Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Portugal é Europa? É país com constituição? É República?…

Portugal é Europa? É país com constituição? É República?…

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Portugal é Europa? É país com constituição? É República?…

Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas, a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos […]

Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas, a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.

in última parte do discurso proferido por Sophia de Mello Breyner Andresen(S.M.B.A) , lido pela própria em 11 de Julho de 1964, por ocasião da entrega do Grande Prémio de Poesia, pela obra LIVRO SEXTO.

Nenhum povo tem sido tão despojado da sua dignidade e dos seus direitos, como o meu povo, desde que o governo de Direita, à revelia, em muitos casos, das ordens da TROIKA, tem actuado contra os portugueses, num manancial de medidas e contra medidas que o têm despojado de valores patrimoniais e de dignidade, como nunca se viu ou pensou ser possível.

A última semana, então, estes homens têm demonstrado que é quase preciso acabar connosco, com os nossos sonhos, com o nosso sorriso, com as nossas esperançasÉ um permanente nunca mais acabar de medidas, quase numa atitude de fúria e ódio que começam a fazer saltar rolhas das garrafas sem que tenhamos tempo de as pegar nas mãos

Lembram-se de uma semana assim? Eu não, honestamente! Inventaram-se taxas para os fornecedores de bens alimentares (que o público que pode consumir é quem vai pagar), pela calada da noite, à moda da antiga PIDE-DGS proibiram que os portugueses se reformem nos próximos anos, numa escandalosa violação da Constituição, para a qual eles se estão borrifando, reduziram para limites vergonhosos as remunerações das baixas, aumentaram

para níveis incomportáveis o número de alunos por sala de aula, permitiram jogos de poder ao director da Caixa Geral de Depósitos, aumentaram os combustíveis até níveis impossíveis , mesmo para se ir trabalhar (já não falo dos pequenos passeios em família), admitem que não tocam nos lucros do estado no preço dos mesmos(COMO PODERIAM DAR AOS DIRECTORES DA GALP , DA EDP, DA REN, OS MUITOS MILHÕES QUE SE SOUBE ONTEM QUE ELES GANHAM?), declararam o fecho da Maternidade Alfredo da Costa, uma referência em Neonatologia a nível MUNDIAL, as televisões mostram-nos o choro desesperado dos licenciados sem emprego e sem perspectivas que não as da emigração, fomos sabedores de que o desemprego sobe assustadoramente, aos milhares todos os mesesE que mais? Lembrem-me, por favor!

Comecei o meu artigo com palavras da grande poetisa S.M.B.A e não o fiz por acaso. Dez anos depois de o proferir, deu-se o 25 de Abril de 1974; vinte anos depois, o país ainda estava esfrangalhado e quase a entrar para a Comunidade Económica Europeia; trinta anos depois VIVEMOS todos os escândalos de governação e não só, em que o país ficou mergulhado com a sabedoria de uma data de tipos, que abriram os olhos e se foram arranjandoQuarenta anos depois, estamos com um governo nas mãos que não sabe o que anda a fazer, que nos atirou para a maior miséria, que não sabe governar e, por isso, vai directamente às contas do povo, sem dar explicações, buscar mais e mais e mais dinheiro, porque não consegue pagar nada, não sabe promover a Economia de modo a gerar empregos, não sabe criar empregos, dá fome a todos, mesmo às crianças das escolas, primárias e secundárias, que vão em jejum para as aulas pois os pais, ou não têm dinheiro ou não têm emprego e não chegam lá, de modo nenhum! No Ensino Superior, passa-se o mesmo: os pais não aguentam as despesas, os universitários não podem continuar e os pobres desistem, as bolsas estão tão à míngua de cortes sobre cortes, que os alunos abandonam os cursos, como pardais atingidos pelas chumbadas do desgoverno. Os abonos de família acabaram para os ricosos que ganham mais de 600/700 EUROS, a Saúde quase não existe

Bem: na passada 3ª feira, dia 10 de Abril corrente, a SIC apresentou, com é habitual nesse dia da semana, os comentários de Miguel Sousa Tavares (MST) sobre os factos que mais lhe chamaram a atenção, na semana anterior.

Qual não é o meu espanto quando oiço o senhor falar contra as medidas do governo, neste seu atafegar contínuo da classe dos funcionários públicos e administrativos, professores incluídos, é claro. Caiu-me aos pés o carmo e a trindade! Mas este comentador não é o mesmo homem que há dois anos zurzia, desapiedadamente, nos funcionários? Não é o mesmo que se pegava de razões, constantemente, com os madraços dos Professores?

O que lhe aconteceu para, agora, achar injusto o que o governo da DIREITA está a fazer aos funcionários? Até chegou à clara conclusão que nenhum país pode viver sem estes funcionários! Perguntar, não é ofensa: já lhe está a chegar o fumo aos pés, sr. escritor-jornalista- comentador? E foi então que procurei nos meus livros as palavras que sua mãe proferiu naquele célebre dia do Prémio Literário! Agora, meu caro senhor, com todo o respeito, recordo-lhe os poemas que, com a sua grandiosidade ela nos deixou, para nos lembrar as horas más que ainda viremos a vivere que ela viveu, ao lado de seu pai. Acho particularmente expressivos os seguintes: ESTE É O TEMPO-A VESTE DOS FARISEUS- AS PESSOAS SENSÍVEIS

Pergunto-lhe ainda, porque tenho esse direito! porque o senhorxa0 ( não) me ofendeu (embora só me ofenda quem eu quero e xa0seja superior a mim, apesar de não ter livros editados!) mas ofendeu a classe docente e a de todos os funcionários públicos!- pergunto-lhe, dizia, quando vai pedir desculpa a toda esta boa gente de que o senhor precisa, por os ter ofendido na sua dignidade e no seu direito ao bom nome de funcionários?

Recordo-lhe que uma das grandes regras da ARTE POÉTICA, de que falava sua grande mãe,

era sobre lutar contra a demagogia que é a degradação da PALAVRA.

Depois distonem uma nódoa se via/ na veste dos fariseus!

xa0

Mealhada, 14 de Abril de 2012

Maria Elisa Ribeiro

Maria.elisa.ribeiro@iol.pt

Blog: lusibero.blogspot.com

Autor: Jornal da Mealhada

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