ressaltada, com Ricardo Santos referindo-se ao estágio da União de Leiria no Centro de Estágios do Luso. “Mais uma vez, a União de Leiria aproveitou as ótimas condições do nosso Centro de Estágios. Isso é um reconhecimento importante da qualidade das infraestruturas que temos no concelho”, disse o vereador.

Respondendo às críticas de que o município não estaria a investir o suficiente no Luso, o Presidente da Câmara, António Franco começou por destacar o impacto do torneiro desportivo que decorreu na vila, “Eu estive lá na abertura das luzes e vi três seleções distritais de futebol jovem. Onde é que eles dormem, onde é que eles comem, onde é que eles bebem? É no Luso. Portanto, isso não é investimento?”

O Presidente sublinhou ainda que os equipamentos municipais têm um papel fundamental no turismo local, “temos os centros de estágio do Luso, o pavilhão da Mealhada, da Ventosa, e o pavilhão do Luso completamente cheios. Quanto é que eles pagam de energia, de água, de aluguer do espaço? Este investimento foi feito há muitos anos para alimentar o turismo.” Claudemiro Semedo concordou sobre o desporto e ainda acrescentou que, “Se o Mundial de Sub-17 vier para o concelho, terá de utilizar os pavilhões. Sem eles, não seria possível.”

João Cidra vereador do PS, salientou a relevância de eventos culturais e desportivos: “Relativamente ao desporto, Barcouço tem uma estrutura desportiva bastante boa, que deveria ser integrada nos eventos desportivos do concelho” e destacou o BioFestival: “É um evento que tem tudo para crescer e desenvolver a freguesia”. António Franco comentou a qualidade das infraestruturas: “Não todas as equipas e seleções gostam daquele tipo de piso, mas temos várias estruturas no concelho, efetivamente bastante interessantes”.

Proteção Civil e Fogos Rurais

No entanto, o vereador Ricardo Santos não se limitou a falar de desporto. O mesmo fez um apelo à colaboração na área da proteção civil, após algumas críticas relacionadas a uma votação na Assembleia Municipal sobre a Comissão Municipal de Gestão Integrada de Fogos Rurais. “Não ajuda ninguém criar divisões ou guerras políticas neste âmbito. O mais importante é a colaboração entre as entidades envolvidas na proteção civil”.

O vereador fez questão de destacar a boa colaboração com a Junta de Freguesia do Luso, que, segundo ele, respondeu prontamente aos desafios da Aldeia Segura. “A Junta de Freguesia do Luso tem sido um excelente parceiro e colaborou desde o primeiro momento na implementação das Aldeias Seguras, com a criação de projetos nos locais do Monte Novo e Salgueiral”, recordou.

Na reunião, Claudemiro Semedo abordou também a polémica relacionada com a votação da Comissão Municipal de Gestão Integrada de Fogos Rurais e as publicações do PS sobre o tema. “Na votação, ela foi democrática, isso ninguém contesta.” O vereador relatou conversas tidas após a Assembleia Municipal: “O deputado municipal André Melo disse que, se os presidentes de junta de freguesia se tivessem resolvido, se calhar a votação teria sido outra”.

Sobre as críticas de falta de colaboração com o executivo, o vereador do PS reforçou o papel da Junta do Luso: “Nós no Luso avançámos efetivamente com a Aldeia Segura. Somos as duas únicas Aldeias Seguras que existem no concelho”. António Jorge Franco, sublinhou que vários territórios do concelho apresentam riscos e complexidades semelhantes, “Barcouço tem uma floresta complexa. Vacariça tem uma floresta complexa, e Casal Comba também tem e o Luso é uma floresta. Não é só mais complexo, é algo que temos de estar sempre preocupados por causa da Mata Nacional do Bussaco”.

Cultura, Turismo Local e Comércio

A vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Filomena Pinheiro, começou a sua abordagem por referir a importância de projetos culturais e turísticos do concelho. Sobre a atuação da Câmara no Luso, respondeu às críticas dizendo que “não é verdade que o município não apoia a animação no Luso”, lembrando que “o setor do turismo no Luso desenvolve a maior parte das dinâmicas desta época festiva”.

Quanto à atração de clubes desportivos, esclareceu que “o posicionamento da atração de clubes desportivos não foi uma iniciativa de 2013, aconteceu com a estratégia do Euro 2004”, destacando que houve protocolos com hotéis locais para “combater a sazonalidade e o declínio do termalismo”.

Filomena Pinheiro alertou ainda para a necessidade de concertação entre os agentes económicos da vila: “Não podemos ter grandes seleções e ter os restaurantes quase todos fechados” e reforçou que “o Luso é uma vila termal, não pode ter dias de porta fechada”. Para a vice-presidente, o investimento público só terá impacto se houver vitalidade no comércio e na comunidade: “O Luso não pode ter ruas bonitas sem flores, sem gente e sem comércio”.

Ricardo Santos, vereador do desporto destacou a importância da sinalização e da organização do turismo desportivo: “Reforçámos placas após comunicação de comerciantes, na inauguração das luzes, com três seleções de futebol sub-23, o número de pessoas presentes aumentou” e acrescentou que “por vezes temos grande atividade e depois temos o comércio fechado: restaurantes, cafés, pastelarias. Espero que de uma vez por todas consigam dialogar entre todos”.

Aprovações, questões finais

Sobre os próximos eventos, Ricardo Santos informou que “nos dias 3, 4, 10, 11, 17 e 18 de janeiro, vamos ter o Luso uma vez mais repleto de pessoas”, reforçando o esforço da Câmara Municipal para trazer seleções e movimentar o concelho em épocas baixas.

Relativamente ao episódio desportivo na Pampilhosa sobre os insultos racistas Claudemiro Semedo comentou destacando a solidariedade do clube: “Houve uma atleta que se abraçou a esse atleta e disse: ‘Se tu fores embora, eu também vou contigo.’ Isso é solidariedade com a Pampilhosa”, acrescentando que “o racismo cada vez tem menos importância, não devia existir sequer”. Ricardo Santos reforçou o acompanhamento do caso: “Estamos solidários com o que se está a passar e atentos, e vamos continuar atentos”.

João Cidra vereador do PS, levantou a preocupação com infraestruturas aéreas na requalificação urbana: “A minha preocupação é essencialmente essa, além de que, como é evidente, a requalificação de Barcouço é sempre bem-vinda”. António Franco reconheceu dificuldades técnicas: “Não está perfeito. Ficava melhor, sim, ficava melhor. Mas essa possibilidade não se consegue enquadrar”.

Foi também corrigido o Plano Diretor Municipal para uniformizar zonas não urbanas e permitir equipamentos de turismo e habitação, “devia haver uniformidade no concelho da Mealhada, deve ficar também equipamentos e turismo, para que apareçam associados com a possibilidade de construir habitação, comércio e serviços”, explicou o Presidente.

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Autor: Jornal da Mealhada

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