Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

Um Olhar Sobre a ExpoMortágua

Um Olhar Sobre a ExpoMortágua

Região

Um Olhar Sobre a ExpoMortágua

Pois é, pelos vistos continuamos todos à mercê dos caprichos do santo reponsável pela pasta dos assuntos meteorológicos, Pedro de […]

Pois é, pelos vistos continuamos todos à mercê dos caprichos do santo reponsável pela pasta dos assuntos meteorológicos, Pedro de seu nome, mas nem a sua despudorada falta de sentido de colaboração evitou que a ExpoMortágua 2016 se tivesse revelado um grandioso sucesso. Mais demonstrativos ainda do que as apreciações individuais, na sua esmagadora maioria convencidas da qualidade crescente do certame, os números não enganam ninguém. Esta foi apenas a 3ª edição mas a Expo tem duplicado o número de expositores e de visitantes de ano para ano, o que augura um futuro muito auspicioso para este evento que já se vai afirmando de uma forma mais consolidada no panorama regional.

Bem, mas vamos ao início. A inauguração teve honras de sessão solene brilhantemente musicada pela Banda Filarmónica de Mortágua e simbolicamente presidida por Ana Abrunhosa, uma coleccionadora de epítetos distintivos e sobrepostos até (Srª, Profª, Drª, ), que ao que parece é Presidente da CCDR do Centro, um (muito) importante órgão estatal de definição estratégica regional. A chuva não ajudou praticamente nada, mas a aglomeração de pessoas ainda tinha alguma expressão. Eu fazia parte da mancha humana, procurando escutar as palavras possíveis dado que me encontrava responsável por uma turma do 4º ano especialmente animada para ouvir o Presidente da Câmara discursar. Talvez demasiado, até. No entanto, tudo correu aparentemente bem, e voilá! Fita cortada, exposição inaugurada. Deixando por agora a informalidade bem-disposta um pouco de parte, é de importância referir que a aposta deste Executivo na criação, no desenvolvimento e na afirmação de um evento deste tipo em Mortágua está já claramente ganha nos dias que correm, sendo que não creio que exista um só agente político no Concelho que actualmente a recrimine, pois apesar dos olhares de soslaio e das preocupações orçamentais de há 3 anos atrás, já não há politiquice pegada que resista ao inquestionável sucesso da Expo. O que se propunha como uma referência estratégica na promoção do tecido económico local e das múltiplas valências da fileira florestal do Concelho de Mortágua é hoje já incontornavelmente muito mais do que isso. À floresta, à biomassa, à energia, ao ambiente e ao turismo soma-se ainda a agricultura, a indústria, o comércio, os serviços, o artesanato, o desporto, a animação e o lazer! É de justiça afirmar que a Expo tem crescido bastante e também tem sabido adaptar-se às necessidades pluridisciplinares que um evento desta grandiosidade exige.

Embalado pelo entusiasmo do sucesso da Expo, o Presidente exulta no balanço efectuado: Tivemos mais uma vez a presença de dezenas de milhares de pessoas, oriundas do concelho, da região e até doutros pontos mais distantes do País. () Há três anos começámos do zero e hoje a ExpoMortágua assume-se já como a maior feira do País a nível da floresta e uma grande mostra da diversidade, riqueza e dinamismo das nossas empresas. Antes de mais nada, os meus parabéns ao Zé Júlio e ao Executivo que preside, são bem merecidos! A aposta era arrojada e foi claramente ganha, mas há grandes expectativas geradas para o futuro e importa ter visão e noção para saber colocar a fasquia a um nível ainda mais elevado. Conversei com imensas pessoas sobre a Expo, como é natural, e tenho a declarar que já fui muito menos sensível do que agora às vozes que cada vez se levantam em maior número a favor da fusão deste evento com a Festa da Juventude e a Feira das Associações, habitualmente agendadas para o mês de Agosto. Há argumentações convincentes contra e a favor, mas há alguns aspectos que gostaria de enumerar para reflexão colectiva posterior. As Tasquinhas são sempre inesquecíveis, uma semana inteira de celebração da identidade mortaguense, que reúne familiares e amigos num espírito de convívio absolutamente único, mas é verdade que já é preciso inovar qualquer coisa, como também não é mentira nenhuma dizer que o espaço onde habitualmente tem sido desenvolvida é demasiado exíguo para o número de pessoas que se junta, sem esquecer algumas infraestruturas que ali escasseiam e ainda as justificadas queixas de alguns moradores. Levar as Tasquinhas para a Gândara e juntá-las à Expo pode vir a ser uma grande realização, se houver arte e engenho nesse sentido. Um excelente cartaz de artistas com entradas gratuitas poderia efectivamente trazer a Mortágua dezenas de milhar de pessoas por dia, se houver condições para isso, e aí a promoção das nossas empresas seria outra, sem dúvida alguma. As nossas associações também teriam tudo a ganhar com esse crescimento, tanto a nível de espaço como de visitantes. A Expofacic dos nossos amigos e vizinhos bairradenses, que como se sabe movimenta milhões e já é um evento incontornável a nível nacional até, pode e deve servir como exemplo, assim haja ambição para isso. Gradualmente, como é lógico, acredito que seja um crescimento viável e sustentável. Fica a sugestão.

Parabéns a todos os Mortaguenses. Quem nos visitou terá com certeza ficado muito agradado com o que viu e o que ouviu, com o que comeu e o que bebeu, com o que cantou e o que dançou. Mortágua já merecia um evento desta grandiosidade, que nos faz a todos sorrir como poucos, enaltecendo onde quer que seja a identidade colectiva que partilhamos com um enorme orgulho: somos Mortágua!

xa0

Opinião de Mauro José Tomaz

Autor: Jornal da Mealhada

Find A Doctor

Give us a call or fill in the form below and we will contact you. We endeavor to answer all inquiries within 24 hours on business days.