Pedrógão Grande – Comissão independente aponta falhas da Proteção Civil
Responsáveis pelo comando do ataque ao incêndio de Pedrógão Grande – que, a 17 de junho, matou pelo menos 64 […]
Responsáveis pelo comando do ataque ao incêndio de Pedrógão Grande – que, a 17 de junho, matou pelo menos 64 pessoas – tiveram culpa na dimensão que as chamas tomaram. E, algumas das escolhas feitas por quem estava a mandar no teatro de operações podem ter contribuído para o desfecho trágico do fogo. As conclusões são da Comissão Técnica nomeada pelo Parlamento e pelo Conselho de Reitores para averiguar o que correu mal em Pedrógão Grande, cujo relatório final foi entregue na manhã desta quinta-feira na Assembleia da República.
“As consequências catastróficas do incêndio não são alheias às opções táticas e estratégicas que foram tomadas”, acusa o documento de 296 páginas. E tudo falhou, segundo os especialistas. A começar pelo preposicionado de meios de combate na região, que não foi o adequado apesar dos avisos meteorológicos. “Era possível que na região ocorressem fogos simultâneos, causada direta ou indiretamente por trovoada seca”, recorda o relatório. Mesmo assim, os postos de vigia da região não estavam ativos e “a vigilância móvel” limitava-se à presença de Sapadores Florestais.
“O tempo de resposta e os meios disponíveis foram insuficientes, o que fez com que o controlo do fogo se tornasse progressivamente mais improvável”, conclui a Comissão.
Ainda assim, e apesar destas falhas, os especialistas reconhecem que o incêndio teve características “excecionais” devido à seca e à grande acumulação de combustíveis – uma vez que aquela zona não ardia há 20 anos.
Por outro lado, o SIRESP também dificultou as operações. O sistema, avisam os especialistas, assenta em “tecnologia ultrapassada”.
O presidente da Comissão Técnica – que na tarde desta quinta-feira tem um encontro marcado com o primeiro-ministro – falou aos jornalistas a seguir à entrega do relatório ao presidente da Assembleia da República. “Se houvesse um sistema de sensibilização e informação, se o comando na altura, entre as 15 horas e as 16 horas tivesse dado instruções à população [designadamente que se mantivessem em casa], provavelmente muitas das mortes não teriam ocorrido”, afirmou João Guerreiro, acrescentando que o atual sistema de escolha dos comandantes da Proteção Civil não é o mais adequado, uma vez que as nomeações são “recorrentes”. João Guerreiro defende a criação de uma carreira de Proteção Civil e que os responsáveis sejam escolhidos por concurso público.
(Foto: Maria João Gala/Global Imagens)
Autor: Jornal da Mealhada
