O Artista e o Meio (4)
Nick Cave and The Bad Seeds: Push The Sky Away xa0 O subtil mover das águas xa0 Após o segundo […]
Nick Cave and The Bad Seeds: Push The Sky Away
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O subtil mover das águas
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Após o segundo tomo da aventura da meia-idade barbuda e furiosa dos Grinderman e do continuado flirt de Cave com Hollywood (na forma do argumento e banda-sonora de Dos Homens Sem Lei, de John Hillcoat, realizador australiano que já é comparsa de Nick Cave nestas lides), regressa agora com os Bad Seeds e este Push The Sky Away. Primeiro disco privado da presença de Mick Harvey, que até à última década era o director musical dos Bad Seeds, tendo sido ainda colega de Nick Cave nos Boys Next Door/ Birthday Party, a sua ausência é ainda mais conspícua pelo som esparso e rarefeito dos arranjos, com as guitarras a desempenharem um papel muito mais ocasional e secundário do que em toda a discografia anterior da banda. Trata-se aqui claramente de uma opção estética, já assumida por Cave em entrevistas referentes ao lançamento do disco. Segundo o próprio, a falta de guitarras começou por puro acidente, com as gravações a iniciarem sem nenhum músico para assumir os deveres das seis cordas. Com o núcleo da banda, essencialmente os mesmos que nos Grinderman, com a adição de Thomas Wydler, Cave foi passando para a fita as composições nascentes, e ao ouvirem os primeiros resultados, toda a banda concordou que esse som minimalista era a tradução perfeita dos conteúdos das canções. Importa aqui referir que Nick Cave tem por método escrever e compor as canções no seu escritório, numa rigorosa ética de trabalho, e daí os temas servirem a um propósito narrativo conjunto, sublinhado pelas qualidades homogéneas da música.
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João Vasconcelos
Abril 2013
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Autor: Jornal da Mealhada
