Sábado, 27 de Outubro de 2018

Mais de uma centena de pessoas deram 1 Dia pelo Bussaco

Mais de uma centena de pessoas deram 1 Dia pelo Bussaco

Região

Mais de uma centena de pessoas deram 1 Dia pelo Bussaco

Tivemos uma adesão fora do normal. Foi assim que António Gravato, presidente da Fundação Mata do Bussaco (FMB) caracterizou a […]

Tivemos uma adesão fora do normal. Foi assim que António Gravato, presidente da Fundação Mata do Bussaco (FMB) caracterizou a adesão de mais de uma centena de voluntários, que aceitaram o desafio de integrar a ação de limpeza da Mata Nacional do Bussaco, intitulada 1 Dia pelo Bussaco, que decorreu no dia 27 de outubro.

9h. Foi a hora marcada para iniciar o processo de limpeza e desobstrução de vias de acesso da Mata do Bussaco, com a ajuda de cinco grupos, nos quais se integraram os voluntários inscritos. Divididos pelo Parque dos Leões (em direção à Fonte Fria), pela Escadaria da Fonte Fria, pelas Lapas (em direção ao Lago Grande), pela zona das casas de banho da Fonte Fria, pelo Vale dos Fetos (em direção ao Lago Grande) e pelo Lanheiro, muitos foram aqueles que se juntaram à missão de recuperar a Mata Nacional do Bussaco do cenário de devastação deixado pelo furacão Leslie.

Abrimos de imediato outra iniciativa para o dia 10 de novembro, que também já está, julgo eu, saturada ou bem perto disso, António Gravato, presidente da FMB

Ficámos surpreendidos porque começámos a ter grupos de 20 pessoas a inscreverem-se de uma vez, disse António Gravato. Habituados a receber e a organizar ações de voluntariado, a Fundação, entidade gestora da Mata, está habituada a contar com grupos na ordem das 50 pessoas, número que foi, desta vez, largamente ultrapassado, na quarta-feira, quando atingimos os 100 inscritos, resolvemos logo suspender as inscrições e abrimos de imediato outra iniciativa para o dia 10 de novembro, que também já está, julgo eu, saturada ou bem perto disso. Hoje (dia 27 de outubro) estamos a trabalhar com um grupo que ultrapassa até as 100 pessoas, garantiu António Gravato.

Movidos pelo amor à Mata e pela importância que a floresta nacional tem para a vida de grande parte dos participantes nesta ação, muitos deles nem pestanejaram para se inscrever nesta iniciativa. Habitualmente disfruto da Mata, porque gosto de correr e é um privilégio poder correr aqui. Por isso, de certa forma, sinto-me na obrigação de estar aqui hoje para colaborar nesta ação, referiu Renato Sucena, residente no concelho da Mealhada. Mas os motivos para a participação são vários e vão para além daquilo que a razão conhece fazer parte desta ação é uma questão de consciência, referiu Ana Rita Leite, eu cresci com a Mata, sou do Luso, e vê-la assim é como se tivesse uma pessoa da minha família doente.

Eu cresci com a Mata, sou do Luso, e vê-la assim é como se tivesse uma pessoa da minha família doente, Ana Rita Leite, voluntária

Nesta ação de limpeza de Mata Nacional do Bussaco também não faltou Claudemiro Semedo, presidente da Junta de Freguesia do Luso, que antes de arregaçar as mangas ao muito trabalho que havia a fazer esteve à conversa com o Jornal da Mealhada. É imperativo estarmos presentes nesta ação tendo em conta a grande necessidade que a Mata tem, pela forma como foi afetada pela Leslie. Claudemiro Semedo recordou ainda que na semana passada andámos a limpar a zona da entrada, desde a estrada 234 até à Porta do Serpa e acrescenta sempre que for possível e que nos seja pedido, sem obrigação nenhuma, estaremos cá, sempre presentes.

Para o autarca, perante as imagens e o cenário devastador que habitou a Mata durante alguns dias, há o sentimento de que nós somos impotentes e que a mãe natureza é que manda. Por outro lado, atendendo à relevância da Mata para a económica local, o presidente da Junta de Freguesia do Luso recorda, no ano passado, segundo os números da Fundação, 285 mil turistas visitaram a Mata e isso faz com que a economia local, da freguesia e do concelho, esteja ativa. Tendo em conta o impacto turístico da Mata Nacional do Bussaco, Claudemiro Semedo considera que ela é um dos principais pontos turísticos da zona Centro, mostrando-se preocupado com o encerramento, por causa dos efeitos negativos que ele traz para a economia.

Sempre que for possível e que nos seja pedido, sem obrigação nenhuma, estaremos cá, sempre presentes, Claudemiro Semedo, presidente da Junta de Freguesia do Luso

Ainda há muito a fazer para que a Mata recupere a arrumação e beleza que lhe é reconhecida nacionalmente, mas no momento de arregaçar as mangas ninguém se furta a trabalhar, até porque acreditam que para a floresta reabrir ao público tudo deve ser feito, tudo tem que ser feito, afirmou Ana Rita Leite.

