Na Pampilhosa, queimou-se «o Judas», em domingo de Páscoa
Se o apóstolo traidor – de remorso ou medo – se enforcou numa figueira em Dia da Paixão de Cristo, […]
Se o apóstolo traidor – de remorso ou medo – se enforcou numa figueira em Dia da Paixão de Cristo, a tradição manda, em Domingo de Páscoa, queimarem-se os «Judas» que nos doze meses que findam foram dignos da “homenagem”. E assim aconteceu no passado domingo, 8 de abril, no recreio da antiga escola da Pampilhosa Alta, ao Largo do Freixo, na Rua da Filarmónica. As sentenças foram publicadas e os bonecos queimados, ao som da Filarmónica Pampilhosense.
Não se sabe quem o faz – e quem o sabe não o diz – mas é tradição que no Domingo de Páscoa, de manhã, apareçam bonecos de palha, vestidos com adereços que possam dar indicação de quem homenageiam, presos a uns ramos de figueira, tal como o discipulo de Cristo que entregou o mestre por trinta dinheiros e é, na iconografia ocidental o paradigma do traidor. Junto a cada boneco, geralmente em verso, está a sentença, com a narrativa das obras do homenageado a justificar o sublinhado.
Quem é “queimado”, geralmente não gosta, mas é um momento esperado na vida da comunidade e é normal, durante o ano, ouvirem-se as promessas de “ainda te queimarem no Judas”, por causa deste ou daquele gesto, desta ou daquela proeza. Quem assiste deleita-se, pelo espetáculo, pelo humor, pelo mistério e pelos enigmas associados, e foram muitos os que se deslocaram à escola para ver a “Queima do Judas”.
Depois do Carnaval, com as pulhas a serem gritadas do meio dos pinhais da Pampilhosa, e de quarenta dias de penitência quaresmal, o dia de Páscoa nasce com muito humor e alegria e, ainda, note-se este aspecto, grande valor cultural e comunitário.
Entretanto o melhor é voltar à normalidade e à discrição… antes que nos queimem no Judas do próximo ano!
JM/Fotos de Mário Rui Cunha, retiradas do grupo do Facebook “Amigos da Pampilhosa”
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Autor: Jornal da Mealhada
