Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

O Mundo que não merecemos

O Mundo que não merecemos

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O Mundo que não merecemos

A mudança é um processo contínuo que muitas vezes é analisado como sendo positivo, mas não faltam exemplos de situações […]

A mudança é um processo contínuo que muitas vezes é analisado como sendo positivo, mas não faltam exemplos de situações em que não é bem isso que acontece, como é o caso das alterações climáticas decorrentes do crescente e cada vez mais insustentável aquecimento global que se tem vindo a verificar no nosso planeta. A chamada mudança negativa. Muito negativa mesmo.

Os números metem medo a qualquer pessoa que tenha pelo menos meio dedo de testa e seja minimamente consciente, até porque serão as gerações vindouras a pagar a maior parte da despesa das gravíssimas irresponsabilidades várias que têm vindo a ser cometidas. Verdadeiros crimes humanitários. A saber: 2014 foi o ano mais quente de sempre. 9 dos 10 anos mais quentes de sempre ocorreram desde 2000. A dura realidade é que a temperatura tem subido incessante e dramaticamente por via do incrível aumento das emissões de gases com efeito de estufa, na sua grande maioria o dióxido de carbono (CO2). É de extraordinária emergência que o planeta reduza as emissões de CO2 para a atmosfera. Como? Eliminando, progressivamente, o uso massivo de combustíveis fósseis, substituindo-os pelas energias renováveis. Essa intervenção fomentará a poupança, garantindo desse modo outra eficiência energética, com claros ganhos ambientais. É o único caminho que nos poderá livrar de uma desgraça anunciada. Mesmo analisando o problema global de uma perspectiva economicista, a verdade é que as consequências para o planeta têm acarretado cada vez mais custos, estando estes estimados em cerca de 1,2 trilhões de dólares por ano, a nível mundial. Uma autêntica loucura.

Francisco, o Papa, personagem ilustre e carismática que tem o condão de influenciar crentes e não crentes, tem toda a razão e mais alguma quando diz que as alterações climáticas parecem colocar o Mundo à beira do suicídio, e a crueza das palavras não é, de todo, descabida. Até porque o seriíssimo ataque que todos nós estamos a perpetrar a este nosso supostamente querido planeta provocam sobretudo danos próprios, numa verdadeira tragédia natural auto-infligida de enormes e dantescas proporções, onde a Humanidade é carrasca e mártir ao mesmo tempo, com o machado na mão e o pescoço no cepo. Uma autêntica loucura, mesmo.

Todos nós, seres humanos, crescemos educados a admirar a Natureza, os seus recursos e o encanto natural das paisagens incrivelmente belas do nosso planeta, o que não deixa de causar alguns arrepios. Será “humano” tratar-se tão mal aquilo de que tão intensamente se gosta, ou deveria gostar? Não, não é, pelo que esta é mais uma prova de um processo de desumanização latente que se vai comprovando directamente neste e em outros domínios. Persistir num erro tão declarado e tão insistentemente óbvio é de certa forma uma abdicação de lutar por um futuro melhor, quer pessoal, quer colectivo, entregando-nos desse modo e apenas a sustentar um singelo e abnegado presente, em nome de causas e razões menores. É recusar viver e preferir a sobrevivência por opção. Pobre de quem, individual ou colectivamente, se inibe de alterar o seu percurso quando todas a evidências e mais algumas que norteiam esse mesmo percurso se revelam desencontradas.

Seja onde for, seja como for, não há pressão alguma que deixe de poder atingir níveis considerados insuportáveis. Este inglório combate de todos nós, humanos, é precisamente uma prova de fogo disso mesmo. Até onde resistirá a humanidade à insustentável pressão deste odioso crime ambiental por nós cometido? Estamos, globalmente, a condenar à morte as gerações futuras. De forma lenta, dolorosa e matemática. É certo.

Olhos. Precisamos de abrir os olhos. “O pior cego é o que não quer ver”. O Povo não falha. E, ao mesmo tempo, este Mundo não merece o Povo que tem.

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Mauro José Tomaz

Autor: Jornal da Mealhada

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