Páginas e Pixels
Há dias, viajei de comboio de Aveiro ao Porto, levando comigo o mais recente romance de Dan Brown — O Segredo dos Segredos.
Há dias, viajei de comboio de Aveiro ao Porto, levando comigo o mais recente romance de Dan Brown — O Segredo dos Segredos. Setecentas páginas de puro deleite, dessas que se carregam com gosto. Gosto, às vezes, de livros que pesam; lembram-me assim que o conhecimento, tem corpo e densidade. Ainda o comboio se preparava para partir quando se sentou ao meu lado um jovem — vinte e poucos anos, deduzi – auriculares nos ouvidos, polegar em maratona de “scroll” pelo telemóvel. Dois passageiros, dois mundos: eu a folhear páginas, ele a deslizar no ecrã. A certa altura, sem aviso, perguntou-me se aquele “calhamaço” não era incómodo de transportar. Respondi-lhe que não, que me dava gozo viajar com uma pequena biblioteca às costas. Riu-se, disse que isso era “atitude de cota”, coisa de outro tempo e até faz mal aos olhos. E, como quem anuncia a boa nova, explicou-me as maravilhas do Kindle — leve, prático, versatol, moderno. O livro do futuro que eu deveria aceitar – disse com tanta convicção e veemência que quase acreditei que o tinha rejeitado! Garantiu-me até que bastava ir à FNAC comprar o livro digital e instalá-lo. Disse-o com a segurança absoluta de quem estudava Economia (assim me informou com certo orgulho) — ciência que, aparentemente, também inclui a venda de e-books em lojas físicas, pensei eu. Ouvi-o com paciência. Sou homem de tecnologia — fotografo, trabalho com imagem, vivo rodeado de ecrãs, programas...
Há dias, viajei de comboio de Aveiro ao Porto, levando comigo o mais recente romance de Dan Brown — O Segredo dos Segredos. Setecentas páginas de puro deleite, dessas que se carregam com gosto. Gosto, às vezes, de livros que pesam; lembram-me assim que o conhecimento, tem corpo e densidade. Ainda o comboio se preparava para partir quando se sentou ao meu lado um jovem — vinte e poucos anos, deduzi – auriculares nos ouvidos, polegar em maratona de “scroll” pelo telemóvel. Dois passageiros, dois mundos: eu a folhear páginas, ele a deslizar no ecrã. A certa altura, sem aviso, perguntou-me se aquele “calhamaço” não era incómodo de transportar. Respondi-lhe que não, que me dava gozo viajar com uma pequena biblioteca às costas. Riu-se, disse que isso era “atitude de cota”, coisa de outro tempo...
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Autor: Fernando Simões
