Oposição critica investimento na FESTAME e questiona transparência do Concurso de Bandas
A reunião quinzenal do executivo municipal começou por analisar alguns dos eventos positivos para o concelho, entre os quais a […]
A reunião quinzenal do executivo municipal começou por analisar alguns dos eventos positivos para o concelho, entre os quais a Feira do Município da Mealhada – FESTAME, mas a oposição que congrega três vereadores da coligação Juntos pelo Concelho da Mealhada considerou, pela voz de Hugo Silva, que apenas Matias Damásio teve casa cheia, a assistência nos outros dias não compensou o investimento e avançou que a razão poderá estar no modelo em que se pensou o certame, que talvez não seja o mais correto.
Nuno Canilho, vereador da Câmara Municipal da Mealhada, respondeu à oposição referindo que considera redutor o facto de se achar que a FESTAME se reduziu a um dia de enchente. Os dois primeiros dias foram de chuva, mas mesmo sem se fazer controlo de entradas, através do apuro do volume de faturação das tasquinhas, concluímos que o dia em que atuou Diogo Piçarra foi um dos que teve mais gente. O vereador conclui ainda que a chuva foi a principal razão para que o FESTAME não fosse espetacular, tendo sido apenas muito bom.
Na edição deste ano da FESTAME aconteceu o I Concurso de Bandas, no qual a banda de rock conimbricense, Harpia, alcançou a vitória. Porém, o concurso esteve envolto em polémica. As redes sociais ficaram inundadas de insatisfação pelas alterações ao regulamento. Hugo Silva questionou a transparência com que o concurso foi organizado. Nuno Canilho deixa clara a posição da organização e sublinha que apenas foi acionada uma cláusula que estava no regulamento.
Merecerá relembrar que aquando da abertura das inscrições no concurso a condição imposta às bandas participantes passava pela inexistência de trabalhos discográficos editados. Esta premissa acabou por cair por terra, poucos dias antes da data do concurso (11 de junho), algo que a organização justificou com o baixo número de inscrições e a qualidade das músicas apresentadas. Assim sendo, os elementos do júri, composto por um representante da promotora cultural Covil, do blogue A Certeza da Música, da editora discográfica Pássaro Vago e da revista de divulgação cultural Txi, decidiram alargar a participação no concurso também aos grupos com músicas que, apesar de originais, já tenham sido gravadas/editadas.
Hugo Silva reiterou a sua dúvida quanto ao modo como foi conduzido o processo de seleção das bandas e afirmou que a alteração ao regulamento não foi divulgada em tempo prévio, acrescentando ainda que a câmara divulgou um concurso com base no pressuposto de que as bandas deviam ser amadoras, ou seja, não deviam ter edição discográfica. Em resposta a estas declarações, Nuno Canilho explica que as bandas foram avaliadas pelo júri e em nenhum momento, quer na pré-seleção quer na seleção dos grupos, a Câmara Municipal da Mealhada teve qualquer intervenção. O vereador da autarquia esclarece ainda que a insatisfação disseminada nas redes sociais terá partido de um membro do staff de uma das bandas que não prosseguiu no concurso, o que terá motivado vários comentários no Facebook do evento e da Câmara insultando os elementos do júri, provocando uma autêntica guerrilha.
De lembrar ainda que a alteração ao regulamento orientador do concurso estava prevista no ponto número nove, relativo às Disposições Gerais, no qual é referido que a organização do concurso se reserva ao direito de o alterar, sem aviso prévio, mediante divulgação pública. No mesmo documento é ainda referido que as decisões do júri não são passíveis de recurso.
As justificações dadas pelo vereador da autarquia não satisfizeram Hugo Silva que decidiu apresentar uma declaração de voto, que não foi apresentada na reunião, contra o pagamento do prémio monetário do vencedor do concurso (500 euros), algo que Arminda Martins, membro do executivo municipal, contesta, salvaguardando-se do regimento das reuniões de Câmara do Município da Mealhada, artigo 14.º: as declarações têm que ser ditadas para a ata ou apresentadas por escrito até ao final da reunião.
Autor: Jornal da Mealhada
