Domingo, 21 de Dezembro de 2025

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

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Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas
Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas
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Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas
Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

EntrevistaRegião

Rúben Cunha, o primeiro mealhadense a ser ordenado diácono após quase quatro décadas

“Deus precisa de mim com o percurso de vida que tive anteriormente”

Rúben Cunha, natural da Mealhada e com 45 anos, foi ordenado diácono no passado dia 14 de dezembro, na Sé Nova, em Coimbra. A ordenação sacerdotal está prevista para 2026.
Na Mealhada, o último natural do concelho a ser ordenado diácono foi Augusto Semedo a 22 de maio de 1988, na Sé de Aveiro, que foi responsável pela paróquia de Castanheira do Vouga, no concelho de Águeda, Diocese de Aveiro.
Apesar da sua infância e juventude não terem sido ligadas à igreja, foi aos 39 anos que encontrou respostas para as “perguntas interiores” que o acompanhavam.
Licenciado na área da Geologia e Engenharia Civil, Ruben sempre manteve uma forte ligação ao mundo artístico: tocou piano nos grupos Magister e Columba e integrou o grupo Oficina de Teatro do Cértima
Nesta entrevista, partilha o desejo de ser um padre acolhedor, atento às pessoas e profundamente consciente “do meio e do tempo em que se vive” e defende que a igreja tem de falar a mesma língua que a sociedade para resolver problemas atuais.

Na infância e na juventude esteve sempre ligado à igreja?
Não. Fui batizado com alguns meses de vida e fiz os primeiros anos de catequese até à primeira comunhão. Entretanto, saí da catequese. Só entrava em igrejas quando ia a batizados, casamentos, concertos ou funerais. Ou então para visitar e conhecer no caso de igrejas históricas. Voltei a estar ligado à Igreja mais tarde quando, para ser padrinho, precisei de fazer o Crisma.

Que idade tinha quando decidiu entrar para o Seminário? Porque é que tomou essa decisão?
Entrei para o Seminário com 39 anos. Mas essa decisão foi o culminar de um percurso de discernimento que me levou a tomar essa decisão. Eu estava afastado da Igreja e, para ser padrinho da minha sobrinha precisava de ser crismado. Contactei o pároco da zona onde vivia e, ao longo do percurso, fui-me incluindo nas atividades da paróquia. Ao mesmo tempo, eu andava com muitas questões interiores e foi na Igreja, que comecei a encontrar respostas e a desenvolver esta relação com Deus. Aí que senti o chamamento de Deus e a coloquei a hipótese de vir a ser padre. Não foi nessa altura que surgiu a vocação, ela já existia. De qualquer forma, acredito que se foi apenas nesta altura que fui para o Seminário foi porque Deus precisa de mim com o percurso de vida que tive anteriormente.

A idade foi um entrave para a entrada no seminário?
Ao início pensei que sim, mas depois vi que não, porém houve algumas questões que eu coloquei. Afinal de contas, eu trabalhava, tinha uma fonte de rendimento para o meu sustento, tinha o meu espaço visto que vivia sozinho… E ia deixar de ter isso tudo. E, principalmente, o facto de não ter uma forma de rendimento para o meu sustento assustava-me já que não podia trabalhar e estar no Seminário ao mesmo tempo.

Como foi o seu percurso pessoal e profissional até tomara decisão de ir para o Seminário?
Como muitos jovens, terminado o ensino secundário, fui para a Universidade. Fiz uma licenciatura pré-Bolonha em Geologia, no ramo científico, e comecei a trabalhar a tempo inteiro. Fiz uma pós-graduação em Segurança e Saúde no Trabalho, área em que, entretanto, comecei a trabalhar e continuei até entrar no Seminário. E andei ainda em Engenharia Civil. A nível pessoal, fui tendo algumas atividades de tempos livres ao nível da música, a cantar no Magister e no Columba, onde acompanhava o coro a tocar piano. Fiz parte do grupo de teatro Oficina de Teatro do Cértima, e também de uma companhia de danças latinas em Aveiro e, ultimamente, integrava o Coimbra Gospel Choir.

