Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2012

Júlio Penetra, vereador do Desporto da Câmara da Mealhada

Júlio Penetra, vereador do Desporto da Câmara da Mealhada

Região

Júlio Penetra, vereador do Desporto da Câmara da Mealhada

Investimos na atracão de eventos com dimensão nacional, apostamos num acolhimento de qualidade, e, depois, desperdiçamos a oportunidade de comunicar […]

Investimos na atracão de eventos com dimensão nacional, apostamos num acolhimento de qualidade, e, depois, desperdiçamos a oportunidade de comunicar e publicitar suficientemente a presença desses acontecimentos.

É necessário complementar o Centro de Estágios de Luso, com a requalificação do Campo Jorge Manuel, e concretizar o projeto do Campo de Golfe na Pampilhosa.

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O mês de janeiro de 2012 foi, sem sombra de dúvida, o Mês do Desporto no concelho da Mealhada. O acolhimento em Luso do Servette FC equipa da primeira linha suiça e a 6.ª Gala do desporto do Concelho da Mealhada, com a homenagem aos que, durante o último ano, se destacaram ao nível desportivo, foi de relevante e notável importância informativa e social no concelho. Útil e necessário revelava-se, então, a conversa sobre estes e outros assuntos, com o vereador Júlio Penetra, que exerce a tarefa de gerir o pelouro do Desporto na vereação.

Saber junto do pelouro como está a correr aquilo que parece ser a continuidade de uma estratégia de afirmação do concelho como destino e palco desportivo preferencial na região e no país é, portanto, o objectivo desta entrevista.

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Jornal da Mealhada (JM) – Que importância tem, neste momento, o Desporto para a economia do concelho da Mealhada?

Júlio Penetra (JM) – O Desporto atraído pelas nossas instalações desportivas, longe de poder ser considerado um destino turístico, preenche no entanto um espaço já muito interessante na exploração hoteleira.

Embora registados em estadias de curta duração, estes fluxos de desportistas, mostram já uma regularidade e constância que ajudam a atenuar as covas de frequência próprias da sazonalidade tradicional do nosso turismo.

E tem, do nosso ponto de vista, espaço de crescimento. Terá é de haver uma aposta mais consistente e estruturada na sua promoção e venda. E deve ser um esforço integrado que cabe à Câmara mas também às unidades hoteleiras interessadas e melhor vocacionadas.

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JM – Pode dizer-se que o Município da Mealhada tem uma estratégia de desenvolvimento de turismo desportivo e da economia associada?

JP – Sem confundir com turismo desportivo o que se passa no Desporto na Mealhada, este tem uma orientação claramente definida, que passa pelos proveitos diretos na ocupação hoteleira já referidos, mas também, de forma indireta, na projeção da imagem dos nossos destinos turísticos e ainda como instrumento de animação turística e social.

E se soubermos fazer um melhor aproveitamento das nossas condições naturais e ambientais, e da exploração de produtos ligados à natureza e à montanha, por exemplo, outras possibilidades se abrirão.

É necessário, entretanto complementar algumas estruturas desportivas como é o caso do Centro de Estágios do Luso, com a requalificação para breve do Campo Jorge Manuel, que alojará também a actividade do Clube Desportivo, e concretizar o projeto do Campo de Golfe na Pampilhosa.

Em resumo, não estamos certos de que alguma vez o Desporto na Mealhada, em qualquer modalidade ou prática, possa aspirar a destino turístico, mas acreditamos que pode e deve ter um papel complementar e subsidiário com um peso interessante na economia turística no quadro do destino Luso-Buçaco.

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JM – De que forma se associa o desporto aos princípios enunciados pelo executivo na prossecução do desenvolvimento do destino de saúde, bem-estar e lazer?

JP – Na medida em que cumpra a sua parte na diversidade e no equilíbrio desejados quando se projeta a composição de um pacote integrado de oferta turística desta natureza, sim .

Uma oferta desportiva de qualidade que proporcione recreio e lazer, bem dinamizada pelas unidades hoteleiras e empresas de animação e onde cabem ainda muitas atividades ao nosso alcance, como sejam os percursos pedestres e cicláveis, a orientação, o trail e corridas de montanha, para as quais temos estruturas naturais adequadas, é uma componente indispensável na construção de um destino turístico integrado de saúde, beleza e bem-estar.

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JM – Que características sublinha no território do município para a implementação de uma estratégia de desenvolvimento baseada nesses princípios?

JP – Um território com os recursos naturais que possui, desde logo uma água termal de indiscutível qualidade e méritos terapêuticos, passando por uma gastronomia singular e uma qualidade ambiental e beleza natural próprias, que saiba aproveitar a força de marcas como LUSO, BUÇACO, LEITÃO e uma tradição e competência hoteleira reconhecidas, encontra aqui os suportes suficientes à implementação dessa estratégia.

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JM – Que investimentos terão de ser feitos a médio longo prazo para a continuidade dessa estratégia?

