Para que serve a Maçonaria?
Para que serve a Maçonaria? Esta deve ter sido a pergunta que todos os portugueses fizeram nos últimos dias, tal […]
Para que serve a Maçonaria? Esta deve ter sido a pergunta que todos os portugueses fizeram nos últimos dias, tal foi a polémica criada à volta desta organização/associação nos últimos dias.
Perante um enorme desconhecimento que também confesso ter sobre a Maçonaria, meti mãos à obra, não no sentido da ilustre profissão de pedreiro-livre, e investiguei a sua origem, nomenklatura de famosos e as razões da sua índole secreta. E, sinceramente, não fiquei muito confortável com as conclusões que tirei.
Comecemos pelo secretismo. Históricamente, e fiando-nos nos dados disponíveis, a Maçonaria terá a sua origem na Antiguidade Clássica. Mas é a partir do Séc. XVII absolutista que começa a afirmar-se como fenómeno internacional. Interessante o facto dos historiadores se referirem a esse período como o da “Maçonaria Especulativa”. E foi perante uma aparente perseguição movida pelos regimes absolutistas e pela Igreja Católica aos membros da Maçonaria que nasceu esta “raison d´être” maçónica, que praticava na clandestinidade o seu “culto”, longe dos olhares censores.
Muito bem. Mas hoje vivemos numa sociedade democrática, plural e tolerante onde qualquer pessoa é livre de professar o seu credo, pertencer a uma religião, partido político ou organização, desde que a mesma não possua fins contrários ao Estado de Direito democrático. Ora, e se a Maçonaria insiste no seu carácter secreto, é porque conviverá mal com a transparência.
A outra questão que me leva a questionar os fins da Maçonaria prende-se com a eventual promiscuidade existente ou susceptível de existir entre os vários sectores da vida pública. E, se quem não exerce funções públicas nem integra qualquer órgão de soberania deve ter garantida a reserva da intimidade e da pertença a qualquer organização, o mesmo já não se deverá passar com quem exerce funções de relevo político ou judicial. Porque, não obstante um político ou um magistrado dever exercer as funções públicas com zelo e transparência, colocar-se-á sempre a dúvida se, colocado perante uma situação de conflito de interesses, optará por honrar as suas funções ou, ao invés, optará por respeitar os regulamentos da Maçonaria, solidarizando-se com o seu companheiro maçon e origem da promiscuidade.
É por isso que defendo uma declaração de interesses completamente radical, pois, para além de defender que os titulares de órgãos públicos, políticos e judiciais, devem declarar publicamente se integram a Maçonaria ou qualquer outra organização secreta legal, entendo que devem ainda revelar, quando no exercício do seu cargo, quem são os membros da Maçonaria que intervenham em qualquer relação entre privados e o Estado.
Por fim, a minha resposta à pergunta formulada no início. Para que serve a Maçonaria? A muitos a Maçonaria servirá ou dele se servirão. Para mim, não serve para nada.
MIGUEL FERREIRA
in Coluna Vertical
Autor: Jornal da Mealhada
