Tecido empresarial mealhadense tem danos superiores a 268 mil euros
O furacão Leslie passou pela Mealhada na noite de dia 13 de outubro, mas os dias que se seguiram à […]
O furacão Leslie passou pela Mealhada na noite de dia 13 de outubro, mas os dias que se seguiram à tempestade pós-tropical têm sido de contabilização de prejuízos. Até ao momento o setor empresarial da Mealhada estima prejuízos superiores a mais de 268 mil euros.
Arminda Martins, vereadora da Câmara Municipal da Mealhada, tem estado a acompanhar o processo de levantamento dos prejuízos causados pelo Leslie no concelho. Em entrevista ao Jornal da Mealhada a vereadora afirmou que no total tivemos 72 unidades empresariais afetadas e nessas unidades empresariais contamos, obviamente, com a parte da restauração, alojamento, empresas transformadoras e de logística.
No total tivemos 72 unidades empresariais afetadas, Arminda Martins, vereadora municipal
Na sequência da ocorrência da tempestade pós-tropical sucederam cortes de energia, que levaram um grande número de empresas a parar a produção. Outros casos houve, tal como referiu Arminda Martins, em que as unidades empresariais optaram por acionar todos os meios que tinham para repor algumas condições, nomeadamente de coberturas, por causa dos materiais que tinham em armazém.
Em conversa telefónica com o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Rui Marqueiro, o Jornal da Mealhada conseguiu apurar que a empresa Alidouro, sedeada em Barcouço, foi uma das empresas que teve muitos prejuízos com o Leslie. Contatada pelo nosso jornal, Alexandra Santos, administradora da empresa, esclarece na sequência do furacão temos três pavilhões de animais destruídos, sendo que apenas um deles tinha animais. A administradora da empresa referiu que a empresa nunca deixou de laborar e que, neste momento, já foram acionados seguros, sendo ainda muito cedo para saber quando é que começam as obras de reconstrução dos pavilhões destruídos. Quanto ao balanço dos prejuízos, Alexandra Santos afirma que tiveram que ver com as entregas das encomendas, uma vez que num dos pavilhões que foi destruído tínhamos as galinhas em galadura. Apesar de termos conseguido salvar todos os animais, tivemos que as vender antes do tempo e de um dia para o outro.
Empresa concelhia ponderou suspender a produção por seis meses
Ao que o Jornal da Mealhada conseguiu apurar, atualmente, nenhuma das 72 empresas que reportaram prejuízos à Câmara têm a produção completamente parada, porém existem duas empresas que foram muito afetadas pelo furacão. Sem querer divulgar os nomes das empresas, por não estar autorizada a fazê-lo pelos respetivos administradores, Arminda Martins referiu que uma das empresas ponderou ter a produção suspensa durante seis meses por não ter condições de produção, há uma empresa que foi afetada na sua parte de produção, ou seja, na fase inicial da produção, o que lhes faz não ter matéria-prima para continuar a trabalhar e acrescentou que nesta empresa estão em causa quatro postos de trabalho. Agora, e de acordo com a vereadora municipal, a referida empresa está já a ponderar não fazer a suspensão e servir-se através de outras empresas de matéria-prima para poderem arrancar. Arminda Martins recordou ainda, a propósito desta empresa, que logo na segunda-feira a seguir ao furacão, entrámos em contacto com a Segurança Social e com o Instituto de Emprego e Formação Profissionale o processo está a ser encaminhado.
FEM irá apenas apoiar o património municipal
Em reunião com a CCDRC (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro), nos dias 25 e 26 de outubro, Arminda Martins avançou ao nosso jornal que há já uma resolução do Conselho de Ministros, que saiu na quinta-feira, relativa ao FEM (Fundo de Emergência Municipal), a vereadora disse-nos que este fundo apenas irá apoiar o património municipal. No que se refere aos setores agrícola e florestal, a vereadora esclarece que estas unidades vão ser apoiadas pelo PDR 2020 (Programa de Desenvolvimento Rural). Quanto ao setor empresarial, Arminda Martins garante que ainda há pouco a dizer, para as empresas ainda não há nada em concreto, mas aquilo que se aponta é para uma linha de crédito.
Na resolução emitida pelo Conselho de Ministros, a vereadora da Câmara Municipal sublinha uma novidade, apoio para associações culturais/desportivas, IPSS, porém ainda não saiu exatamente que tipo de apoio é que é.
Relativamente aos danos privados, mais concretamente quanto às habitações, Arminda Martins diz que há um programa, só que esse programa só dá resposta às famílias que tenham ficado totalmente desalojadas, porque, no entender da vereadora, no que se refere a outras situações, tudo aponta a que em primeiro lugar se explore a questão dos seguros multirriscos, que as pessoas, em princípio, deveriam ter.
Microempresas são a preocupação dos municípios
Depois da última reunião com a CCDRC, Arminda Martins disse que a presidente da referida comissão, Ana Maria Pereira Abrunhosa, ficou com a missão de comunicar ao Governo as preocupações dos municípios quanto às microempresas, porque há muitas microempresas que não vão ter condições sequer de ir ao crédito e isso é tido como um problema, atendendo ao facto de que os danos individualmente podem não parecer muitos, mas para algumas empresas são muito grandes.
Até ao momento, Arminda Martins esclareceu que apenas existe um prazo para a comunicação dos danos do património municipal, é dia 9 de novembro. Quanto aos restantes itens a vereadora diz temos que continuar a trabalhar, porque a todo o momento podem sair novos avisos.
A projeção de danos que fizemos está dentro daquilo que se está a verificar, infelizmente, Arminda Martins
O que é certo é que na segunda-feira seguinte à tempestade os municípios fizeram chegar a diversas entidades uma estimativa dos prejuízos, a qual foi enviada para a cultura, para o Instituto de Emprego e Formação Profissional, para a Segurança Social, para a CCDRC, para as mais diversas empresas, referiu Arminda Martins, que garantiu a projeção de danos que fizemos está dentro daquilo que se está a verificar, infelizmente.
Recordamos que a nível global os prejuízos serão de mais de um milhão de euros e que, no setor empresarial, sem quantificar uma das empresas cujo montante do prejuízo deve ascender a mais de 200 mil euros, neste momento, temos 268 mil euros já apurados de empresas, assegura Arminda Martins.
Autor: Jornal da Mealhada