Em que seminário esteve?
Estive no Seminário Maior do Porto. Todos os seminaristas de Coimbra vão para lá, onde durante seis anos têm formação interna com vista ao sacerdócio ministerial e, ao mesmo tempo, vão fazendo a licenciatura e o mestrado em Teologia na Universidade Católica Portuguesa. No meu caso, fiz o mestrado integrado em Teologia, antes da transição para dois ciclos (licenciatura mais mestrado).

Como é que a sua família e amigos recebera a sua decisão de seguir este caminho?
Alguns ficaram surpreendidos, mas sempre me apoiaram e acompanharam.

Já sabia como era a vida num seminário? Foi difícil a adaptação?
Não fazia a mínima ideia de como era. Apenas tinha vívido ou com família ou sozinho. Tive uma pequena experiência de vida comunitária com outros padres no Seminário Maior de Coimbra, até que fui para o Porto. É diferente, mas fui-me adaptando bem, ainda por cima, eu era dos seminaristas mais velhos, a maioria tinha, vinte e poucos anos.

Quais aprendizagens espirituais e humanas que leva dessa fase?
Não consigo destacar uma única coisa que levo desta fase. Foi uma fase que permitiu uma maior conformação a Cristo, não deixando de ser quem sou. Uma etapa em que fui trabalhando o meu interior, para estar preparado para a missão que venha a ter.

Qual era a sua atividade profissional antes de entrar para o Seminário?
Antes, era coordenador de Segurança e Saúde no Trabalho e Ambiente numa multinacional da indústria automóvel. Um trabalho em que, para além de toda a conformidade legal que era necessário garantir, havia um grande contacto com os trabalhadores da empresa sempre com o intuito de que tivessem locais de trabalho seguros para a sua integridade física e para a sua saúde.

Está a iniciar um serviço pastoral em Tábua. Como está a ser esta nova etapa?
Uma etapa como muitos desafios, mas aliciante ao mesmo tempo, com as aprendizagens e o contacto com as pessoas. Durante o tempo de Seminário, foi um período de aprofundamento espiritual e de aprendizagem, mas esta mais teórica. Agora é um tempo de continuar esse trabalho espiritual interior, junto das pessoas das comunidades, ajudando-as e vice-versa, colocando em prática os conhecimentos adquiridos e a aprender com o padre com quem estou a estagiar.

Foi ordenado diácono no dia 14 de dezembro. Que emoções e expetativas marcaram esse momento tão importante?
Estou bastante feliz. É mais uma etapa de serviço a Deus e à Igreja que se inicia. E um começo marcante com alguns compromissos e novas atividades que já poderei ter no serviço pastoral.

No próximo ano segue-se a ordenação sacerdotal, como se vê como padre?
Acaba por ir sendo um processo gradual e as coisas vão-se sucedendo na transição de seminarista – diácono – padre. Mas vejo-me como um padre próximo das pessoas. Quero ser o padre que a comunidade para a qual for enviado precise naquele momento. Mas certamente um padre que seja acolhedor, que queira acompanhar as pessoas e que tenha noção do meio e do tempo em que se vive. Espero ser um instrumento de Deus para ajudar as pessoas a encontrarem-se com Cristo ou a ajudar a alimentar mais essa relação.

Quais são, na sua opinião, os maiores desafios da Igreja atualmente?
Falar a mesma linguagem que a sociedade atual, e para tal a Igreja não precisa de perder a sua essência. É sobre encontrar uma forma de dar resposta aos problemas espirituais atuais da humanidade e dar a conhecer melhor Cristo, mesmo com as rápidas transformações.

Pensa que pode, de alguma maneira, arranjar soluções para ajudar nesses problemas?
Certamente, vão surgindo soluções em pequena escala para questões concretas. São pequenos passos que se vão dando. Da minha parte, vou tentar fazer o que estiver ao meu alcance para poder ajudar neste diálogo como no acompanhamento das pessoas para que possam fazer uma caminhada com Cristo.

Autor: Jornal da Mealhada

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