Rastrear para prevenir é o lema do HMM para crianças e idosos do concelho
O auditório da Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL) recebeu, no dia 12 de setembro, a apresentação pública dos resultados dos […]
O auditório da Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL) recebeu, no dia 12 de setembro, a apresentação pública dos resultados dos projetos O Coração é a Razão e dos Rastreios em Saúde, concretizados pelo Hospital da Misericórdia da Mealhada (HMM) em parceria com a Câmara Municipal da Mealhada e Juntas de Freguesia.
Ambos os projetos levados a cabo no concelho, visavam, para os idosos, a deteção precoce do risco de desenvolvimento de doenças cardio e cérebro vasculares e, para as crianças, a identificação de patologias auditivas e visuais. Quer num projeto quer noutro, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Baixo Mondego prestou o devido apoio, nomeadamente, na pessoa de Carlos Ordens, diretor executivo do ACES, que assumiu temos estado de mãos dadas para sensibilizar os médicos dos centros de saúde para a importância dos rastreios. Todos eles estão preocupados e decididos em colaborar.
Em 2010 houve um aumento de pessoas com doenças cardiovasculares, doenças estas que foram responsáveis por 36% do total de mortes na Comunidade Europeia, Aloísio Leão, diretor clínico do HMM
No âmbito do projeto O Coração é a Razão, foram feitos rastreios numa população cuja idade média era de 66 anos. Aloísio Leão, diretor clínico do Hospital Misericórdia da Mealhada começou por alertar todos os presentes na sessão pública de apresentação destes resultados que em 2010 houve um aumento de pessoas com doenças cardiovasculares, doenças estas que foram responsáveis por 36% do total de mortes na Comunidade Europeia. Aludindo à valência da saúde da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, Aloísio Leão ressalvou que o HMM de modo complementar ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) dá um pequeno contributo para ajudar à prevenção deste tipo de doenças no concelho.
O Coração é a Razão foi idealizado pela Dra. Fátima Franco, cardiologista do HMM, e desenvolvido no Hospital Misericórdia da Mealhada com o apoio da Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, da Administração Regional de Saúde do Centro, através do Centro de Saúde da Mealhada, e da Associação para o Estudo e Investigação em Geriatria e Nutrição Clínica. O trabalho desenvolvido em campo foi sustentado em rastreios, consultas de enfermagem, avaliação com a cardiologista, Dra. Fátima Franco, e a intervenção ao nível da nutrição e do exercício físico.
O exercício físico é mais eficaz que os medicamentos, no combate a doenças cardio e cérebro vasculares
Raúl Martins, professor na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEF), referiu-se à importância do exercício físico na prevenção de doenças cardio e cérebro vasculares, demonstrando-se mais eficaz do que os fármacos. De acordo com um estudo que fez para a revista da Associação Médica Brasileira os que caminham mais facilmente têm menos custos com medicamentos e os que caminham menos gastam cerca de 1012 por ano. Neste âmbito, Raúl Martins, revelou ainda que entre 2010 e 2018 o desinteresse pelo exercício físico aumentou 230% e avançou que as razões para a ausência da prática desportiva, de acordo com as respostas a alguns questionários efetuados nessa matéria, se devem à falta de tempo, à falta de motivação, a dificuldades de saúde e ao valor despendido.
O doutorando e responsável pelo programa do exercício físico, Marco Silva, salientou ainda que fruto do projeto O Coração é a Razão, os participantes no programa de exercício físico conseguiram reduzir o índice de massa corporal em 57%, 50% reduziram a circunferência da cintura, sendo que alguns deles tinham começado o projeto obesos, e 57% reduziram a pressão arterial. Resumidamente, os 60 participantes destes programas conquistaram maior autonomia, uma vez que obtiveram melhorias significativas na força dos membros inferiores, o que resulta na redução do risco de queda, sendo assim uma melhora essencial para a vida das pessoas idosas, tal como pode ler-se no relatório dos rastreios produzido pelo HMM.
A prevenção é a chave para uma vida longa e saudável, Fátima Franco, cardiologista do HMM
Fátima Franco, médica cardiologista no HMM, a propósito de O Coração é a Razão, alertou o público presente na EPVL para os resultados dos estudos feitos sobre o índice de longevidade versus índice de saúde, um estudo mostrou que Portugal tem dos índices de longevidade mais elevado, mas apenas 9% dos idosos são saudáveis, ou seja, o índice de saúde é dos mais inferiores. A cardiologista continua dizendo que a prevenção começa na escola, sendo que ela é a chave para uma vida longa e saudável.
Manuel Teixeira Veríssimo, presidente do Colégio da Competência de Geriatria da Ordem dos Médicos (OM), também esteve presente no anúncio dos resultados do projeto O Coração é a Razão e defendeu a prática do exercício físico e uma alimentação correta para um envelhecimento saudável, nós estamos em constante modificação, se não comermos bem o nosso corpo não vai evoluir, afirmou.
A concluir a apresentação dos resultados do projeto de prevenção às doenças cardiovasculares, Polybio Serra e Silva, presidente do Conselho Científico e da Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, fez uma intervenção divertida e poética sobre os cuidados alimentares necessários para evitar problemas com o coração, dizendo, inclusivamente, o melhor medicamento chama-se comida. Polybio Serra e Silva defendeu ainda que a atividade física é importantíssima em qualquer dieta e deixa alguns conselhos alimentares em verso, aproveite os bons sabores/ da comida natural/ sempre de acordo com as/ cores da Bandeira Nacional/ Cinco ou seis vezes por dia/ muito sossegadamente/ pare a sua correria/ e mastigue calmamente.
