Testamento de doação da vila de Pampilhosa
Testamento de doação da vila de Pampilhosa ao mosteiro de Lorvão, por Gonçalo Randulfe e Telo Gonçalves xa0 Aos valorosíssimos […]
Testamento de doação da vila de Pampilhosa ao mosteiro de Lorvão, por Gonçalo Randulfe e Telo Gonçalves
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Aos valorosíssimos triunfadores e santos mártires Mamede e Pelágio, cuja igreja está situada no lugar denominado Mosteiro de Lorvão, região de Coimbra.
Ora eu, Gonçalo Randulfe servo de Deus e meu filho Telo Gonçalves vosso servo, que oprimidos pelo peso dos pecados somos arrancados ao desespero pela esperança, confiança e méritos dos santos; nós que acusados pela consciência trememos muitas vezes de remorso por causa do nosso crime. Para que nós por vós, Santíssimos mártires mereçamos o perdão de Deus.
As súplicas e a fé de todos os santos satisfaça todos os desejos. Decide-nos o mandamento divino. Dai e ser-vos-á dado. Tudo te pertence Senhor e as outras coisas. Finalmente por teu amor que escolhi para patrono, concedemos e oferecemos ao teu santo altar, e a vós abade D.Eusébio e a toda a vossa congregação, a nossa vila que chamam Pampilhosa, Pampillosa ou Pampiliosa, juntamente com a torre, vinhas, pomares, casas currais, terras desbravadas e inculta, pedras móveis ou imóveis, fontes dos montes, campos de regadio, moinhos por onde puderdes encontra-los. A mesma vila confina com a Vacariça e ainda com o monte Buçaco e com a vila de Larçã, e ainda com o baixio de Vale de Cavalos, até à mata da Vimieira e chega até à nascente do Certoma e até ao terreno da Vacariça. Por tudo isso, tudo o que indicamos com o seu valor e rendimento, vos concedemos e testamos à mencionada igreja de S. Mamede para sustento e vestuário dos monges e bem assim para as luzes dos vossos altares e para as esmolas dos pobres e dos cativos. E doamos daquela vila a Martinus Arnaldiz um dia de bois de terra de lavoura, para que ele a possua durante a vida e dela vos dê a décima parte liquida e depois da morte dele volte ao mosteiro, se herdeiro algum, agora ou posteriormente não houve, porem com a condição que dela tenhamos o usufruto enquanto vivermos e vos paguemos a décima dela e depois da nossa morte passe para as vossas mãos toda aquela Vila. E se deixarmos descendência, tome ela posse daquela herança e vos preste serviço e a décima. E depois da morte deles, a descendência de minha irmã permaneça sempre junto da igreja de S. Mamede, para remédio da nossa alma e dos nossos pais. Juramos por DEUS, pai omnipotente que nunca havemos de romper este compromisso. Se todavia, alguém, o que não acreditamos que aconteça, se insurgir, ou nos insurgirmos contra a nossa palavra, antes de mais que seja excomungado e participe da sorte de Judas traidor, e além disso restitua quatro dobros (oito tantos) quanto tiver tentado roubar. E este nosso testamento adquira toda a força
Feita a carta de testamento a 3 das Kalendas de Julho da era de 1155 (*) (ano de 1117).
Eu, Gonçalo e meu filho Telo que mandamos fazer esta carta de testamento e assinamos com nosso punho, e nós que estivemos presentes, eu Elduara Randuliz, porque meu irmão fez o mesmo, concordo.
Abade Eusébio, confirmou. Monge Pelágio conf.; Monge Gonçalo conf.; Monge João conf.; Monge Pedro conf.; Monge Rodrigo conf.; Monge Martinho conf.; Presbítero Mendo testemunha, diácono Egas testemunha, Diácono Gonçalo testemunha, Anaia Vestratis testemunha, Mendo Gonçalo testemunha, Mendo Lucidi testemunha, Acólito Pedro notou.
In Mosteiro de Lorvão na reconquista cristã | (*) 28 de Junho de 1117 | por Rui Azevedo
Autor: Jornal da Mealhada
