Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

O Efeito Borboleta

O Efeito Borboleta

Região

O Efeito Borboleta

Diz-se, por vezes, que algo tão insignificante como o bater das asas duma borboleta na Europa, pode causar um terramoto […]

Diz-se, por vezes, que algo tão insignificante como o bater das asas duma borboleta na Europa, pode causar um terramoto no Pacífico. É o chamado “efeito borboleta” que tem a sua representação, ainda que menos inocente, na economia portuguesa.

Em Portugal quando o PCP espirra, as empresas públicas de transportes afundam-se ainda mais no pântano das dívidas.

Deve ser caso único em democracia, mas em Portugal há um partido político cuja força eleitoral escasseia, mas à custa de ter como braço armado uma central sindical, vê a sua influência crescer mais que o seu real valor; é sabido também que essa central sindical tem um enorme ascendente sobre os sindicatos das principais empresas públicas de transportes nacionais, cujos trabalhadores, também é do domínio público, têm regalias acima da média dos trabalhadores nacionais; no entanto, tais regalias, que nunca parecem suficientes, são, a maior parte das vezes, conquistadas não através da negociação, mas da clara chantagem, através do uso dum método legal – a greve com paralisação dos serviços – mas moralmente discutível. E agora, terão os custos inerentes a essas greves alguma coisa a ver com os 10 mil milhões de buraco financeiro da CP/REFER? Tem tudo.

Estes prejuízos endémicos que, em abono da verdade também advêm de sucessivas péssimas administrações com dedo partidário, dificilmente serão dissipados e diluídos caso os sindicatos afectos ao sector não optem por uma estratégia de colaboração franca com a tutela, ao invés de contribuírem para o mais que expectável “toque de finados” dessas empresas. É que o Estado não pode indefinidamente subsidiar a sobrevivência dessas empresas quando são os seus próprios trabalhadores que as puxam para o pântano. Toda e qualquer estratégia de emagrecimento, racionalização de custos e maior eficiência dum ano é imediatamente colocada por terra por efeito duma única greve. E não esqueçam os sindicalistas destas empresas que são os restantes contribuintes portugueses que pagam os desvarios das greves. E, caso o Governo abra os olhos para uma privatização, não nos parece que os privados vejam com bons olhos e não reajam a estes verdadeiros atentados que o aparelho dum partido, que aparenta defender os trabalhadores, pratica colocando em causa a sobrevivência destas empresas estratégicas.

MIGUEL FERREIRA

in COLUNA VERTICAL

Autor: Jornal da Mealhada

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