Foram avaliadas 1134 crianças do pré-escolar e 1º ciclo do concelho
Outra das grandes áreas de ação do HMM teve que ver com os Rastreios em Saúde, auditivos e visuais, às crianças do concelho em idade pré-escolar e escolar, com frequência do primeiro ciclo do ensino básico. Este projeto teve início em julho de 2017 e consistiu, essencialmente, após a concretização dos rastreios, na elaboração imediata de um relatório com a informação do rastreio para ser entregue aos pais ou ao encarregado de educação e no aconselhamento do encaminhamento para consulta no médico de família em situação de patologia suspeita ou encontrada, tal como pode confirmar-se no relatório do projeto elaborado pelo HMM.
Através deste projeto de rastreios foram avaliadas 1134 crianças dos diversos jardins de infância e escolas básicas do concelho. O grande objetivo, nomeadamente, do rastreio auditivo, visava identificar potenciais problemas numa fase precoce, como a obstrução do canal auditivo, alterações do ouvido médio ou perda auditiva, perspetivando-se uma intervenção terapêutica atempada e a redução de eventuais consequências nefastas, tal como esclarece o relatório do HMM. Por outro lado, os rastreios visuais permitiram o despiste de alterações no órgão da visão, nomeadamente ambliopias nas crianças antes dos 6 anos de idade e de erros de refração nas crianças com idade superior a 6 anos, tal como se lê no documento elaborado pelo HMM.
224 crianças têm problemas de visão, maioritariamente no ensino pré-escolar, e 46 crianças têm problemas auditivos
Apurados os dados, chegou-se à conclusão de que 224 crianças têm problemas de visão, maioritariamente no ensino pré-escolar, e que 46 crianças têm problemas auditivos. De modo global, concluiu-se que na fase pré-escolar e primeiro ciclo, os problemas auditivos têm uma prevalência de 4,8% e os problemas visuais apresentam uma prevalência de 20,2%, tal como se pode ler no relatório do HMM.
A propósito dos rastreios visuais, Filipe Henriques, médico oftalmologista do HMM, realçou que na oftalmologia existem muitas doenças silenciosas, chamando à atenção para a importância dos rastreios que têm a função de detetar a doença e de sensibilizar para ela, até porque não estamos só a tratar da visão, mas também da qualidade de vida.
André Pinto, audiologista que esteve no terreno e que trabalhou em direta ligação com Maria José Bastos, otorrinolaringologista do HMM, advertiu para o facto de que se a surdez transitória não é tratada é irreversível e indicou que os problemas auditivos podem ser desenvolvidos em contexto escolar.
Conseguimos sensibilizar os encarregados de educação para a realização dos rastreios, Ana Carina Soares, enfermeira diretora do HMM
Para a enfermeira diretora do HMM, Ana Carina Soares, o objetivo dos Rastreios em Saúde foi alcançado, na medida em que conseguimos sensibilizar os encarregados de educação para a realização dos rastreios, facto que se refletiu nas elevadas taxas de adesão (superiores a 97%), referiu. Ainda sobre os resultados dos rastreios, Ana Carina Soares refere que estão aparentemente dentro da média nacional, estando já previsto, para o início do próximo ano, o contacto com os pais das crianças com alterações auditivas e/ou visuais para saber aquilo que foi feito em termos das orientações dadas pelo médico de família e eventuais resultados de consultas de especialidade.
João Peres, provedor da Santa Casa da Misericórdia, perante o trabalho feito pelos profissionais do HMM refere congratulo-me com o trabalho feito pelos profissionais da Misericórdia e reitera promover o bem-estar das pessoas é função da Santa Casa.
Vamos continuar a apoiar (os projetos do HMM) porque de facto é melhor prevenir do que remediar, Rui Marqueiro, presidente da Câmara Municipal da Mealhada
O presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Rui Marqueiro, também marcou presença nesta data e declarou recebemos o desafio financeiro de apoiar os projetos da Misericórdia e considero que foram um êxito. Já recebemos um segundo projeto () que vamos continuar a apoiar porque de facto é melhor prevenir do que remediar.
Este novo ano letivo que agora começa prevê a entrada numa segunda fase dos Rastreios em Saúde, sendo estes alargados aos restantes níveis de ensino da rede pública e da EPVL. Estando prevista a continuidade deste projeto foi também solicitado à Câmara Municipal o apoio para o alargamento da incidência dos rastreios, quer a nível populacional, quer a nível das áreas de saúde que, tal como é referido no relatório do HMM, perspetivam o rastreio de doenças respiratórias, venosas e de saúde mental.
Em jeito de conclusão, Aloísio Leão aproveitou para agradecer o apoio da Câmara Municipal da Mealhada, de todas as Juntas de Freguesia, assim como a todos os profissionais envolvidos na concretização dos dois projetos, aos coordenadores das unidades de ensino rastreadas, a todos os professores e educadores de todas as escolas e jardins de infância do concelho e às entidades parceiras (Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, Administração Regional de Saúde do Centro através do Centro de Saúde da Mealhada e a Associação para o Estudo e Investigação em Geriatria e Nutrição Clínica).
Autor: Jornal da Mealhada
