Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026 às 14:46

Relatório técnico sobre Bacia do Mondego tem prazo de 100 dias para entrega

Relatório técnico sobre Bacia do Mondego tem prazo de 100 dias para entrega

Região

Relatório técnico sobre Bacia do Mondego tem prazo de 100 dias para entrega

Ministra pede à Ordem dos Engenheiros que informe o Governo à medida que vão tendo resultados

O relatório técnico sobre as cheias na Bacia do Mondego e revisão dos modelos de gestão do risco deverá estar concluído em 100 dias, embora as informações sejam transmitidas à medida que houver resultados, revelou hoje a ministra do Ambiente.

“A data limite do estudo são 100 dias. De qualquer maneira, pedimos à Ordem dos Engenheiros que, à medida que vão tendo resultados, nos vão informando, para que não se esteja à espera de 100 dias para ter os resultados todos”, informou Maria da Graça Carvalho.

A ministra do Ambiente e Energia participou esta manhã na cerimónia de assinatura do protocolo de colaboração entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Ordem dos Engenheiros, em Coimbra, para a realização de um relatório técnico sobre cheias na Bacia do Mondego e revisão dos modelos de gestão do risco.

O protocolo surge na sequência dos recentes eventos meteorológicos adversos, que provocaram cheias com impactos significativos no território, e visa reavaliar o projeto das infraestruturas do Baixo Mondego e sua eventual adaptação às alterações climáticas.

Em declarações aos jornalistas, a governante evidenciou que não se pretende um relatório extenso.

“Queremos informações concretas do que é que é preciso ser feito, qual é a obra, para começarmos logo a preparar os procedimentos para lançar a obra, caso ela seja necessária”, sustentou.

Segundo a ministra, o estudo, que terá o contributo de cinco grandes especialistas, irá focar-se na análise do que se passou.

“Porque é que rompeu o dique no mesmo sítio, de um lado do rio, no mesmo sítio que rompeu em 2001, do outro lado, que é exatamente por debaixo da ponte. É preciso perceber a interação do rio com a ponte, para ver se precisamos de reforçar alguma questão”, acrescentou.

O relatório deverá também fazer menção à questão da manutenção, com indicação dos pontos mais importantes para manutenção em todo o sistema.

“Em terceiro lugar pedimos para ver se é preciso fazer uma atualização à própria infraestrutura, do ponto de vista da engenharia ou do ponto de vista da obra, para que esta obra do Mondego seja mais resistente às intempéries que tivemos agora e que nada nos diz que não possamos ter outra vez para o ano”, indicou.

Já a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, considerou que a formalização do protocolo com a Ordem dos Engenheiros representa “um passo decisivo para assegurar que as cheias de 2026 não se repitam com as mesmas consequências”.

Na sua intervenção na cerimónia, a autarca defendeu que o rio Mondego precisa de quem cuide dele, sendo “indispensável adotar medidas que minimizem os efeitos de futuras situações climáticas adversas”.

“São imperativas intervenções de reparação, reforço e requalificação das infraestruturas existentes, bem como a avaliação técnica independente da Obra Hidroagrícola do Baixo Mondego, a revisão dos sistemas de monitorização e alerta e a definição de um plano prioritário de intervenção nos diques mais vulneráveis”, salientou.

Ainda segundo a autarca, é também crucial que se estabeleça um plano de manutenção regular da infraestrutura, acautelando a desmatação regular dos leitos, a reposição regular das cotas do fundo e a manutenção estrutural dos diques, bem como que se concluam as obras de regularização da foz dos afluentes.

“Precisamos de transformar a experiência difícil das cheias em aprendizagem estruturada, em planeamento mais robusto e em maior capacidade de antecipação. Precisamos de proteger os agricultores, salvaguardar infraestruturas, assegurar o funcionamento da indústria, reduzir vulnerabilidades e reforçar a segurança das populações”, afirmou.

A antiga ministra da Coesão Territorial destacou ainda a necessidade de se reformular a estrutura de gestão hidráulica do Mondego e de construir um modelo de gestão hidráulica da bacia, alimentado em tempo real pelos dados de caudal medidos em pontos-chave e pelas previsões meteorológicas.

 

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Autor: Jornal da Mealhada

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