O 25 de Abril, na perspetiva dos (mais) jovens e dos (mais) velhos
Intuições breves O nosso grupo decidiu investigar a possibilidade de algumas diferenças e perspetivas sobre o 25 de Abril entre […]
Intuições breves
O nosso grupo decidiu investigar a possibilidade de algumas diferenças e perspetivas sobre o 25 de Abril entre os mais jovens e os mais velhos. Usámos a mesa da refeição das nossas casas, levando o tema para o espaço de convívio familiar. Para uns, trata-se de um exercício de memória. Para outros, de recordarem uma data da qual beneficiam hoje em dia, mas que muito custou a conquistar. O que aqui fica é o resumo dessa pequena conversa simples, no desejo de que ela aponte caminhos de futuro, para que não regressem experiências de privação de liberdade e para que esta seja uma conquista diária, onde cada um contribui com o melhor.
Qual é o significado do 25 Abril para si?
Os mais novos: O 25 de Abril para nós representa um momento de grande mudança e rutura com o passado, simbolizando a vitória da liberdade sobre a opressão. É um dia para relembrar os acontecimentos históricos e as pessoas que lutaram pela liberdade, reconhecendo a sua importância para Portugal.
Não vivemos esse tempo, mas sinto que sou devedor dele. Nem consigo imaginar o que seria viver sem liberdade. De todos os direitos conquistados, para além do voto, que tem um lado mais formal, sinto que a liberdade de expressão é o valor mais fundamental e aquele que as gerações mais jovens, que navegam no mundo digital apreciam.
Os mais velhos: O 25 de Abril, para nós, é uma data que carrega memórias profundas e emoções intensas. Representa o início da liberdade, o despertar de um país que estava adormecido sob o comando de uma ditadura. Os cravos vermelhos, símbolos da revolução, ainda florescem nas nossas mentes como um sinal da coragem do povo português. Naquele dia, as ruas de Lisboa estavam cheias de esperança e determinação. A notícia não chegou logo, mas, tendo percebido pela rádio que algo se passava, fomos tentando acompanhar. Pouco a pouco, percebemos o que tinha acontecido e estava a continuar a acontecer. Os militares, com cravos nos canos das espingardas, abriram o caminho para a democracia. A censura foi dissolvida e as palavras poderem começar a ser ditas sem medos. Recebemos todos estes sinais com imensa alegria, sem saber muito bem como as coisas iam prosseguir, mas, ao mesmo tempo, com um desejo de participação da mudança que hoje não se vê tanto.
O que mudou depois do 25 de Abril de 1974?
Os mais novos: Desde o 25 de Abril, Portugal passou a ter liberdade de expressão, houve o direito ao voto, igualdade de género e passou a haver uma democracia.
Os mais velhos: O 25 de Abril de 1974 marcou o fim da ditadura Salazarista em Portugal. Após a Revolução dos Cravos existiu a liberdade e a democracia nasceu e começou a crescer rumo à sua consolidação.
Como conclusão deste diálogo, ocorre-nos a ideia da necessidade de agradecer a todos quantos lutaram, alguns deram a vida, para que hoje nós vivêssemos em liberdade. Em segundo lugar, esse acontecimento transporta para nós uma dupla responsabilidade: honrar essa memória com as nossas atitudes, não permitindo o regresso a um tempo de ditadura de nenhuma espécie, e contribuir para o aperfeiçoamento deste sistema político, que precisa do contributo de todos nós.
Neste sentido, devemos ainda ser jovens mobilizados pelas causas do nosso tempo, percebendo em cada instante se vale a pena lutar e porquê. Se cada um de nós viver esse entusiasmo pela construção do bem comum, contagiando aqueles que estão em seu redor e possam estar mais adormecidos, teremos uma sociedade melhor. E isso tem de começar na proximidade, não esperando que seja o poder central a resolver todos os nossos problemas.
Diogo Cadete e Ricardo Pereira, 10º ano, EPVL.
Foto: Visão/Álvaro Isidoro
Autor: Jornal da Mealhada
