Quarta-feira, 05 de Setembro de 2018

Rentrée

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Depois da anglo-saxónicaxa0silly season surge sempre a inevitável exa0muyxa0francófona rentrée. Não há volta a dar.xa0Oxa0momento é o de reiniciar actividades […]

Depois da anglo-saxónicaxa0silly season surge sempre a inevitável exa0muyxa0francófona rentrée. Não há volta a dar.xa0Oxa0momento é o de reiniciar actividades e retomar análises, pelo que vou procurarxa0raciocinar com clareza, organizarxa0asxa0ideias com a lucidez possível e apresentá-las com a independência que desde sempre me exigi.xa0

Antes de lançar um olhar ao panorama políticoxa0mais próximo, sou obrigado a deixar algumas palavras de solidariedade ao povo venezuelano e à situação absolutamentexa0incrível em que se encontram.xa0Maduro parece-me ainda mais inconsciente do que Chávez, e o que se vê à distância e a olho nu é um país esfomeado e uma populaçãoxa0comxa0extremas necessidadesxa0exa0sem qualquer espécie de esperança num futuro melhor. Os venezuelanos perderam, em média, 11 quilos de peso durante o ano de 2017, números que deveriam arrepiar qualquer analista menos os de Maduro, claro, que estou certo de que não contribuíramxa0para a desoladora estatística.xa0Do grandexa0líder, parece-me que não poderemos esperar nenhumas alterações dexa0rumo. Irá até ao fim,xa0orgulhosamentexa0obstinado, como osxa0maiores ditadores da História do Mundoxa0sempre foram. Espero que seja até o fim dele e não o de um povo simpático, bonito e cheio de alegria na sua génese, que merecia ser governado com o mínimo de respeito pela suaxa0dignidade,xa0mas que em desespero é obrigado a migrar para onde for, e seja de que modo for. A Venezuela é a prova provada que os regimesxa0isolados,xa0autoritários e absolutistas não funcionam em lugar algum do Mundo. Mesmo com previsões de uma inflação a roçar o milhão por cento no final do ano (!), não acredito minimamente que a crise tenha qualquer tipo de solução à vista com Maduro, e também não consigoxa0estar optimista porxa0um desfecho pacífico para um povoxa0que, sem o merecer,xa0sobrevivexa0como pode,xa0em plenaxa0agonia no seu dia a dia.xa0

Olhando para o nosso rectângulo, confesso que fiquei na dúvidaxa0se o nosso Primeiro-Ministro não estará ainda silly de todo, ao propor o regresso dos emigrantes mais recentes a troco de uma dedução de 50% em sede de IRS, entre outros assinaláveis facilitismos. Não me oporia nunca a incentivos deste tipo, não fossem estes excluir na totalidade os emigrantes de média exa0dexa0longa duração, alémxa0de, acima de tudo, ignorarxa0por completoxa0osxa0resilientesxa0portugueses que ficaramxa0de dentes cerrados para enfrentar as dificuldades e pagando muitos, mas muitos impostos, mesmo ao longo desta última década.xa0Percebe-se facilmente o alcance da iniciativa, mas parece-me que a proposta não tem pés nem cabeça, não é justa nem equitativa, além de que se arrisca a ser um significativo tiro nos pés em vésperas de dois exercícios eleitorais muito relevantes.xa0Olhando para trás, premeia-se a deserção e pune-se a resistência. Sem qualquer tipo de sentido, justiça ou equidade.xa0Vamos ver como a situação irá evoluir acredito que alguém chamará Costa à razão. As sondagens muito favoráveis, leia-se estado de graça,xa0poderão não ser eternas, pelo que é preciso governar com consciência e comxa0cautelas. Tendo o PS a maioria absoluta em vista, alguma displicência poderáxa0pagar-se cara.xa0

Passando para uma análise política mais local, o momento é o da passagem do primeiro ano de mandato dos recentes eleitos. Em relação a Mortágua, pretendo deixar os balanços para uma altura mais oportuna, mas não resisto a partilhar convosco uma reflexão que me tem ocupado o pensamento e algumas conversas comxa0amigos.xa0Apesar de ser ainda muito prematuro, há alguns sinais que permitem antever o xadrez político de 2021.xa0Certezas, não há nenhumas,xa0nem poderiam haver por esta altura, mas lanço desde já algumas sementes para o debate.xa0Seráxa0quexa0a dupla Zé Júlio Norte e Paulo Oliveira sexa0irá manterxa0unida numa terceira corrida autárquica? Não creio,xa0apesar de acreditar que terminem este segundo mandato sem grandes convulsões, pelo menos públicas. O líder da Concelhia do PSD será naturalmente o candidato à Câmara, e isso até já sexa0inferexa0à distância no contacto mantido entre este e os seus concidadãos. A acontecer, seráxa0a concretização legítima de uma ambição já antiga, e que classifico novamentexa0de natural – expectável e sem surpresas.xa0Ora, a mais imediata das consequências prende-se com o futuro do actual Presidente, o carismático Zé Júlio quererá ele cessar a sua carreira política activa, saindo pela porta grande no final de dois mandatos, podendo ainda concorrer a um terceiro? Só ele o saberá, mas o meuxa0feelingxa0é que isso não irá acontecer.xa0Axa0sua ligação à actividade da Autarquia nos últimos 30 anosxa0éxa0demasiado histórica e pesada, no bom e no mau sentido, pelo que não creio que uma reforma antecipada seja o cenário mais plausível. A genica e a ambição de liderar continua lá toda. Vamos ver. Decisão puxa decisão com efeito dominó, pelo que se impõe perguntar: nãoxa0alinhandoxa0pela força política que o apoiou nas suas duas candidaturas bem-sucedidas, por quem sexa0lançará? O sonho do actual Presidente seria encabeçar as listas do seu partido de sempre, o PS, disso não tenho qualquer dúvida. Agoraxa0será possível que isso aconteça? Duvido mesmo muito, e assumo desde já que não é um cenário que me agrade por aí além enquanto militante socialista, por uma miríade de razões. Tenho, no entanto, mais razões ainda para nãoxa0estar solidário com uma eventual recandidatura do Ricardo Pardal, por todos os motivos que partilhei convosco ao longo deste último ano, e que são demasiado sérios para continuarem a ser ignorados.xa0Não saudandoxa0de todoxa0a solução Zé Júlio, não me espantaria que esse desfecho fosse possível, até porque me parece que o pequeno e demasiado restrito grupo de apoiantes da actual liderança pactua, actualmente, com situaçõesxa0aindaxa0mais espantosas e potencialmente muito mais graves. Em política tudo pode acontecer, e o que hoje é verdade, amanhã poderá não ser. O que é certo é que, até 2021, ainda vai haver muita agitação no tabuleiro… sendo o próximo ano muito relevante para se poderem tirar mais algumas conclusões. Também há espaço político para o surgimento de uma terceiraxa0grande força na corrida à Câmara, e o capital de confiança do actual Presidente continua muito acentuado, pelo que poderão surgir algumas surpresas. Ao meu PS, exige-se maisxa0abrangência democrática, capacidade interna de diálogo e algum primor nos timings, contrastando em absoluto com o desastre do ano que passou. Com um candidato sério e soltando-se das nefastas amarras que todos conhecem, tem sem dúvida alguma todo o potencial necessário para reconquistar a Autarquia, sendo para issoxa0exigível que haja ambição, coragem e sentido de regeneração democrática. Sob o risco de os que já são poucos passarem a serxa0ainda menos.

Está dado o pontapé de saída na nova época, e apresentadas algumasxa0variáveis para análise. Bons debates!

Autor: Jornal da Mealhada

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