Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

Reflexões e testemunhos sobre a Liberdade e Dignidade no Trabalho

Reflexões e testemunhos sobre a Liberdade e Dignidade no Trabalho

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Reflexões e testemunhos sobre a Liberdade e Dignidade no Trabalho

No ano em que se comemoram 50 anos sobre o 25 de Abril repetem-se um pouco por todo o lado […]

No ano em que se comemoram 50 anos sobre o 25 de Abril repetem-se um pouco por todo o lado as iniciativas a assinalar esta data. A LOC – Movimento de Trabalhadores Cristãos assinalou esta data histórica com o “Encontro de Formação da Zona Centro”, com o lema “Celebrar os valores de Abril, dignificar o trabalho”, decorreu no passado domingo, dia 19 de maio, no Centro Paroquial da Mealhada, reuniu cerca de 35 militantes e simpatizantes do movimento das dioceses de Aveiro, Coimbra e Guarda.

Para os mais novos, mas também para aqueles que nasceram poucos anos antes ou depois do 25 de Abril é difícil fazer memória. “Neste encontro foi possível escutar relatos na primeira pessoa, de um outro tempo, de um país profundamente desigual, onde grande parte da população vivia em condições que hoje descreveríamos como miseráveis, sem água canalizada, sem eletricidade, com uma taxa de analfabetismo gigante, onde era comum começar a trabalhar na infância, onde a mulher era propriedade do marido, sem liberdade para fazer escolhas, onde não era possível falar abertamente sobre estas realidades, onde qualquer crítica ao regime era severamente castigada”, explicou Olinda Marques, uma das organizadoras desta iniciativa.

José Cadete, da Pampilhosa, e Eduardo Ferreira, de Penacova, participaram no evento com testemunhos pessoais emocionados onde relataram as vivências do pré 25 de Abril as dificuldades de ficar longe da família e começar a trabalhar com pouco mais de 10 anos, histórias de perseguição, de pobreza, mas também da esperança de um mundo novo que a revolução veio trazer.

Brandão Guedes, dirigente da Base-Fut – Frente Unitária de Trabalhadores, abordou a importância histórica e social do 25 de Abril e do 1º de Maio de 1974. Relembrou que o 25 de Abril “foi um processo de libertação, uma conquista coletiva que continua a fazer-se, ainda hoje, todos os dias”, conta a organizadora do evento. Para além disto, na sua intervenção recordou também que importa fazer memória, e assinalar e comemorar o 25 de Abril para que não se esqueça e se mantenham vivas as memórias de quem lutou. “Se não sabemos de onde vimos, corremos o risco de voltar para trás e regredir”, referiu Brandão Guedes.

O militante cristão da diocese do Porto, Ramiro Vilar, falou nos desafios que esta data trouxe, enquanto militantes cristãos e recordou “que foram inúmeros os contributos positivos que o 25 de Abril trouxe aos portugueses: o fim da Guerra Colonial e a novidade de uma Paz duradoura; a liberdade e a democracia”.

As condições de vida, em 50 anos, alteraram muito, Ramiro Vilar, mencionou as mais significativas, “apenas 50% das casas tinham água canalizada e casa de banho, hoje esse número aproxima-se dos 100%, a taxa de analfabetismo caiu, há dez vezes mais alunos no Ensino Secundário e mais de metade dos doutorados são mulheres, enquanto em 1974 esse número era cerca de 10%”. Outro pilar fundamental alcançado depois da Revolução dos Cravos foi o salário mínimo “que garante o mínimo de dignidade e é também uma conquista de Abril: foi definido pela primeira vez em 1974”, lembrou o orador.

Para Olinda Marques, esta iniciativa serviu para um balanço destes 50 anos após o 25 de Abril “é que acertámos em muito e falhámos noutro tanto, mas o balanço é claramente muito positivo. Temos um país mais livre, mais justo, mais próximo dos ideais de Abril de justiça, igualdade e liberdade do que o país em que se deu o Abril de 1974. O maior sonho da geração de Abril era garantir um futuro melhor aos seus filhos. Apesar dos avanços incríveis, esse sonho não está assegurado aos netos da geração de Abril. Mas nunca ninguém disse que cumprir Abril era tarefa só dos nossos pais e avós. Não é! Onde eles falharam teremos nós de acertar. A responsabilidade é nossa. E dos nossos filhos e filhas! Não se pode aceitar um país desigual, com demasiada pobreza, que falha muitas vezes aos mais frágeis”.

A organizadora sublinha que “não se pode aceitar um país onde os imigrantes são usados como um bode expiatório de todos os males, um país onde a violência doméstica ainda persiste e o direito ao dia de descanso em família, é desvalorizado para dar lugar ao consumo desenfreado e à corrida aos hipermercados aos domingos e feriados. E o nosso país ainda é demasiado assim. É tempo de investir nos pequenos grupos de pessoas que pensam pela sua cabeça e em conjunto procuram encontrar soluções coletivas”.

 

Mealhada

Autor: Jornal da Mealhada

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