Decisivamente a concretização, no todo ou numa parte significativa, dos investimentos que incorporam o projeto LusoInova.

Porém, julgo que todos reconhecemos que este projeto assenta em três investimentos/premissas e no seu sucesso: a modernização do complexo termal, a recuperação da mata do Buçaco e a requalificação urbanística dos espaços públicos.

Enquanto isto não se concretizar, sem a força incentivadora destes motores de desenvolvimento a funcionar e a motivar procura, o progresso será lento correndo até o risco de atrofiamento definitivo ou perda de oportunidade.

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JM – Há algumas semanas, o senhor vereador sugeriu que o impacto potencial dos eventos que se realizam no concelho na imprensa nacional estaria aquém do desejável. Que medidas estão a ser pensadas para colmatar essa deficiência?

JP – O que quisemos dizer é que aproveitamos mal a oportunidade de projeção da imagem do concelho a partir da realização de certos eventos.

Investimos na atracão de eventos com dimensão nacional, como foi o caso recente dos campeonatos nacionais de natação; apostamos num acolhimento de qualidade quer em instalações, quer ao nível dos meios técnicos e humanos; e depois, desperdiçamos a oportunidade de comunicar e publicitar suficientemente a presença desses acontecimentos.

Sabemos que uma boa estratégia de comunicação tem custos, mas também sabemos que tem retorno para a economia local. Vale a pena alocar mais recursos, técnicos e financeiros, à promoção do concelho através deste meio. Poupanças neste particular, em ambientes tão competitivos como é o turismo, são desperdício de oportunidades

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JM – Que importância tem o estágio do Servette FC no concelho da Mealhada?

JP – A presença do Servete é a prova das possibilidades de internacionalização das nossas estruturas desportivas e dos proveitos que daí decorrem para a hotelaria e para a visibilidade da Mealhada na Europa desportiva e, por contágio, também turística.

Este mercado, com origem nas interrupções das ligas dos países do norte da Europa nesta época do ano, tem de ser trabalhado pela Câmara, mas sobretudo pelas unidades hoteleiras que se julguem posicionadas para este tipo de serviços.

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JM – Com seis edições anuais continua a fazer sentido a realização de uma Gala do Desporto do concelho da Mealhada? A que objectivos responde esta iniciativa? Acha que o concelho tem escala que o justifique?

JP – Apetecia-me devolver ou inverter a pergunta: seria possível retirar à actividade desportiva do concelho esta montra anual do melhor que fazem as nossas associações?

A Gala Desportiva ganhou um espaço próprio e é sempre aguardada com grande expetativa no meio desportivo. É objeto de curiosidade, de discussão e até de alguma polémica, e tudo isso são indicadores do interesse que desperta.

A Gala dignifica e consagra os seus galardoados, prestigia quem nela é distinguido. É uma oportunidade para dar visibilidade a acontecimentos e resultados desportivos e uma forma de prestar tributo ao trabalho e dedicação dos nossos desportistas.

A Câmara tem obrigação de promover este momento anual de reconhecimento público dos nossos atletas, técnicos e dirigentes e inscrevê-la como mais uma das suas formas de apoiar o desporto.

A extraordinária produção desportiva, num universo populacional relativamente pequeno como a Mealhada, é realmente surpreendente. Mas isso só reforça a necessidade da existência de uma Gala e legitima a sua continuidade.

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JM – Em dezembro de 2011 manifestou-se preocupado com a redução do valor dos subsídios municipais para as associações desportivas do concelho. Porquê?

JP – O que pretendemos foi chamar a atenção para as dificuldades de financiamento sentidas pelas nossas associações, e os efeitos que daí podem decorrer para a continuidade dos serviços que prestam à comunidade.

Atualmente as associações desportivas garantem prática desportiva regular, em várias modalidades, a mais de meio milhar de jovens e este é um património social que tem de ser protegido e mantido.

A Câmara teve e tem uma grande responsabilidade na construção desta realidade, e também por isso, tem que estar atenta à evolução destas situações.

Preocupam-nos sobretudo aquelas associações que, pelo facto meritório de possuírem instalações próprias, construídas e mantidas com o seu esforço, acabam por ter menos apoios municipais no seu conjunto.

É certo que a Câmara já valoriza a existência de instalações próprias, na atribuição dos subsídios anuais à atividade, mas terá porventura de pôr mais equilíbrio nesta repartição dos apoios financeiros

Mas temos de ter consciência que a Câmara não se pode substituir aos clubes para além do quadro de apoios que definiu e pratica.

A boa saúde financeira da Câmara não pode ser comprometida, mas tem de ser usada como aqueles trunfos que se souberam guardar para serem jogados na hora certa

E essa hora de dificuldades está a chegar para os munícipes da Mealhada e para as suas instituições

Dentro das suas próprias limitações, a Câmara saberá gerir este equilíbrio e estar atenta a estas contingências.

Autor: Jornal da Mealhada

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