Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

Mobilidade Sustentável foi tema de debate na Semana Europeia da Mobilidade

Mobilidade Sustentável foi tema de debate na Semana Europeia da Mobilidade

Região

Mobilidade Sustentável foi tema de debate na Semana Europeia da Mobilidade

Combina e Move-te foi o desafio lançado pela Comunidade Europeia para assinalar a Semana Europeia da Mobilidade, que decorreu entre […]

Combina e Move-te foi o desafio lançado pela Comunidade Europeia para assinalar a Semana Europeia da Mobilidade, que decorreu entre os dias 16 e 22 de setembro. O município da Mealhada aproveitou o mote para apresentar publicamente o Plano Intermunicipal de Mobilidade e Transportes da Região de Coimbra.

A apresentação decorreu no dia 21 de setembro, no auditório da Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL), pela boca de Jorge Brito, primeiro secretário do secretariado executivo Intermunicipal da Região de Coimbra, que colocou a tónica sobre a necessidade de existir uma rede de transportes sustentável em todos os 19 municípios pertencentes à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC), entre os quais se encontra a Mealhada.

O Plano Intermunicipal de Mobilidade e Transportes sustenta-se em dois pilares, o PAMUS (Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável), no qual se define a implementação de uma estratégia de baixo teor de carbono para o território, e o PIMT (Plano Intermunicipal de Mobilidade e Transportes), onde se define uma estratégia de mobilidade numa perspetiva de sustentabilidade.

O automóvel ultrapassa 55% de escolha em todos os municípios, Jorge Brito, primeiro secretário do secretariado executivo Intermunicipal da Região de Coimbra

Mais do que a questão da acessibilidade, Jorge Brito justificou a importância da utilização de transportes públicos e suaves, os quais se revêm nas deslocações em bicicleta ou a pé, para a manutenção da qualidade de vida e, nomeadamente, a nível do ambiente. Com base no estudo apresentado, Jorge Brito refere que houve um aumento da utilização de veículos automóveis em detrimento dos transportes públicos, o automóvel ultrapassa 55% de escolha em todos os municípios, e concretiza, com base nos dados de 2011, que 72% dos residentes usam automóvel como meio de transporte entre casa e trabalho ou escola.

Jorge Brito defende que é sempre necessário ligar a política de desenvolvimento urbano à política da mobilidade urbana. O representante da CIM RC quer com isto dizer que o paradigma de negócio mudou porque a sociedade mudou, facto que se sustenta na escolha do automóvel como o principal meio de deslocação.

Pese embora o facto de o veículo automóvel ser o transporte de eleição da maioria da população, Jorge Brito chama à atenção para o facto de qualquer lugar com mais de 40 pessoas ter que ter transporte público, pelo menos duas vezes por dia, porém refere que tem que ser rentável em função da procura.

Qualquer lugar com mais de 40 pessoas ter que ter transporte público, pelo menos duas vezes por dia, Jorge Brito

Sabendo do elevado número de habitantes de alguns centros urbanos, entre os quais se encontra a Mealhada, e da dependência de transporte para as unidades de saúde e ensino superior localizadas em Coimbra, a CIM RC propõe, entre muitas outras coisas, um sistema de transporte flexível. Este é um sistema de transporte a pedido da população e que se constitui como um projeto piloto que irá decorrer na zona do pinhal interior, conforme avançou Jorge Brito. O sistema de transporte flexível funcionará através de reserva prévia por parte do potencial utilizador e flexibilidade de pelo menos uma das seguintes dimensões: itinerários, horários, paragens e tipologia do veículo, tal como refere Jorge Brito.

Barcouço sem transporte público desde março

A inacessibilidade ao transporte público é a nova realidade de Barcouço, desde o dia 31 de março deste ano, tal como avançou um munícipe presente nesta sessão de apresentação sobre a mobilidade, Barcouço tinha, desde 1960, seis autocarros por dia para transporte de alunos e trabalhadores, agora a concecionária deixou de fazer essas ligações, importantíssimas para o desenvolvimento da aldeia. O munícipe referiu ainda que a comunidade, manifestamente descontente com a ausência de serviço de transportes, fez um abaixo-assinado, que circulou por vários locais da freguesia, para que a questão seja resolvida. À procura de respostas, o munícipe aproveitou o momento questionar o que é que tinha sido feito até aqui e Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada, esclareceu não me pode pedir o impossível. Se eu quisesse colocar uma rede de transportes no âmbito dos SMTUC, paga pela Mealhada, não podia. Só o podemos fazer por concessão pela Transdev. O autarca recordou ainda que esta não é uma situação nova, havia muitas carreiras entre Anadia e Mealhada e que deixaram de existir. Mudou-se a procura, mudou-se a oferta, referiu.

