Sérgio Godinho apresenta a exposição Escritor de Canções na Mealhada
O Cineteatro Municipal Messias é a nova morada, ao longo do mês de outubro, da exposição Sérgio Godinho Escritor de […]
O Cineteatro Municipal Messias é a nova morada, ao longo do mês de outubro, da exposição Sérgio Godinho Escritor de Canções. A figura central da exposição marcou presença na inauguração, que aconteceu no passado dia 6 de outubro, a par do presidente da Câmara Municipal de Grândola, António Mendes, do vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Guilherme Duarte, e do vereador com o pelouro da cultura, Nuno Canilho.
A anteceder ao concerto da banda Blind Zero, as atenções estavam todas voltadas para o primeiro piso do Cineteatro Messias. Foram várias as pessoas que quiseram ver, em primeira mão, a exposição do músico que marcou gerações.
Concebida pela Câmara Municipal de Grândola, a exposição Sérgio Godinho Escritor de Canções reúne os vários planos da vida do artista, desde escritor de canções a escritor de livros, de compositor a dramaturgo, de realizador a ator e até cantor.
Cognominado homem dos sete instrumentos, por tocar em vários aspetos criativos, tal como confirmou Sérgio Godinho, a figura central da exposição foi acompanhando o respetivo processo de construção, que até chegar aqui deu muito trabalho, foram muitos meses de trabalho, afirmou António Mendes, autarca da Câmara Municipal de Grândola. Sérgio Godinho disse ao Jornal da Mealhada que foi dando umas achegas para a construção da exposição e cedeu, inclusivamente, alguns objetos pessoais, instrumentos musicais e troféus, algo que dá sal e pimenta e outras especiarias à exposição, terminou.
Depois da conceção da mostra sobre a vida de Sérgio Godinho, seguiu-se um novo desafio escolher o nome com o qual iriam batizar a exposição. O artista disse ao nosso jornal que estiveram indecisos entre quatro nomes, sendo que um deles seria Elixir da Eterna Juventude, mas optaram por Escritor de Canções. Este é já o nome de um disco gravado ao vivo pelo cantor, mas a escolha advém do facto de Sérgio Godinho entender que escritor de canções era algo que me definia. O artista não esconde a paixão que tem pela escrita de canções e refere que o título da mostra é o mais adequado e o mais abrangente, porque é de facto uma forma de escrita. Uma forma de escrita que é específica, que reúne duas artes, dois modos de expressão, duas ferramentas, que são as palavras e a música, que são muito diferentes, e trata-se de as conjugar, de as fazer tornar num objeto único, que é a canção, explicou o escritor.
Embora pese o facto de a tónica desta exposição estar associada à música, nem só dela vive esta mostra. Tal como havíamos mencionado atrás, a incursão do artista pelo mundo do teatro, do cinema e da literatura também está retratada no núcleo museológico reunido no Cineteatro Messias. Eu tenho essa necessidade criativa de me envolver noutras áreas. Eu estive no teatro como ator, estive no cinema como realizador, escrevi há dois anos um romance e estou a acabar outro. Portanto, para lá da música tenho necessidade de me envolver nos atos criativos, afirmou o artista.
Natural do Porto, Sérgio Godinho nasceu no seio de uma família estimulante a nível cultural, porém o artista é perentório ao dizer que não é isso que faz com que haja aquele clique, aquele flash criativo. Acho que é algo mais misterioso, não sei. Parte de dentro e não sabemos explicar. O mistério criativo é um mistério que é comum a todos os criadores, partilhou.
Sérgio Godinho viveu nove anos no estrangeiro, esteve em vários países, estudou Economia e depois Psicologia, mas foi na Suíça que chegou à conclusão que as minhas competências e as minhas faculdades seriam no domínio das artes e aí englobava o cinema, o teatro e a música, afirmou.
Desde muito cedo que entendeu que é na criatividade de tudo que eu me sinto feliz, referiu Sérgio Godinho. Mas mais do que isso, o artista recorda a importância da concretização da criatividade em palco, porque a canção tem uma coisa que é diferente da escrita de um romance, por exemplo, é a materialização da canção em palco, com os músicos que, também, por si transformam a canção e, portanto, esse lado dos palcos é importantíssimo. O ter o retorno do próprio público, que nem sempre é imediato, porque há canções que levam tempo a implantar-se, disse Sérgio Godinho.
O percurso de vida e obra deste artista é aquilo que pode ser encontrado em exposição, agora fixada na Mealhada. A itinerância de Sérgio Godinho Escritor de Canções foi também promovida pela autarquia grandolense, por entenderem que seria uma pena que ela fosse apenas para os grandolenses verem, por isso decidimos criar protocolos com os municípios que quisessem receber a exposição, avançou António Mendes.
Entendemos que a cultura é fundamental para a formação do espírito e do carácter de cada um de nós, por isso investimos nisso. Muito obrigado ao Sérgio, obrigado à Câmara Municipal da Mealhada, por ter recebido esta exposição que agora passa a ser vossa, referiu o autarca grandolense.
A Mealhada foi a primeira autarquia a demonstrar interesse no acolhimento desta exposição, de entre seis autarquias que neste momento a pretendem receber. Para Sérgio Godinho, o facto do concelho da Mealhada ter sido o primeiro a demonstrar interesse na exibição desta mostra é motivo de grande alegria, nomeadamente pelas relações familiares que tem na região.
Mais do que uma homenagem ao comum da música portuguesa, Sérgio Godinho sente-se homenageado nesta exposição, uma exposição que fala de um símbolo nacional e que Guilherme Duarte, vice-presidente da Câmara Municipal da Mealhada, espera que seja muito visitada.
A entrada nesta exposição é gratuita e está disponível ao público às quartas e quintas-feiras, entre as 15h e as 21h, e às sextas-feiras, sábados e domingos, entre as 15h e as 22h, até ao dia 31 de outubro.
Autor: Jornal da Mealhada