António Gravato entende que as pessoas têm uma certa identidade com as preocupações que a fundação tem e acredita que, sendo a Mata um monumento nacional, todos se sentem no dever de fazer para que divulguemos a Mata e a preservemos.

Tudo deve ser feito, tudo tem que ser feito, Ana Rita Leite

Com a passagem do furacão Leslie ninguém ficou indiferente às imagens de destruição que foram divulgadas nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social, nem mesmo o Governo. No passado dia 16 de outubro, Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, marcou presença na mata e avançou que iria ser disponibilizada uma verba de 400 mil euros para a reabilitação da mata à FMB. O sentido da minha presença aqui tem a ver com a urgência de intervir imediatamente. O valor que foi estimado pela Fundação para as intervenções deste ano é de 400 mil euros, valor que será disponibilizado, através do Fundo Florestal Permanente, de imediato para que essas operações possam ser feitas, disse Miguel Freitas.

O apoio para a reabilitação da Mata tem chegado de todos os lados, seja da parte de voluntários, em ações como a de 1 Dia pelo Bussaco, seja do Governo, mas António Gravato sublinha o apoio prestado desde o primeiro minuto por parte da autarquia mealhadense, sentimos essa felicidade, desde logo pelo apoio da Câmara Municipal da Mealhada, que esteve connosco antes ainda do acontecimento, porque nós estivemos no terreno com equipas de prevenção nesse dia (dia 13 de outubro), mas infelizmente não conseguiram fazer nada, nem sequer conseguiam entrar na Mata.

Há duas semanas atrás, que foi quando aconteceu o furacão, estas estradas estavam intransitáveis e hoje estão irreconhecíveis, António Gravato

Desde o dia 14 de outubro, dia de avaliar os estragos causados pelo Leslie, muito já foi feito e António Gravato recorda o empenho de todos para alterar a paisagem de destruição que vagueava pelos recantos da Mata, há duas semanas atrás, que foi quando aconteceu o furacão, estas estradas estavam intransitáveis e hoje estão irreconhecíveis e isto só foi possível com a ajuda do nosso próprio staff, mas também com os meios da Câmara, com a Equipa de Sapadores da Mealhada, a quem agradeço publicamente o trabalho desenvolvido e, também, com a Equipa de Sapadores Florestais de Penacova, que esteve aqui uma semana e que acabou ontem (26 de outubro) um trabalho fantástico.

Apesar dos esforços feitos a Mata permanece encerrada, desde o dia 14 de outubro, uma decisão que António Gravato considera ser muito acertada, esta decisão foi do Senhor Presidente da Câmara Municipal da Mealhada, em conjunto connosco, mas ele liderou claramente esse processo porque é o responsável pela Proteção Civil. Foi uma medida muito acertada, porque senão poderia ser o caos e há situações na Mata que estão em enorme perigosidade. Nós temos, aliás, os acessos vedados, referiu.

Há situações na Mata que estão em enorme perigosidade. Nós temos, aliás, os acessos vedados, António Gravato

São ainda alguns os locais da Mata que se encontram interditos, os quais estão sinalizados com fitas vermelhas e brancas, as quais, de acordo com o presidente da FMB, são sinónimo de que estamos perante locais onde estão árvores enganchadas ou com ramos soltos e de grande dimensão que, com qualquer agitação de vento, podem cair.

O Vale dos Fetos e o Adernal são os locais mais afetados pelo Leslie, conforme garante António Gravato, porém, no caso do Vale dos Fetos tivemos perdas muito reduzidas, duas ou três unidades, e não na totalidade, sendo que existem árvores que ainda podem ser recuperáveis do nosso ponto de vista. Pesem embora as adversidades, o presidente da FMB garante que o circuito de árvores notáveis irá ser inaugurado, tal como planeado, já no próximo mês, o circuito que nós estamos empenhados em inaugurar este mês que vem vai manter-se, porque, felizmente, o trilho tem outras espécies também de porte bonito e com características que podem ser classificadas de património de interesse público.

FMB e autarquia mealhadense trabalham para reabertura no fim do ano

Questionado sobre a data de reabertura da Mata Nacional do Bussaco, António Gravato refere que a Fundação e a Câmara Municipal da Mealhada têm trabalhado arduamente para lançar um procedimento que visa contratar uma equipa especializada, para efetivamente até ao final do ano ter isto como estava ou se calhar melhor.

Fazer de uma adversidade uma oportunidade, é este o lema referido repetidas vezes por António Gravato, que afirma perentoriamente que a corrida pela distinção da Mata como Património Mundial da UNESCO é uma meta da qual não vão desistir.

Autor: Jornal da Mealhada

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