Jorge Brito, relativamente à ausência de transportes em Barcouço, chamou à atenção para a necessidade de, em primeiro lugar, se adaptar a rede às necessidades locais, uma vez que o que sustenta a atividade é a procura. Nessa linha, a CIM RC reitera a opção do transporte flexível onde o regular não dá resposta.

Reivindicando a mobilidade como um direito das populações, tal como referiu outro dos munícipes presentes nesta sessão, Rui Marqueiro afirmou que do ponto de vista económico o direito da mobilidade é muito caro, porém, a deputada do Bloco de Esquerda, Ana Luzia Cruz, defende que o transporte devia ser muito mais humanizado, mais flexível.

Do ponto de vista económico o direito da mobilidade é muito caro, Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada

Defendendo que a questão da ausência de transportes é eminentemente política, Hugo Silva, líder da coligação Juntos pelo Concelho da Mealhada, começou por lamentar o facto de não termos transporte urbano nem para Coimbra, nem para Aveiro e questiona Rui Marqueiro sobre de que lado ficam os custos no caso dos transportes não sustentados. Rui Marqueiro começa por dizer que a rede será catastrófica do ponto de vista da sustentabilidade, mas assegura ainda não sabemos quanto vai custar. O autarca prossegue dizendo que o transporte público concessionado é uma diretiva da política europeia que exige a salvaguarda dos serviços mínimos municipais, por isso tem que haver um equilíbrio.

Para já, Rui Marqueiro pede um pouco de paciência aos munícipes, assegurando que irá expor a situação em Conselho Municipal, e afiança que futuramente vai haver uma carreira de manhã e de tarde, que passará na sede de freguesia.

Vai haver uma carreira de manhã e de tarde, que passará na sede de freguesia, assegura Rui Marqueiro

Consciente de que a mobilidade é cada vez mais importante para a competitividade dos territórios, disse Jorge Brito, a CIM RC propõe de forma concreta para a Mealhada as seguintes intervenções: rede ciclável urbana na Mealhada e rede de parques de estacionamento; caminhos pedonais; mobilidade sustentável para escolas, que se revê no incentivo à deslocação entre casa e escola, e vice-versa, a pé ou de bicicleta; sistema de bilhética integrada, ou seja, criação de um bilhete e uma tarifação únicas, consubstanciado na criação de títulos de transportes multimodais, semelhantes ao que já acontece no Porto, com o Andante, e em Lisboa, com o Sete Colinas; gestão do estacionamento; Plano de Ação Local que inclua um Plano de Acessos às Zonas Industriais; e a melhoria das condições de acesso ao transporte público.

A mobilidade é cada vez mais importante para a competitividade dos territórios, Jorge Brito

De modo generalizado, mas que acaba por influenciar o concelho da Mealhada, a CIM RC propõe: a criação de uma rede pedonal estruturante para os caminhos de Fátima; a organização de um serviço de Comboios Urbanos de Coimbra CP, que faça o transporte eficaz dentro de um raio de 60 minutos desde a estação de Coimbra-A; a criação de uma ciclovia no ramal Figueira da Foz/Pampilhosa; a conceção de um Plano de Segurança Rodoviária para os municípios da CIM RC; a conceção de sistemas de informação ao público, ou seja, sistemas que informem a população do tempo de espera até à passagem do próximo veículo na paragem (meios físicos), da localização do transporte e dos respetivos horários (aplicação móvel); a expansão da rede de postos de carregamento para carros cujo combustível é a energia elétrica, em todas as sedes de concelho; e ações de formação e workshops. Com a implementação de todas estas propostas, a CIM RC estima poder cumprir a meta a que se propôs até 2023, reduzir em 20% a emissão de CO2, assim como, melhorar as condições de acessibilidade entre concelhos, fazendo jus ao lema da CIM RC A Força que nos Une.

Autor: Jornal da Mealhada

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