Quadrilheiros
Vai continuar a dar que falar a extinção da freguesia de Antes que o Governo persegue, levada de zorros com […]
Vai continuar a dar que falar a extinção da freguesia de Antes que o Governo persegue, levada de zorros com centenas de outras com a negra reforma, na linha com que rebenta criminosamente a vida dos portugueses e o futuro de Portugal. A sessão extraordinária da Assembleia Municipal da Mealhada (AMM) realizada em Antes para que houvesse discussão e pronúncia sobre o Documento Verde (não se tratava, sequer, de mendigar cátedra de algum daqueles sábios em que alguns querem investir os governantes laranjas) provocou grosso incómodo nas hostes do partido do Governo Ranger de dentes, atrapalhações e contradições que ressaltam de um certo comportamento quadrilheiro com que os políticos ligados aos partidos do poder, mesmo os locais, querem estar de bem com as populações e com as pessoas mas, acima disso, tratam mas é de escorar o seu governo, mesmo que ele actue, é o caso presente, como quadrilha de malfeitores. Hesitam, engasgam-se, insinuam, distraem; acima de tudo, defendem a quadrilha Até já vimos este filme com outros matizes do arco do poder.
A cobertura que o JM fez da sessão foi, talvez, demasiado sucinta. Acabou por não reflectir, creio, a importância de dali ter saído a posição oficial da AMM que ainda não existia e também por não ter dado notícia de alguns aspectos da discussão que me parecem merecedores de atenção.
Começo pela reveladora declaração do deputado Bruno Coimbra, também eleito nas listas do PSD para a Assembleia da República. (Depois das comoventes declarações de Cavaco sobre as dificuldades financeiras que atravessa, a moda das declarações reveladoras parece ter pegado no partido.) Na sessão, o deputado achou pudera ser um erro discutir-se o que ainda não havia sido ali discutido e, desastrado, acabou por confessar que o documento em discussão pública Recozinhado pelos seus autores, aquele já nem existia!
Cfr. página 13, cronograma geral organização do território: Discussão Pública: Assembleia de Freguesias e Assembleias Municipais (90 dias) até final de Janeiro Quer isto dizer que a sessão extraordinária se realizou ainda durante o período oficial de discussão. Quer isto dizer, pela reveladora confissão que, afinal, os governantes desligaram a discussão pública antes do fim: um embuste, uma golpaça, pode dizer-se, de quadrilha de malfeitores.
Face à proposta apresentada pela CDU, aprovada como deliberação da AMM, os eleitos do PSD não conseguiram melhor que absterem-se em bloco Nela a AMM delibera manifestar publicamente a oposição frontal ao desaparecimento, extinção ou fusão da freguesia de Antes, independentemente dos critérios técnicos inventados e invocados pelos promotores desta intolerável ofensiva sobre o poder e a democracia locais. Com uma ou outra companhia, abstiveram-se em bloco
E, pela voz de outro eleito, veio a desculpa para ficar de bem com deus e com o diabo: a moção até seria de essência correcta mas – pecado, pecado! – atacava o Governo (do PSD). Mas a quem devem ser dirigidas críticas? À população de Antes? Mas quem é que inventou esta coisada? De quem é a iniciativa que visa liquidar a freguesia de Antes e muitas outras? O Documento Verde veio ou não do Gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, do pesporrente Miguel Relvas? Será alguma manobra de Pyongyang, dos comunistas, da CGTP? Mas quem é afinal o governo que se comporta como uma quadrilha de malfeitores, sentem-no os portugueses, até os que votaram neles? Será que a culpa é solteira, é outra vez do mexilhão, será mesmo dos gambozinos?
Pesaram mais as críticas ao Governo da cor do que a solidariedade sem rebuços com a população de Antes e quantas outras na mesma situação, é o que é.
Entretanto já se confirmou em notícia no JM, desta vez extensa: o Governo marimbou-se realmente para o prazo de discussão pública que definiu; o Governo quer é apressar o fim de uma carrada de freguesias; vai ameaçando, se não for a bem, a mal será e até já promete um suborno para quem for mais colaborante com a quadrilha (três dinheiros para comprar as vozes discordantes). A preceito, diz-se “aberto às propostas das assembleias municipais e das de freguesia” mas com estes malfeitores, corre-se é o risco, tal como se desbocou o deputado do PSD, de vermos a abertura fechar-se antes de se abrir.
Já sabíamos qual a posição expressa pela Assembleia de Freguesia de Antes; sabemos agora qual é a posição da Assembleia Municipal da Mealhada. Não adivinhamos como é que tudo isto vai acabar mas sabemos que, como noutras coisas, as populações do concelho, se o quiserem, têm uma palavra a dizer, mesmo quando aos governos não interessa ouvi-la nem respeitá-la. É convém ter palavra e forte porque a quadrilha anda aí desenfreada: rouba, destrói, desmantela, desrespeita, funde, usurpa, liquida. Não deixará pedra sobre pedra, a não ser que encontre mais e mais quem lhe faça frente e não, tão só, vá lá, quem se abstenha
João Louceiro
Pampilhosa
Autor: Jornal da Mealhada
